Tradição do humor gráfico na Amazônia é exposto em mostra temática sobre futebol
Com a participação de 23 artistas de diversas regiões, a mostra reúne 69 obras que utilizam o esporte como ferramenta de crítica social e reflexão cultural
A tradição do humor gráfico brasileiro na Amazônia ganha destaque com a realização da “Futebol – Exposição Nacional de Humor da Amazônia” do Banco da Amazônia, sediada no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém.
A abertura do evento ocorre nesta sexta-feira (15), às 10h, reunindo 23 artistas de diversas regiões do país. A mostra apresenta um conjunto de 69 obras, incluindo cartuns, charges, caricaturas e desenhos que utilizam o futebol como eixo temático central para promover o diálogo entre a arte e a cultura popular.
“Ao reunir esses artistas em seu Centro Cultural, o Banco da Amazônia rompe o isolamento geográfico e insere o traço amazônico em novos contextos de circulação, elevando o patamar artístico e técnico de todos os envolvidos. Essa integração amplia a visibilidade regional, democratiza o acesso à arte e fortalece a economia criativa, conectando diferentes visões de mundo. Ao utilizar o futebol como eixo temático, o Banco utiliza um elemento de forte identidade para atrair o público e estimular a formação de novas gerações de apreciadores, consolidando o Centro Cultural como um espaço estratégico de intercâmbio, inovação e valorização da linguagem crítica do humor gráfico”, explica Ruth Helena Lima, gerente de comunicação e marketing da instituição.
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Com entrada gratuita e um período de visitação de 120 dias, a mostra oferece uma perspectiva crítica e contemporânea sobre o futebol, abordando-o não apenas como esporte, mas como um fenômeno cultural central no cotidiano brasileiro. Na região amazônica, essa temática ganha força ao conectar afetos, memórias e identidades coletivas por meio do traço humorístico.
A iniciativa simboliza a tradição do humor gráfico na Amazônia, que ao integrar artistas de diversos estados a criadores do Norte, promove o intercâmbio artístico com outros territórios.
Idealizada pelo caricaturista J. Bosco em conjunto com o artista e produtor cultural Leonardo Dressant, da Mapuá Produções, a exposição surge com o propósito de atualizar e projetar o humor gráfico produzido na Amazônia para novos contextos. A iniciativa busca ampliar o alcance da linguagem artística regional e consolidar sua relevância dentro do cenário cultural contemporâneo.
J. Bosco atua como jornalista, cartunista, ilustrador, caricaturista e chargista no jornal O Liberal. Sua produção artística fundamenta-se na observação do cotidiano paraense e nacional, utilizando a imprevisibilidade dos fatos como principal fonte de inspiração.
“O humor gráfico coloca o dedo nas feridas; críticas construtivas e humor debochado servem de alerta para se construir algo melhor, por isso ele continua perigoso”, explica o artista.
Segundo J. Bosco, o humor gráfico, seja na forma de caricatura, charge ou cartum, possui a capacidade de sintetizar mensagens complexas, valendo mais do que mil palavras. O cartunista ressalta que o maior desafio para a curadoria é o processo de seleção, o qual descreve como um "toque de mestre" ou um "olhar de lince", exigindo critérios rigorosos para identificar as obras que melhor traduzem o dinamismo do futebol. Para ele, o diferencial da mostra reside no encantamento provocado pela inteligência do cartum e pela estética da caricatura, com destaque para as imagens que prescindem de texto para comunicar sua mensagem.
“Minha preocupação maior (na exposição) foi na hora de selecionar trabalhos que evitassem ofensas nas cores de nossas camisas”, pontua.
A mostra reúne um grupo de artistas que inclui Allen Campos, caricaturista e grafiteiro paraense; Cau Gomez, reconhecido por premiações na área gráfica; e Céllus, cartunista com atuação iniciada na década de 1980. Também integram o projeto Edra, cartunista e articulador cultural; Emerson Coe, com produção voltada ao cartum político internacional; e Enilson Amorim, que atua na intersecção entre jornalismo, literatura e educação.
O acervo conta ainda com obras de Fausto Bergocce, egresso da imprensa paulista; Fernandes, ilustrador com inserção na literatura infantil; Geuvar Oliveira, autor de histórias em quadrinhos; e Gilmar Fraga, chargista e diretor de arte. Representando diferentes regiões, participam Hepácia Caroline, do cenário de quadrinhos em Roraima; Izânio Bezerra Façanha, focado em charge política; e J. Bosco, jornalista e curador da mostra. Completam a lista Kleber Sales, ilustrador editorial; Leonardo Dressant, criador de narrativas sobre a Amazônia; Miran, designer e cartunista; Paulo Emmanuel, com obras sobre o contexto amazônico; Reginaldo Moreira (Regi), ilustrador e animador; Romahs, quadrinista; Ronaldo Rony, do cartum amapaense; Samuca Andrade, autor de livros de humor; Raimundo Waldez, da imprensa regional; e William Marcos, que utiliza ferramentas digitais em sua produção.
O evento ainda presta homenagem ao cartunista paraense Biratan Porto, figura central do humor gráfico na região Norte. Sua produção é caracterizada pela análise de temas sociais, ambientais e culturais da Amazônia. Ao longo da carreira, Porto participou de salões e exposições em âmbito nacional e internacional, colaborando para o reconhecimento do cartum paraense como expressão artística contemporânea.
Agende-se
Visitação: de 15 de maio a 13 de setembro de 2026
Funcionamento: de terça a sexta, das 10h às 16h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h.
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia – Belém/PA – (Av. Presidente Vargas, 800 – Campina)
Entrada gratuita
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