Transitando entre cinema, TV e streaming, Jade Sassará é destaque em ‘Corrida dos Bichos’
Atriz aborda a complexidade de sua personagem no longa de Fernando Meirelles e reflete sobre o papel do pensamento coletivo na atuação
Jade Sassará, que possui uma trajetória multifacetada pelo audiovisual e pelas artes cênicas, está no elenco de Corrida dos Bichos, longa-metragem dirigido por Fernando Meirelles. Na produção do Prime Video, a atriz dá vida à personagem Marisol.
“Acho que uma das coisas mais interessantes da Marisol é que a força dela não está apenas na capacidade de enfrentar fisicamente as situações, mas principalmente na capacidade de imaginar uma outra possibilidade de existência. Ela é uma líder revolucionária que, mesmo vivendo em um contexto de extrema violência, desigualdade e devastação, consegue acreditar que é possível construir alguma coisa diferente. Para mim, foi muito potente entender essa liderança a partir do coletivo. A Marisol não está lutando apenas por si mesma. Ela está pensando em um grupo de pessoas que foram excluídas daquele sistema e que encontram, na organização coletiva, uma possibilidade de resistência”, explica a atriz.
A personagem é movida pelo senso de coletividade e pela defesa do seu grupo, refletindo a própria vivência e a visão de mundo de Jade enquanto mulher trans e pessoa LGBTQIA+.
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“Acho que a minha trajetória e a minha visão de mundo inevitavelmente atravessam o meu trabalho como atriz. O que me aproxima da Marisol é justamente essa compreensão de que existem estruturas que podem excluir determinadas pessoas e de que a transformação dessas estruturas passa também pela capacidade de criar redes, encontrar nossos pares e imaginar outras possibilidades juntos. Eu me movimento muito a partir da ideia de buscar aquilo que conecta uma pessoa à outra, entendendo também a diferença como algo que pode somar. Isso conversa muito com a Marisol, porque ela acredita que é possível transformar um desejo individual em um sonho coletivo e, a partir disso, criar um espaço para pessoas que foram colocadas à margem. Então, acho que minha vivência informa o meu olhar, mas a personagem também me permite ir além dela. A Marisol não está ali para representar uma identidade específica. Ela está falando sobre resistência, sobre comunidade, sobre desigualdade e sobre a possibilidade de construir outras formas de existência”, analisa.
Presente na televisão, no cinema e no streaming, a atriz vive um dos momentos mais produtivos da carreira, impulsionado pelo protagonismo em produções de grande alcance e por estreias marcantes no audiovisual.
“Acho que transitar por diferentes etapas da criação me faz olhar para o personagem de uma maneira mais ampla. Quando você também experimenta a escrita e outros processos que acontecem antes de o ator chegar ao set, passa a compreender melhor que um personagem não existe isoladamente. Ele faz parte de uma estrutura maior, de uma narrativa, de um universo e das escolhas de muitas pessoas. Isso também me ajuda a ter uma relação mais ativa com o texto. Gosto de entender não apenas o que a personagem está dizendo, mas o que existe por trás daquela fala, quais são os desejos, os conflitos e as relações que fazem aquela pessoa existir daquela maneira. Acho que quanto mais ferramentas a gente desenvolve dentro da profissão, maior fica a nossa capacidade de construir personagens com complexidade. E isso é algo que eu busco muito hoje: não apenas receber uma personagem e executá-la, mas compreender profundamente o universo do qual ela faz parte e encontrar, dentro dele, aquilo que pode torná-la viva”, finaliza.
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