'O Mecanismo': Confira o que não é ficção na segunda temporada da série inspirada na Lava Jato

Segunda temporada da série de José Padilha estreou este mês com novos personagens e acontecimentos da vida real

Redação Integrada

A série "O Mecanismo", de José Padilha, que estreou sua segunda temporada no último dia 11 deste mês, reacendeu debates em torno da história recente da política brasileira. A produção do Netflix é baseada em fatos reais, tendo como pano de fundo a operação Lava-Jato, iniciada em 2014. Com um roteiro que mescla personagens fictícios a outros baseados em pessoas reais; a segunda temporada trouxe situações que ocorreram na vida real. Confira algumas:

Uma secretária para um setor incomum: propinas

No primeiro episódio da nova temporada, Marcos Ruffo (Selton Mello) está na cola de Maria Tereza (Anna Cotrim), secretária da empreiteira Miller & Brecht e única integrante do setor responsável por administrar as propinas da empresa que permanece no Brasil. Na vida real a personagem de Anna Cotrim foi uma secretária que expôs a forma como funcionava a corrupção dentro da Odebrecht. Ela trabalhou por onze anos no setor chamado "Operações Estruturadas", respinsável pela sistematização do pagamento de proipina à políticos.

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Figurações não muito fictícias

Ainda no primeiro episódio, o juiz Paulo Rigo, inspirado em Sérgio Moro, aparece assistindo a um programa de TV onde dois convidades discutem se ele está agindo conforme a lei ou politicamente. O entrevistado a favor de Rigo é Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Bope e autor do livro "Elite da Tropa", que inspirou o filme "Tropa de Elite", também de José Padilha. A apresentadora do programa é a cientista política Ilona Szabó, que na vida real chegou a ser indicada por Moro para uma vaga de suplente no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. O convite foi desfeito por interferência de Bolsonaro.

O Power Point do meme

No último episódio da temporada, um Power Point com várias setas que apontam para o presidente Gino é exibido pelo procurador Dimas aos colegas. Ele é questionado sobre a apresentação e a falta de provas, e responde: "Provas são pequenos pedaços de realidade. Nós temos convicção".

A apresentação faz referência ao usado pelo procurador do Ministério Público Deltan Dallagnol, em 2016, quando apresentava denúncia contra o ex-presidente Lula. Tanto o questionamento sobre a falta de provas quanto a resposta dada por Dimas na série, também refernciam o episódio envolvendo Dallagnol. O Power Point também virou meme nas redes sociais

Desentendimentos na famosa família Odebrecht

A prática da delação premiada, que virou um termo comum no país todo por ter sido tão presente na operção Lava Jato, também está na série. Um episódio específico envolvendo delações na vida real, o do empresário Marcelo Odebrecht, inspirou o personagem Ricardo Brecht. Na trama o personagem interpretado por Emílio Orciollo Netto é retratato como um homem inteligente e calculista; mas que resiste em fechar um acordo de delação premiada, mesmo com a possibilidade de passar muito tempo longe da família. Na vida real, Marcelo rompeu com o pai durante a negociação de sua delação.

O Impeachment e Bolsonaro

A nova temporada se encerra durante a votação no impeachment contra a presidente Janete Rusvoc, inspirada em Dilma Roussef. Na Câmara dos Deputados, o episódio histórico teve o depoimento de um deputado sem identificação, que fez um discurso praticamente idêntico ao feito pelo presidente Jair Bolsonaro na mesma ocasião.

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