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Flávia Alessandra usa expressão paraense em novela, comenta sucesso de memes e rotina de cuidados

Atriz interpreta Fábia em novela da TV Globo e explica o uso da palavra 'égua' na composição da personagem, que viralizou nas redes sociais.

Bruna Dias Merabet
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No ar em Quem Ama Cuida, da TV Globo, Flávia Alessandra interpreta a personagem Fábia. Integrante de uma família que passa por problemas financeiros, a personagem é casada com Ulisses (Alexandre Borges) e registrou Felipe (Pietro Antonelli), filho de união anterior do marido. Criada para o casamento e a vida doméstica, ela se vê em meio ao desmoronamento familiar.

Entre o drama e o bom humor, entre as sequências de Fábia na novela, a atriz inseriu elementos nos trejeitos e na fala, incluindo a expressão “égua”, utilizada na Região Norte.

“O ‘égua’ pode dizer absolutamente tudo. Dependendo da entonação, da situação e até da expressão corporal, ele pode significar uma coisa completamente diferente. Então fui experimentando esses tons e entendendo como a Fábia usaria a palavra. Acho que gosto especialmente do ‘égua’ de indignação, porque combina muito com a Fábia”, explica Flávia Alessandra.

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As falas e o tom da personagem geraram repercussão em plataformas digitais, com a criação de conteúdos de humor por parte dos internautas. As referências do texto têm origem na Região Norte, com elementos da cultura do Pará incorporados a partir do contato da atriz com paraenses.

“Eu acompanho, sim (os memes). É muito curioso porque você coloca uma personagem no mundo e, de repente, ela começa a ganhar uma vida que já não é mais só sua. O público cria memes, reproduz frases, inventa novas situações... e isso é muito gostoso de acompanhar. A Fábia bebe muito dos memes também que vão se criando em tempo real, essa é a beleza de uma obra aberta. O ‘égua’ ganhou uma proporção muito especial aí no Pará, vocês do Liberal fizeram até uma matéria sobre. Eu tive essa ideia por conta de uma tia minha que é de Manaus e uma ex-funcionária que é do Pará. Faz sentido para a Fábia pois ela é essa mulher que absorve as coisas das pessoas que ela vai conhecendo. Ela gosta dessa troca e fluência. Eu acho muito bonito quando uma expressão vira uma ponte com o público. É sinal de que a personagem entrou mesmo no imaginário das pessoas”, conta.

Com rotina voltada ao consumo e sem atribuições corporativas, Fábia atrai a atenção do público pela sua trajetória através dos problemas familiares, essa composição gerou identificação com os telespectadores: “Acho que esse foi justamente um dos grandes desafios e, ao mesmo tempo, uma das partes mais deliciosas de fazer a Fábia. Ela é exagerada, tem uma autoestima muito grande, é vaidosa e interesseira. E acho que o segredo está justamente em não julgá-la. Eu preciso acreditar nela para que o público acredite também. Até porque, existem várias Fábias por aí. O humor nasce muito mais da verdade da personagem do que de tentar fazer graça o tempo inteiro. Ela está tentando sobreviver, manter um status, se reinventar... só que pelos caminhos mais tortos possíveis. Então fui encontrando esse equilíbrio entre o exagero e a vulnerabilidade, porque acho que é isso que faz o público rir dela, mas também se afeiçoar.”

A trajetória da personagem abrange a dependência do marido em jogos de azar e conflitos de interesse. A relação piora ainda mais quando ela o localiza em um cassino clandestino e obtém a confirmação da situação financeira ruim e da venda das ações da joalheria da família Brandão, anteriormente cedidas por ela.

“(O maior desafio) é não fazer um julgamento moral da personagem. Se eu entro em cena pensando ‘a Fábia é fútil, ela é interesseira’, eu já começo a interpretá-la de fora. Preciso entender por que ela faz aquilo, quais são os desejos dela, o que ela teme. Mesmo quando ela toma decisões questionáveis, existe uma lógica interna para ela. E acho que o público percebe quando você está se divertindo junto com a personagem”, pontua.

image Fábia (Flávia Alessandra) e Ulisses (Alexandre Borges) em Quem Ama Cuida (Globo/ Giovanna Figueiró)

Em uma das cenas da trama, Flávia Alessandra apareceu vestida de "gatinha sexy", quando Fábia decidiu fazer uma surpresa para o marido. Nas imagens, que repercutiram bastante nas redes sociais, a atriz surgiu de lingerie dançando muito sensual e exibindo o corpo sarado. Aos 52 anos, a atriz mostrou boa forma e vitalidade.

“Eu tenho uma relação muito mais de cuidado do que de cobrança com o meu corpo hoje. Claro que treino, procuro me alimentar bem e tenho uma rotina de cuidados, mas tudo isso está muito mais ligado à disposição, à saúde e à qualidade de vida do que a uma busca por um determinado padrão. Uma novela exige muito fisicamente. São horas de gravação, pouco tempo entre uma cena e outra, figurinos, maquiagem, deslocamentos... então ter um corpo preparado para acompanhar esse ritmo faz diferença. E também aprendi a respeitar mais os meus limites. Acho que cuidar do corpo aos 52 é muito mais sobre entender o que ele precisa do que tentar fazer com que ele seja alguma coisa que ele não é”, conclui.

image Flávia Alessandra de Fábia em Quem Ama Cuida (Globo/ Manoella Mello)

Em paralelo a Quem Ama Cuida, Flavia também explora seu lado comunicadora ao lado da filha Giulia Costa. Há mais de um ano no ar, o espaço de conversa apresenta debates de temas de forma descontraída.

“O podcast me trouxe uma experiência muito especial porque existe uma troca muito diferente. Quando você está atuando, existe uma personagem, um texto, uma história que precisa ser contada. No podcast, temos um roteiro, equipe de pesquisa e direção, mas existe principalmente a escuta. E isso tem me ensinado muito. Além disso, dividir esse projeto com a Giulia é um presente. A gente se encontra em um lugar profissional, mas também existe uma troca de mãe e filha muito bonita. E ouvir pessoas tão diferentes, conhecer suas histórias, suas vulnerabilidades e seus caminhos acaba inevitavelmente alimentando a atriz que existe em mim. Eu acho que todo encontro humano deixa alguma coisa. E, para uma atriz, observar, ouvir e se permitir ser atravessada por essas histórias, até quando são da minha própria filha, é uma matéria-prima muito preciosa”, finaliza a artista.

 

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