Festival Cinemas dos Povos mostra em Belém olhares, narrativas e vivências em territórios diversos
Com 32 filmes selecionados, evento internacional enaltece o protagonismo de comunidades em sua resistência cultural e terá mostras competitivas, homenagens, masterclasses oficinas, debates e convidados especiais
A Cidade de Belém vai sediar, em outubro, o Festival Internacional de Cinemas dos Povos (VII Fifep), que reúne trabalhos cinematográficos de diversas comunidades de diferentes regiões do Brasil e de outros países. Essa mostra conta com 32 filmes selecionados para as mostras competitivas nesta edição, com o festival sendo realizado no Cine Líbero Luxardo, no centro de Belém, entre os dias 15 e 21 de outubro. Esta sétima edição também marca uma transformação importante na
trajetória do evento. O antigo Festival Internacional do Filme Etnográfico do
Pará passa a adotar o nome Festival Internacional de Cinemas dos Povos,
mantendo a sigla Fifep. Uma das atrações para o público será a celebração dos 40 anos do Vídeo nas Aldeias.
Trata-se de um projeto pioneiro que transformou a relação entre cinema, povos indígenas e produção de imagens no Brasil, como repassa a coordenação do festival.
Criado em 1986, o Vídeo nas Aldeias desenvolveu uma trajetória marcada
pela formação de cineastas indígenas, pela realização compartilhada e pela
defesa do direito dos povos originários de construírem suas próprias imagens e
narrativas.
"O Vídeo nas Aldeias é um dos projetos audiovisuais mais importantes,
democráticos e decoloniais do mundo. Sua história não é apenas a história de
um projeto de cinema. É a história de uma transformação radical na maneira
como os povos indígenas passaram a produzir, controlar e compartilhar suas
próprias imagens. O projeto ajudou a deslocar a câmera das mãos de quem
observava para as mãos de quem sempre foi observado", destaca o diretor do
Fifep, Alessandro Ricardo Campos.
Dezessete filmes foram selecionados, nesta edição, para a Mostra Competitiva do Prêmio Jean Rouch de Cinema Etnográfico e 15 filmes para a Mostra Competitiva do Prêmio Divino Tserewahú de Cinema Indígena. As duas seleções reúnem obras de curta, média e longa-metragem. A coordenação informa que, mais uma vez, o festival recebeu centenas de inscrições vindas de diferentes partes do país e do mundo. Após um intenso trabalho de avaliação, as equipes de curadoria chegaram à seleção final das obras que serão apresentadas ao público e avaliadas pelos júris oficiais.
A quantidade e a diversidade das inscrições reafirmam o lugar conquistado pelo Fifep no circuito audiovisual, como destaca Alessandro Campos. "Receber novamente centenas de filmes representa uma enorme demonstração de confiança no festival. São produções que chegam de diferentes territórios, realizadas por cineastas indígenas, documentaristas, pesquisadores, coletivos audiovisuais e novos realizadores. Foi um trabalho muito difícil para as curadorias, porque recebemos obras de grande qualidade, com uma diversidade impressionante de temas, linguagens e maneiras de compreender o mundo”, afirma.
Falas
A mudança do nome do evento para Festival Internacional de Cinemas dos Povos amplia a identidade construída pelo festival desde sua primeira edição e reconhece a diversidade de cinematografias, povos, territórios, experiências e formas de produção do conhecimento que compõem sua programação.
"O festival nasceu profundamente ligado ao filme etnográfico e à antropologia visual, mas foi crescendo, encontrando outros públicos e acolhendo cada vez mais o cinema indígena, os documentários, as produções comunitárias e as cinematografias realizadas a partir dos próprios territórios. O novo nome traduz melhor o que o Fifep se tornou: um espaço de encontro entre cinemas, povos e diferentes formas de olhar, narrar e existir”, ressalta Alessandro Campos.
Nesse sentido, a programação do Fifep em 2026 será dedicada aos 40 anos do projeto Vídeo nas Aldeias, celebrando várias gerações de realizadores indígenas. "O Vídeo nas Aldeias não ensinou simplesmente pessoas indígenas a utilizar uma câmera. Ele construiu relações, promoveu encontros e contribuiu para o surgimento de algumas das cinematografias mais potentes do Brasil. Celebrar seus 40 anos é celebrar a autonomia, a memória, a resistência e o futuro do cinema indígena", enfatiza Alessandro Campos.
Como convidados especiais, o VII Fifep vai receber pessoas que fazem a história do Vídeo nas Aldeias, como seu idealizador, Vincent Carelli, além de Tita, Ana Carvalho e Rita Carelli e alguns realizadores formados pelo projeto, como Divino Tserewahú e Takumã Kuikuro. Um convidado é o escritor indígena Ailton Krenak.
O VII Fifep contará com exibições especiais, homenagens, masterclasses, oficinas, debates e encontros entre realizadores, pesquisadores, estudantes e o público, além de diálogo entre realizadores e espectadores após algumas sessões de cinema. A programação completa será anunciada nas próximas semanas. O festival conta com o apoio cultural do Instituto Alok. A relação completa dos filmes selecionados para os prêmios Jean Rouch e Divino Tserewahú está disponível nos canais oficiais do festival.
Serviço:
VII Festival Internacional de Cinemas dos Povos – Fifep
Data: 15 a 21 de outubro de 2026
Local: Cine Líbero Luxardo, Belém, Pará
Programação: mostras competitivas, sessões especiais, homenagens,
masterclasses, oficinas, debates e encontros com realizadores
Homenagem: 40 anos do Vídeo nas Aldeias
Apoio cultural: Instituto Alok
Site oficial: festivaldopara.com.br
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA