Família Bulhosa desembarca em 1930 em 'Filhos da Pátria'

Depois de mostrar o Brasil de 1822, agora a série da Globo experimenta o fim da Velha República e o início da Era Vargas, em 1930

Redação Integrada, com informações da TV Globo

Estreia nesta terça-feira, 8, na Globo/TV Liberal a segunda temporada de “Filhos da Pátria”, que terá dez episódios e foi toda gravada no Rio de Janeiro, onde se passa a história de uma família já conhecida do público: os Bulhosa, que desta vez vivem no início da década de 1930, momento de transição da história do Brasil com o início da Era Vargas.

Apesar de desembarcarem um século à frente, eles mantêm seus trejeitos e toda a excentricidade característica do clã, formado pelo pai Geraldo (Alexandre Nero), a mãe Maria Teresa (Fernanda Torres), o filho Geraldinho (Johnny Massaro) e a filha Catarina (Lara Tremouroux). Cada um a seu tipo, os personagens interagem nessa nova conjuntura política, social e econômica do país.

Se na primeira temporada de ‘Filhos da Pátria’ a trama se passava no Brasil de 1822 – um país recém-independente e otimista –, na segunda, o contexto inclui as tropas de Getúlio tomando o poder e enchendo o Brasil – novamente – de esperança, com promessas de modernidade diante da estagnação após anos da hegemonia da elite do chamado “café com leite”.

Agora, em plena década de 1930, Geraldo Bulhosa faz carreira no funcionalismo público, enquanto sua esposa, Maria Teresa, segue obcecada por fazer parte da alta sociedade. O primogênito da família, Geraldinho, continua inconsequente, amante da subversão ideológica e um exímio “matador de aulas”. Já Catarina chega de uma temporada em São Paulo, sonhadora e feminista, lutando por salários iguais entre homens e mulheres.

Lucélia (Jéssica Ellen), escrava em 1822, ressurge na década de 1930 como empregada dos Bulhosa, em um tempo em que o direito à folga é uma afronta. Domingos (Serjão Loroza) é sambista e padrinho de Lucélia. Operário por décadas, foi uma das vítimas das demissões em massa decorrentes da quebra da Bolsa em 1929 e, depois disso, começou a viver de bicos e da venda de seus sambas, sempre subfaturados. Pacheco (Matheus Nachtergaele) é funcionário do alto escalão do Palácio do Catete e é quem leva Geraldo à sede do governo com um principal objetivo: queimar os arquivos públicos, tacando fogo na memória oficial.

A chegada e a influência do rádio, o impulso da industrialização e a revolução são as novidades que moldam a sociedade da época e marcam a chegada do século XX – mesmo que com 30 anos de atraso. A nova leva de episódios traz uma crônica cheia de humor sobre a construção da sociedade brasileira e seus ciclos repetitivos.

“Tratamos de época, mas falamos de acontecimentos e temas muito atuais. Através do humor e dos nossos tipos extremamente engraçados, criamos um diálogo relevante para a sociedade, ao chamar atenção para um fato: é o Brasil sempre achando que vai para frente. Como um ‘agora vai’ que ainda não foi. Continuamos nessa expectativa”, analisa o autor, Bruno Mazzeo.

“Esse movimento de trazer os mesmos personagens para outro período histórico é algo inédito na dramaturgia e muito estimulante. Os comentários críticos e os posicionamentos daquela família serão experimentados agora em um novo lugar, o que amplia nossos desafios e nos dá a liberdade de reinventar dentro de um mesmo produto”, conta o diretor o artístico da série, Felipe Joffily.

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