Canal Brasil faz homenagem a Glauber Rocha com o especial "Cinema em Transe”

Programação marca a semana em que o cineasta completaria 80 anos e conta com três filmes

Redação Integrada

Um dos maiores nomes do cinema brasileiro de todos os tempos, Glauber Rocha completaria 80 anos em março. Para homenagear o cineasta, que é um dos idealizadores do Cinema Novo, o Canal Brasil exibe, entre os dias 12 e 14, sempre às 17h, três clássicos por ele dirigidos: “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), “Terra em Transe” (1967) e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969).

Além da programação regular, as três obras estarão disponíveis nas plataformas de Video on Demand das operadoras acompanhadas por “A Idade da Terra” (1980), “Barravento” (1962) e “Pátio” (1959).

A programação começa nesta terça, às 17h, com "Deus e o diabo na terra do sol", filme de 1964 considerado um dos maiores clássicos do Cinema Novo. O longa mostra as alucinações e práticas aterradoras que a fome, a miséria e a ignorância podem inspirar num povo desesperado. Em meio à seca do nordeste brasileiro, o camponês Manuel (Geraldo Del Rey) mata o patrão escravocrata e foge acompanhado da mulher Rosa (Yoná Magalhães).

Ele passa então a vagar pelo sertão até se unir ao bando do cangaceiro Corisco (Othon Bastos) e tem de enfrentar o temível Antônio das Mortes (Maurício do Valle), matador de cangaceiros. Em 1964, a produção recebeu o Grande Prêmio do Festival de Cinema Livre, na Itália, e o Prêmio da Crítica Mexicana no Festival Internacional de Acapulco. Dois anos depois, ganhou o Grande Prêmio Latino-americano no Festival Internacional de Mar del Plata, na Argentina.

Na quarta, dia 13, no mesmo horário, será apresentado outra grande produção, "Terra em Transe", de 1967. A produção de Glauber Rocha foi considerada um dos grandes motivadores das revoltas estudantis de 1968, na França, e fez com que o diretor alcançasse projeção internacional. A história se passa na fictícia Eldorado, onde o jornalista e poeta Paulo Martins (Jardel Filho) luta para tentar mudar a situação de miséria e injustiça que assola o país.

O filme, que faz várias críticas à ditadura militar, foi proibido em abril de 1967 por ser considerado subversivo e irreverente com a Igreja Católica. Tido como um dos títulos mais emblemáticos do Cinema Novo, Terra em Transe recebeu diversos prêmios, dentre eles, o Luiz Buñuel e o Fipresci no Festival de Cannes; o Prêmio da Crítica de melhor filme do Festival de Havana; melhor atriz (Glauce Rocha), argumento (Glauber Rocha), fotografia (Dib Lufti) e edição (Eduardo Escorel) no Prêmio Governador do Estado de São Paulo; e ator coadjuvante (José Lewgoy) no Prêmio Instituto Nacional de Cinema; todos em 1967.

Na sequência, dia 14 será exibido "O dragão da maldade contra o santo guerreiro", de 1969, sempre às 17h. No drama, o matador de cangaceiros Antônio das Mortes (Maurício do Valle) volta à cidade de Jardim das Piranhas (BA) para matar o bando do jagunço Coraina (Lorival Paris), que diz ser a encarnação de Lampião. A partir desse duelo, Antônio das Mortes toma consciência de que os verdadeiros inimigos do povo não são os cangaceiros, mas sim a estrutura latifundiária dominante no Nordeste.

Ele decide então combater o decrépito coronel, porém a decadência das próprias estruturas sociais torna sua ação ineficaz: a morte nem purifica, nem traz a salvação para o sertão. Dentre os troféus recebidos pelo filme, destacam-se o de melhor direção no Festival de Cannes; o Prêmio Governador do Estado de São Paulo de melhor fotografia (Affonso Beato); e Prêmio Coruja de Ouro de melhor diretor, concedido pelo Instituto Nacional de Cinema; todos em 1969.

Televisão