Raimundo Sodré lançará livro de crônicas que aproximam ciência e conhecimento popular paraense

Em seu nono livro individual, o escritor usa questionamentos do cotidiano paraense e respostas baseadas em conhecimentos científicos

Bruno Menezes
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Uma obra que dialoga entre saberes populares e o conhecimento científico em textos carregados de identificação paraense. Assim se constrói ‘Parece até que vai chover’, novo livro de Raimundo Sodré, que reúne 64 crônicas especiais, escritas ao longo de 20 anos como cronista no O Liberal.

Com previsão de lançamento para 30 de janeiro, o livro foi construído a partir da curadoria do autor, que selecionou crônicas relacionadas a afirmações do cotidiano do paraense, que podem ter base ou não no conhecimento científico. Para cada uma delas, Sodré busca referências e estudos que se conectam ao conhecimento popular.

“As crônicas transitam entras temáticas das relações humanos, antropologia, ciências naturais, física, matemática, gastronomia, meteorologia, e tudo isso traçado dentro de um contexto de uma linguagem popular, que é o que a crônica faz, ela traz o dia a dia, ela modifica o diário num contexto literário que pode se dar em qualquer tema. No geral, esse meu livro traz alguns ‘medos científicos’, e a minha intenção é aproximar temas que no geral as pessoas temem, ao nosso dia a dia, para a nossa compreensão diária”, explica o escritor.

Para entender melhor como esses conhecimentos se traduzem nas crônicas, Sodré dá o exemplo sobre a estação das mangas, em Belém, tema que sempre gera interesse por quem passa diariamente por debaixo das árvores na capital paraense.

image Parte da capa do livro 'Parece até que vai chover' (Foto: Divulgação)

“Alguém disse uma vez que nunca tinha visto manga dar em outubro. Isso é uma afirmação que carece de ciência, o que entra aí? A vivência, as nossas experiências, uma catalogação, uma estatística de ocorrência. Dentro da minha escrita, em 1995, eu escrevi uma crônica sobre uma manga que caía perto da minha cabeça, de 95 a 2025, no mínimo tu tem 30 anos de ocorrências, de dados que justificam que a manga ocorre sim em outubro, não é pra se espantar que ocorra manga em outubro, e isso vem de uma questão diária, da manga cair na cabeça da gente. Todas a minhas crônicas exigem uma localização no tempo, pra elas provocarem reflexão, certeza nos dados e por isso todas elas são datadas”, comenta o autor.

O título do seu nono livro individual não foi escolhido por acaso. De acordo com o autor, ele vem de uma observação de sua avó, a mesma que já foi repetida muitas vezes pelos paraenses.

“Ele vem do ato de cotidiano de minha avó, que olhava pro tempo e dizia ‘parece até que vai chover’, essa frase te expõe um cenário, céu nublado, as nuvens carregadas, e ela diz que parece que vai chover, ela está no campo das probabilidades. Se eu for no raso da construção, ela quer dizer que há 50 % de chance de chover ou de não chover, e a ciência se faz a partir dessas predições. Se a gente for ver registro meteorológicos, eles sempre falam da porcentagem de chance de chover. Ela não sabia estatística, mas ela intuía. Todo o livro é assim, conjugando os sabres populares, misturando com a ciência, tirando os medos e reconhecendo a importância da ciência na nossa vida”, pontua Sodré.

A consolidação de sua carreira como cronista ao longo dos anos fez com que os leitores criassem muita admiração e conexão com sua escrita. Sodré conta que já houve casos de pessoas aguardarem uma crônica para entender um determinado fenômeno da natureza.

“Em 2024, no Cirio, as imagens que foram veiculadas na saída da santa, em Mosqueiro, mostraram que as águas estavam esverdeadas na baia do Guajará. Ai no outro dia, eu fiz uma crônica sobre isso, e uma leitura me mandou um e-mail dizendo que estava esperando o texto para explicar o que havia acontecido. Então foi criada essa conexão, porque eu esclareço de acordo com as fontes e faço as referências necessárias”, acrescenta.

Apesar de não atuar como pesquisador, Raimundo tem muito apreço pelo conhecimento científico e usa suas crônicas para passar informações importantes ao público, uma ação necessária em tempos de tanta desinformação e negacionismo científico.

“A defesa do discurso cientifico é o meu objetivo-o, uma defesa escrita de uma forma que as pessoas possam entender. Mesmo porque, inacreditavelmente, o momento exige de braços operando, para que os negacionistas desistam das conspirações. É uma forma de militância literária, no caso”, conclui Sodré.

O livro ‘Parece Até Que Vai Chover’ pode ser adquirido na pré-venda diretamente com o autor pelo telefone (91) 98559-0535 (WhatsApp). Para quem deseja acompanhar o trabalho do escritor, ele continua escrevendo em sua coluna, todo sábado, no O Liberal, e publica crônicas no blog Pedreira Jazz Pedra Noventa.

Sobre Raimundo Sodré

Escritor desde a década de 80, quando começou com poesias, Sodré é membro fundador da Academia Barcarenense de Letras. Entre os livros publicados, destacam-se:  e já publicou dezenas de livros, entre eles: “O Operário em verso e prosa”; “O dia mais feliz...”; “O rio do meu lugar”, “Corrente”, “Janeiros”, “A rainha do rádio” e “Igarapé Piscina”, todos de crônicas. “A filha do holandês” e “Morte em La Paz”, de contos. Há 20 anos mantém uma coluna de crônicas no caderno de cultura do jornal O Liberal.

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