Projeto conta história arquitetônica de Belém em formato 3D

História Virtual recria Grande Hotel, construção histórica da cidade já demolida

Lucas Costa

Uma parte das memórias arquitetônicas de Belém agora poderão ser revistas com uma série de detalhes. O projeto História Virtual, criado por três amigos de forma independente, recria construções históricas da cidade por meio da tecnologia 3D, além de contar a história dos monumentos; tudo disponibilizado de forma gratuita nas redes sociais.

O primeiro monumento retratado foi o Grande Hotel, edifício imponente em estilo eclético, cuja inauguração é datada de 1913, já no final do Ciclo da Borracha. A escolha não foi por acaso, já que a construção é considerada por especialistas como uma das edificações mais belas que a capital paraense já teve. Foi demolido em 1970, para dar lugar ao então Hotel Hilton, hoje Princesa Louçã (Av. Presidente Vargas).

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Quem você levaria para tomar um café na terrasse do Grande Hotel? Sabia que Mário de Andrade (1893-1945), um dos mais importantes escritores brasileiros, veio a Belém em 19 de maio de 1927? Nossa querida terra foi uma de suas várias viagens pelo país para estudar a cultura de cada região. Em um trecho de uma carta (confira nos destaques) interessada a Manoel Bandeira, seu grande amigo, Mário expressa todo seu entusiasmo pelas experiências que teve no Grande Hotel: “[...] O direito de sentar naquela terrasse (do Grande Hotel) em frente das mangueiras chupitando um sorvete de cupuaçu, de açaí, você que conhece o mundo, conhece coisa melhor do que isso, Manu? Me parece impossível.” (NUNES; SANTOS, 2016, p. 13) Gostou? Não esquece de marcar nos comentarios a pessoa você levaria para tomar um delicioso café ou sorvete nessa terrasse.😉

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O projeto foi idealizado pelo arquiteto Victor Scantlebury. Atualmente na Colômbia, onde cursa mestrado em urbanismo, ele é o responsável pela parte da modelagem dos monumentos em 3D. O História Virtual ainda conta com a historiadora Mayara Araújo, responsável pela pesquisa e elaboração de textos; assim como o publicitário Leandro Scantlebury, que cuida das estratégias de comunicação do projeto.

Victor relembra que a ideia do projeto surgiu em 2011, quando era estagiário no IPHAN. “Lá eu tive contato com a questão patrimonial bem a fundo, e tive a oportunidade de fazer várias maquetes, e uma que se destacou foi de uma pesquisa para saber qual seria a nova cor do mercado Ver-o-Peso. Então tive a ideia de modelar edifícios históricos de Belém principalmente os que já não existiam mais, como o Grande Hotel, que talvez seja o mais emblemático edifício já demolido”, conta.

A ideia saiu da gaveta este ano, quando Victor decidiu conversar com Mayara sobre a ideia para desenvolver o projeto. Os dois se conheceram no ensino médio, onde Mayara relembra que ambos dividiam o amor pela arquitetura histórica de Belém, e ficavam indignados com a falta de zelo pelo governo. Ela topou, então ambos iniciaram o processo de desenvolvimento.

Detalhe do prédio Grand Hotel (Reprodução/História Virtual)

Mayara explica que a pesquisa histórica começa com um levantamento de imagens, procurando fontes primárias e secundárias. “Quanto mais imagens eu encontrar é melhor para o Victor, porque a gente consegue aumentar o número de detalhes. Em seguida desenvolvo o texto, sempre com um rigor acadêmico, procurando as melhores fontes, porque a diversidade de fontes é importante para que a gente consiga maior confiabilidade para aquilo o que estamos representando”, conta ela.

Um dos objetivos principais do projeto, além de contar a história do patrimônio arquitetônico, é torná-la acessível; por isso o uso das redes sociais como plataforma principal de publicação do material.

“A gente acha que as redes sociais são o maior meio de democratização, para fazer com que chegue ao maior número de pessoas, e de maneira bem clara e pouco técnica. A gente quer falar de maneira fácil, mas seguindo o rigor de uma pesquisa, porque também somos cientistas”, diz o arquiteto.

Victor conta que o Grand Hotel levou cerca de um mês para ser finalizado, devido o alto nível de detalhes. No planejamento do grupo estão outras construções como a Doca do Reduto, o mercado Ver-o-Pes no período da Belle Époque e a Fábrica da Palmeira. O estilo 3D usado no projeto é o mesmo conhecido pelo uso recorrente por construtoras, no sentido de mostrar as diversas dimensões de espaço e profundidade de um prédio ou ambiente, como explica Victor. O grupo também planeja utilizar mais plataformas, assim como desenvolver os projetos em formato 3D interativo.

O projeto é desenvolvido sem patrocínio, mas o grupo destaca que a satisfação é de fazer algo pela cidade que amam.

“Profissionalmente esse trabalho significa muito para nós, porque estamos dando o retorno para a sociedade com as nossas profissões, que é o que a gente almejava mesmo em algum momento das nossas carreiras. Ficamos muito felizes com a repercussão”, destaca Mayara.

Veja o projeto nas redes sociais:

Instagram: @hist.virtual

Facebook: fb.com/hist.virtual

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