Pertencimento da cultura Afro em diferentes linguagens

No universo da música, o rapper Bruno BO lança o primeiro DVD de rap do Pará, o "Afroamazônico"

Bruna Lima

Produções da música, literatura e do teatro paraense abordam a temática do sentimento de pertencimento do negro e a percepção da pessoa negra com relação às suas origens para colocar em destaque na semana da Consciência Negra. O rapper Bruno BO lança o DVD "Afroamazônico". O escritor David Farias lança seu primeiro livro sobre o tráfico negreiro e a Federação Estadual de Teatro promove o espetáculo on-line "Maria Negra".

No universo da música, o rapper Bruno BO lança o primeiro DVD de rap do Pará, o "Afroamazônico". O conteúdo está disponível no canal do YouTube do artista. O trabalho marca a trajetória de mais de 20 anos do rapper. No material há ainda cenas de bastidores, depoimentos de outros artistas e videoclipes.

O DVD foi gravado em 2018, no espaço Cultural Vadião, na Universidade Federal do Pará. E a escolha pelo local tem tudo a ver com a trajetória do MC Buno BO, que entrou na academia por consequência do envolvimento com a música. "Esse produto sintetiza essa minha experiência de ser um homem negro e amazônico da floresta e da cidade grande", disse o MC no período da gravação.

A sonoridade do DVD traz ainda elementos afrolatinos da cumbia, guitarrada, lambada e também o tecnobrega paraense. “O DVD traz o show ao vivo, videoclipes, declarações e uma mixtapte. Como não havia feito em mais de 20 anos várias coisas tradicionais no Hip Hop, agora fiz pra entender o ‘Afroamazônico’ e o Bruno BO de alguma forma”, diz o rapper. 

Para as canções que integram a mixtape, Bruno BO convidou nomes importantes, da nova e da antiga geração do Rap paraense e também nacional. São eles: Bruna BG (PA), Negro Edi (PA), Pjó (PA), Slim Rimografia (SP), Souto MC (SP), Thiago Elniño (RJ); além de dialogar com músicos de outros gêneros musicais, tais como: Manoel Cordeiro, Nanna Reis, Keila e Jayme Katarro. 

O DVD “Afroamazônico” é um projeto contemplado pelo programa Natura Musical por meio do edital 2017, com o apoio e da Lei estadual de incentivo de incentivo à Cultura – Semear e realização do MusicaParaense.Org.   

Bruno BO é um dos nomes pioneiros do Rap e do Ragga no Estado do Pará. Em carreira solo, desde 2002, o artista faz fusões de estilos como Rock, Rap e Reggae. Esta experimentação está presente em “Afrormazônico”, com faixas que englobam sucessos e inéditas, que falam sobre ancestralidade, sua visão de mundo e amor. 

Além de MC, Bruno BO é pesquisador. Com formação em Ciências Sociais, o antropólogo fez pesquisas durante toda sua trajetória acadêmica sobre a cultura Hip Hop, em especial o Rap, se tornando o primeiro MC de Rap brasileiro a conquistar o título de Doutor em exercício. Seu conhecimento antropológico é aliado à sua musicalidade. 

Literatura

Já no universo da literatura, o pesquisador e professor miriense, David Farias, escolheu o Dia da Consciência Negra para lançar seu primeiro livro “O Comércio de Escravos: Comarca de Igarapé-Miri/PA 1868-1887”, que conta a história da compra e venda de homens escravizados na região do Baixo Tocantins compreendida pelos atuais municípios de Igarapé-Miri, Abaetetuba e Moju.

O lançamento ocorrerá nesta sexta-feira (20), na cidade de Igarapé-Miri, às 20h, no Espaço Verde e contará com a participação de pesquisadores locais e amigos do escritor.

O autor analisa escrituras de compra e venda de escravos, além de outras fontes catalogadas nos cartórios e arquivos da região, que trazem dados sobre a escravidão na Amazônia em especial no Baixo Tocantins. Ele pesquisou sobre os senhores de escravos da região, o perfil dos escravos negociados, as atividades econômicas que eram utilizadas e entre outras questões pontuadas no livro.

David R. Farias, é natural de Igarapé-Miri nascido no rio Anapuzinho A base de formação é no interior do Estado, fez graduação em história pela Universidade Federal do Pará no campus de Cametá (2017), especialização pela mesma instituição e atualmente está concluindo o mestrado em História Social da Amazônia. Além de pesquisador é professor com atuação na educação básica e músico nas horas vagas.

Teatro

A data também será celebrada pela Federação Estadual de Teatro com o espetáculo "Maria Negra", que coloca em debate a situação do racismo. E para abordar o assunto, a atriz Lett Trindade interpreta três mulheres de diferentes profissões e classes sociais.

De acordo com Fernando Rassy, o espetáculo tem a intenção de mostrar a presença da mulher negra em diferentes espaços. " A atriz interpreta uma empregada doméstica, uma professora e uma artista plástica. É uma forma de mostrar mundos diferentes, mas também de reafirmar que a mulher negra está e pode estar em todos os lugares", pontuou o diretor.

O espetáculo é on-line e pode ser visto pela página do facebook de Fernando Rassy, às 22h30, nesta sexta-feira (20). E após "Maria Negra" o público ainda vai poder conferir o espetáculo "Amanajés", interpretado por Chagas Franco.  O espetáculo trata sobre a luta do índio pela sobrevivência, as ameaças de seus territórios e a preservação da cultura indígena.

"O público vai poder assistir aos dois espetáculos e vai poder acompanhar todo esse processo de troca de cenário, pois é algo que as pessoas têm curiosidade em saber como funciona", diz Rassy.

A programação é gratuita, mas quem quiser contribuir pode depositar qualquer quantia na conta do Banco do Brasil, agência: 2946-7 e conta corrente 1439-7, cpf: 10080473253/ Antônio Fernando Rassy.

 

Cultura
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