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Personal dancer, um ramo da dança carregado de luta e preconceito

Quem anda pelas festas-bailes espalhadas pelo Brasil encontra estes profissionais, que por muito tempo recebiam nomenclaturas pejorativas

Bruna Lima

Seja por contrato ou pela compra de uma fichinha, os profissionais da dança estão cada vez mais ganhando espaço pelos bailes dos centros urbanos oferecendo o serviço da dança como terapia e diversão. Quem anda pelas festas-bailes espalhadas pelo Brasil consegue ver a presença destes profissionais, hoje, conhecidos como personal dancer, mas que por muito tempo recebiam nomenclaturas diversas e pejorativas. Em Belém, espaços como a Casa da Seresta, Subsar e entre outros fica fácil de encontrar um personal dancer.

Por muito tempo, esse serviço de venda da dança era praticamente predominante entre os homens, que eram contratados para dedicar parte de seu tempo com companhia e dança. Héricles Felipe, 25, faz parte de um grupo "Projeto dancer", criado como forma de organizar e qualificar o serviço.

Mas antes ele atuava de forma independente e diz que tudo começou a partir da necessidade que muitas pessoas enfrentam para encontrar parceiros para dançar pelas festas da cidade.

"No nosso caso, o perfil das nossas clientes são mulheres independentes que resolveram pagar dançarinos como forma de diversão. Elas costumam falar que têm muita dificuldade para encontrar parceiro para dançar. Diante disso, elas estabelecem uma relação de amizade e confiança com a gente ", detalha o personal.

Charles Monteiro, 37, trabalha com a dança há 16 anos, ele atua como professor e coreógrafo. Há sete anos, como forma de arrecadar mais dinheiro, ele resolveu oferecer o serviço para pessoas amadoras, mas que têm amor pela dança. Ele disse que exercer a profissão não é nada fácil em decorrência do preconceito.

"A gente sofre diversos tipos de preconceitos, só o fato de o homem dançar já é um deles e ainda mais o tipo de serviço que oferecemos. O preconceito começa em casa na maioria das vezes. No meu caso, foi mais tranquilo porque meus pais gostam da dança, mas muita gente precisa mentir em casa para fazer o trabalho. Mas é importante que todos saibam que é um trabalho essencial e digno como qualquer outro trabalho", destaca o dançarino.

As mulheres invadindo o espaço e enfrentando o preconceito

Se os homens sofrem preconceitos e são tratados de forma equivocada, imagina a dificuldade para as mulheres. Mas em Belém, desde o ano passado a presença de dançarinas em festas- bailes têm ganhado mais força, uma vez que com a chegada da pandemia, profissionais da arte precisaram se reinventar e criar novas estratégias para ganhar mais dinheiro.

As dançarinas resolveram se unir e enfrentar o preconceito trabalhando e tentando desmistificar visões deturpadas da profissão. Caroline Souza, 21, é dançarina profissional e entrou para o universo da dança desde criança. Ela faz o curso técnico de dança na Universidade Federal do Pará e vem trabalhando com apresentações e dando aulas.

Mas com a pandemia, a atuação na profissão ficou difícil e Carolina precisou elaborar a respeito da sua profissão. Com flexibilização e abertura dos espaços, Carolina e outras profissionais da dança também resolveram expandir suas atividades com o serviço de personal dancer.

Viviane Sales, 29, começou na profissão até de forma despretensiosa, pois frequentava as festas-bailes apenas para dançar e se divertir, mas como forma de conciliar o gosto pela dança e encontrar mais um meio para arrecadar dinheiro, resolveu a se juntar com as amigas e unir forças e exercer a nova profissão em horas vagas, já que Viviane trabalha em um cartório durante a semana.

“Muitas pessoas enxergam o nosso trabalho com maus olhos e não têm uma boa aceitação. Mas aos poucos, a gente percebe que esse cenário pode mudar, pois tudo está passando por transformação. E a nossa profissão é importante e digna como qualquer outra”, reflete Viviane.

As dançarinas dizem que já vivenciaram diversas situações desconfortáveis, mas o amor pela dança faz elas insistirem e acreditarem em respeito e valorização profissional.

Como funciona o serviço de personal dancer?

Quem quiser contratar um personal dancer existem pelo menos duas formas: o contrato ou a fichinha. O contrato é quando o cliente estabelece um vínculo exclusivo de horas e dias, que é firmado entre o profissional e o cliente. Já o serviço de fichinha é aquele adquirido pela compra de uma ficha por música, nesse caso o cliente paga o valor em unidade.

O negócio, dizem os dançarinos, é lucrativo. Mas eles precisam seguir algumas regras para que tudo ocorra de forma profissional.

Palavras-chave

Cultura
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