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Para celebrar e relembrar lutas

Dia internacional contra a LGBTfobia, 17 de maio também é data para relembrar demandas

Lucas Costa

A data desta terça-feira marca mais um dia de luta para a comunidade LGBTQIA+ no mundo. O dia 17 de maio é reconhecido como o Dia Internacional contra a LGBTfobia, isto porque foi nessa data, em 1990, que Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID).

A data marca uma conquista, e apesar de ser um momento de celebração, é também tempo de lembrar que ainda há muito caminho a ser percorrido. O Brasil segue com o vergonhoso título de país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo, segundo o último levantamento da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transsexuais), referente ao ano de 2021.

A artista paraense Flores Astrais, travesti, conta que trabalhar com arte em Belém já é uma realidade difícil, mas para pessoas que não fazem parte de grupos historicamente privilegiados, os obstáculos são ainda maiores.

“Ser artista e produtora cultural sendo travesti muitas vezes limita o olhar das outras pessoas sobre as minhas capacidades, eficiência e até nas possibilidades do que posso ou não fazer. Além disso existe uma cobrança muito maior, pois somos corpos indesejados para a sociedade provinciana que ainda vivemos, isso faz com que qualquer erro nosso seja usado para nos afastar dos lugares e justificar nossas ausências retirando a culpa das pessoas diante das nossas opressões”, pontua Flores.

O cantor paraense Raidol, bissexual, também conta de dificuldades, mas celebra a possibilidade de ser versátil dentro de sua forma de fazer arte. “Óbvio que o mundo ainda é bastante preconceituoso, quando performamos uma normatividade, mas é importante persistirmos em sermos quem somos. O mundo é diverso e plural, pra que seguir padrões, sabe?”, questiona.

 

O próximo passo

Em datas como essa, é comum ver pessoas aliadas ao movimento LGBTQIA+ defendendo principalmente a pauta da representatividade, mas é importante reconhecer a necessidade de fazer com que o discurso caminhe, pontuando também outras demandas da comunidade.

Para Raidol, esse próximo passo é fortalecer ainda mais os debates, tornando pessoas LGBTQIA+ protagonistas das próprias narrativas.

“Temos uma deputada e uma vereadora paraenses LGBTQIA+, temos Pabllo Vittar e Glória Groove como ícones da música brasileira em âmbito internacional. Ainda faltam espaços e faltam mais de nós, mas creio que há uma luta que vem sendo realizada a anos, e hoje conseguimos ver a diferença. Nossa comunidade persiste e continuará persistindo na luta de direitos, sem cansar e sem temer”, destaca.

Para Flores, há também uma necessidade em nivelar demandas e discursos dentro da própria comunidade LGBTQIA+, formada por diferentes vivências de sexualidade e gênero, que por consequência também possuem demandas distintas.

“O que hoje se entende por Comunidade LGBTI+ é formado de uma pluralidade de vivência de sexualidade e gênero (em contraponto a vivência de pessoas cisgêneras e heterossexuais) e ainda é preciso ajustar muitas questões dentro dessa comunidade. Acho que o passo a dar é aplicar dentro da própria comunidade a prática do respeito e reparação histórica que é cobrada, pois dentro dessa comunidade existem grupos que têm menos acessos, oportunidades e garantias de direitos. Afinal, o que estamos fazendo pelas pessoas mais vulneráveis socialmente, sobretudo travestis, pessoas trans e pessoas racializadas de dentro da Comunidade LGBTI+?”, questiona Flores.

Cultura
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