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Obra fotográfica de Luiz Braga vira patrimônio cultural do Pará

Fotógrafo paraense celebra o reconhecimento oficial de sua obra mediante lei sancionada pela governadora Hana Ghassan.

Eduardo Rocha
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Um dos trabalhos artísticos que mais expressam a realidade amazônica, a obra do fotógrafo paraense Luiz Braga acaba de ser reconhecida como patrimônio cultural e artístico de natureza material e imaterial do Estado do Pará. Isso se dá por meio da Lei nº 11.551, de 19 de junho de 2026, sancionada pela governadora do Estado, Hana Ghassan Tuma. Essa legislação foi publicada na edição do Diário Oficial do Estado do Pará nesta segunda-feira (22). O projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) e que deu origem à lei é de autoria do deputado estadual Iran Lima (MDB).

A Lei nº 11.551 declara: "Como patrimônio cultural e artístico de natureza material e imaterial do Estado do Pará, a obra de Luiz Braga. A Assembleia Legislativa do Estado do Pará estatui e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Fica tombada e declarada integrante do patrimônio cultural e artístico, de natureza material e imaterial, do Estado do Pará, a obra de Luiz Braga, nos termos do art. 286, caput, da Constituição Estadual", diz o texto da legislação sancionada pela governadora do Estado.

Na apresentação do projeto na Alepa, o deputado Iran Lima justificou sua iniciativa afirmando que "Luiz Braga, conhecido como o 'fotógrafo da Amazônia', desenvolve sua obra como um diário fotográfico da paisagem e da vida amazônica, com foco na vida cotidiana, simbólica e nas interseções entre a natureza, arquitetura e o humano". "Sua linguagem visual flutua entre o documental e o abstrato, desafiando estereótipos comuns sobre a região. Notabiliza-se pelo uso expressivo da luz equatorial e das cores vibrantes dos portos e periferias urbanas da Amazônia, diferenciando-se da visão tropical romantizada que costuma ser reproduzida", pontua o parlamentar.

Iran Lima complementa, ao ressaltar que o reconhecimento à obra de Luiz Braga contribui para fortalecer a preservação patrimonial, valorizar a produção artística paraense, contribuir para a formação de acervos, estimular pesquisas e a difusão cultural, além de promover a identidade regional. Nesse sentido, o selo de patrimônio fortalece iniciativas de salvaguarda e potencialmente cria instrumentos de fomento e visibilidade.

"Fotografar o meu lugar"

"Para mim foi muito gratificante ser reconhecido na minha terra. Afinal de contas, eu nasci aqui, me fiz fotógrafo aqui, continuo vivendo e trabalhando aqui, então para mim é uma honra muito grande ter o meu trabalho, todo esse tempo de dedicação, reconhecido na minha própria terra. Então, pelo menos comigo, não vai haver aquela máxima do santo de casa não faz milagre. Eu sempre acreditei na nossa cultura, na nossa arte e, por isso, eu decidi ficar aqui, continuo trabalhando aqui e estou muito feliz. Por isso, com certeza, para mim é um motivo de felicidade e de honra", declara Luiz Braga ao tomar conhecimento da legislação acerca do reconhecimento da obra fotográfica dele.

Luiz considera que teve o privilégio da fotografia o escolher, ainda muito jovem. "O primeiro contato que eu tive com a fotografia eu tinha 11 anos de idade. Então, é uma coisa que tem quase a minha idade, que está comigo. Só tem duas coisas mais antigas do que a fotografia na minha vida, que são os meus pais. Então, pra mim, isso é uma coisa muito, digamos assim, emblemática", ressalta.

"Eu acho que, para mim, é um privilégio, porque eu pude experimentar diversas fases, diversas descobertas, diversos momentos, em que principalmente eu me senti sempre, sempre aprendendo. Eu acho que a professora maior foi a fotografia. Ela me ensinou a enxergar o outro, a tentar me entender como ser humano. Então, é um privilégio muito grande ter descoberto cedo a fotografia como uma ferramenta de vida mesmo, um instrumento de vida, um instrumento de relação com o próximo, com o outro. Então, para mim, é a minha vida mesmo. Pode parecer uma coisa meio clichê, mas é, quem me conhece, quem convive comigo sabe disso", diz Braga.

Acerca do fato de ser um exímio fotógrafo da temática amazônica, Luiz Braga afirma: "Eu tenho um interesse ancestral pela Amazônia, porque a família, por exemplo, do meu pai, a minha avó era de Tefé (AM), o meu pai nasceu em Tefé, no Solimões, ancestralidade indígena que se mistura com o português; pelo lado da minha mãe, com os egípcios. Então, tem que é um pouco esse mosaico da Amazônia, de múltiplas culturas, que eu acho que faz dela exatamente esse território maravilhoso, que me encanta desde novinho. Esse encantamento vem do meu pai, vem da minha mãe, sabe? Então, eu acho que fotografar a Amazônia é fotografar o meu lugar, eu tenho esse pertencimento com o meu lugar. A cada vez, a cada viagem, a cada descoberta, eu percebo que são inúmeras camadas. A Amazônia não é tema para um único fotógrafo, é um tema inesgotável. E eu espero que ela siga encantando os olhares sensíveis, para com esses olhares a gente tentar enfrentar os insensíveis", conclui.

 

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Cultura
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