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O menino do Amazonas que vem ganhando o mundo nas telas

Leonardo Bittencourt nasceu em Manaus e já sabia o que queria para a vida desde garoto

Bruna Lima

Filho do Norte, o ator Leonardo Bittencourt, 27, que deixou o estado o estado do Amazonas para tentar a vida na arte, vem ganhando destaque na carreira e nas redes sociais após o recente lançamento dos filmes “O menino que matou meus pais” e  “A menina que matou os pais”, estreados pela Amazon Prime Video. O ator conversou com a equipe de O Liberal e falou como foi o preparo para o trabalho que narra o Caso Richthofen, crime que chocou o Brasil, em 2002.

Os filmes fizeram o interesse pelo caso aumentar na web e voltar a ser um dos assuntos mais falados na internet quase 20 anos depois. E Leonardo diz que isso se deve à repercussão que o caso teve no início dos anos 2000 e já sabia que seria uma grande responsabilidade interpretar Daniel Cravinhos, envolvido na morte do casal Richthofen.

“Esse caso ganhou repercussão internacional e muita gente se choca com ele ainda hoje, por isso eu já sabia que seria uma grande responsabilidade falar sobre. Mas como ator, é exatamente esse tipo de desafio que procuro e quero. Acredito que mais do que contar uma história, estamos lançando luz sobre problemáticas sociais, sensações humanas, sobre a própria vida e seus caminhos”, explica o amazonense.

Com relação ao mergulho nas gravações e no personagem, o ator diz que foram 33 dias de gravações intensas e as cenas mais difíceis foram as do tribunal e a do momento do crime.  “As cenas mais difíceis foram com certeza as que exigiram uma maior preparação psicológica, que foram as do tribunal e a cena do crime. Precisei me concentrar muito, focar no meu feeling, no que a direção esperava e, na verdade, que eu queria passar como intérprete. E, como ator, também mergulhei numa intensa auto avaliação. Acabei percebendo que a exaustão era o meu caminho, tanto física quanto mental. Sobretudo, em filmes que demandam esse tipo de entrega e energia”, pontua.

Quando o caso ocorreu Leonardo tinha oito anos de idade e ele diz que na época não tinha entendimento a respeito do assunto. E para realizar o papel de Daniel Cravinhos ele se baseou nos roteiros, os quais ele diz que foram bem detalhistas por serem escritos baseados nos autos do processo, e também recebeu aulas de prosódia para incorporar o sotaque de São Paulo. “Além disso tudo estudei bastante sobre aeromodelismo, um dos hobbies do meu personagem”, acrescenta.

Apesar de narrarem o mesmo crime, os dois filmes têm interpretações diferentes. E sobre esse desafio, Leonardo explica que foram feitas em sequência as cenas que ocorriam nos mesmos lugares. “Gravávamos a cena de uma versão e logo em seguida gravávamos a outra versão, chamamos isso de cenas espelho, o que é bem desafiador e exige, em muitos momentos, uma introspecção maior do ator. Senti que eu precisava estar atento à energia que cada versão exigia, e encontrar esse tom foi gratificante, embora tenha sido, também, um grande estímulo”, pontua Leonardo.

Além das cenas mais fortes da obra, que foram a da morte e o julgamento, muitas pessoas na internet comentaram as cenas de sexo vivida pelos personagens de Suzane Richthofen e Daniel Cravinhos. Mas Leonardo tirou de letra e diz que as cenas de nudez fazem parte da profissão e que tudo ocorreu de forma profissional, com verdade e naturalidade.

Um dos principais questionamentos acerca da obra é a dualidade, que se refere ao fato de Suzane Richthofen ser manipuladora e  ter induziu o namorado e o irmão dele a matarem os seus pais, ou, se  Daniel Cravinhos tinha ambições nos bens da família. Sobre essa questão, Leonardo diz que não lhe cabe como artista julgar os personagens.

“O filme não tem o objetivo de mostrar uma verdade absoluta. Pode ser que as duas versões estejam certas em algum ponto, ou que tenham incoerências em muitos fatores. O que realmente aconteceu está apenas dentro da mente e do coração daqueles que praticaram”, diz.

E acrescenta que sempre buscou separar o julgamento pessoal do profissional. “Eu estava ali para fazer um personagem, que esbarra em diversas questões existenciais. O objetivo é reacender uma luz sobre essa problemática social e debatê-la para que não se repitam os erros do passado, no futuro”, reflete o ator.

Leonardo Bittencourt nasceu em Manaus e já sabia o que queria para a vida desde garoto. Ainda criança, o ator sempre esteve presente nas peças teatrais escolares e nas aulas de teatro que a escola oferecia. Aos 19 anos, deixou a faculdade de publicidade que cursava em sua cidade natal, e decidiu se mudar para o Rio de Janeiro e ingressou na Casa das Artes de Laranjeira (CAL).

Em 2018, deu vida a Hugo Rabelo, em “Malhação: Vidas Brasileiras”, na Globo. No ano seguinte, esteve na primeira temporada da série "Segunda Chamada"; projeto que trata sobre questões sociais como a intolerância religiosa, gênero, relações familiares e, principalmente, sobre o poder transformador da educação brasileira.

 

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Cultura
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