‘Nastácia’ une teatro e videoarte para abordar violência de gênero na CAIXA Cultural Belém

A temporada peça será realizada nos dias 20 a 24 de maio, na CAIXA Cultural Belém

Amanda Martins
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Mais de 150 anos depois de surgir nas páginas de “O Idiota”, Nastácia Filíppovna continua provocando debates que atravessam gerações. A personagem criada por Fiódor Dostoiévski retorna aos palcos em uma montagem que une teatro, videoarte e crítica social para abordar violência contra a mulher, abuso e desigualdade de gênero.

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Na capital paraense, o espetáculo será apresentado de 20 a 24 de maio, às 19h, na CAIXA Cultural Belém, no bairro do Reduto. Os ingressos para “Nastácia” estão à venda no site e na bilheteria física do espaço, que funciona das 11h às 19h.

Programação 

A apresentação da peça na cidade também contará com atividades especiais. Na sexta-feira (22), às 17h, haverá um bate-papo com o elenco. Já no sábado (23), às 16h, ocorre uma sessão com acessibilidade em Libras.

Órfã desde a infância, Nastácia passa a viver sob os cuidados de um oligarca, tornando-se sua companheira forçada aos 12 anos e sendo submetida a situações de abuso e humilhação. Ao longo da trama, ela confronta as estruturas sociais e as relações de poder que atravessam sua história.

Com dramaturgia de Pedro Brício e direção de Miwa Yanagizawa, o espetáculo reúne teatro e videoarte em uma encenação marcada também pela direção de arte e cenografia assinadas por Ronaldo Fraga.

Personagem foi inspirada em história real

Segundo a atriz mineira Flávia Pyramo, que interpreta Nastácia, a personagem carrega uma construção humana profunda criada por Dostoiévski. Essa dimensão da protagonista, ainda de acordo com Pyramo, também está relacionada à origem real que inspirou o autor russo.

“Dostoiévski viu no jornal a história de uma adolescente, que é a Olga, que vivia sob negligência familiar. Isso foi descoberto porque ela foi julgada por ter colocado fogo na casa da família. No julgamento, foram percebendo que ela vivia sob abusos”, relatou Flávia em entrevista ao Grupo Liberal.

Também com um fim trágico, ela explicou que a sua personagem reagiu na trama contra aquilo que a destruiu. “Anastácia então coloca fogo também naquilo que a oprime, em tudo aquilo que é material do abuso contra ela”, acrescentou.

Atriz destaca atualidade da narrativa

Durante a entrevista, a atriz destacou que a história apresentada no espetáculo permanece atual em diferentes partes do mundo. Segundo ela, trata-se de uma “tragédia ancestral” que continua atravessando gerações e sociedades.

“Ela está viva aqui hoje em Belém, em Belo Horizonte, de onde eu venho, em toda parte do Brasil e no mundo, infelizmente”, afirmou.

Flávia também comentou os desafios emocionais envolvidos na construção da personagem. Ela contou que interpretar Nastácia representa um grande desafio artístico, mas também provoca tristeza ao longo de todo o processo.

“Como atriz, é uma personagem dessa dimensão, gigante dessa forma. É um desafio enorme. E esse desafio, que é o melhor que existe no trabalho em si, também traz uma tristeza profunda”, declarou.

Espetáculo aborda feminicídio e violência de gênero

Ao longo do processo de criação, a equipe passou a identificar a narrativa de Nastácia como uma representação clássica do feminicídio. Essa percepção foi sendo construída durante os estudos sobre a personagem e sobre a própria trajetória da protagonista dentro da obra.

“Ela é assassinada por um homem que não consegue dominá-la. Então, como ele não consegue dominá-la, ele tira a vida dela, porque o poder tem que estar com ele”, disse.

A atriz explicou ainda que o espetáculo busca ampliar discussões sobre violência de gênero em diferentes espaços da sociedade. Para ela, o debate precisa ultrapassar os palcos e alcançar ambientes cotidianos.

“A gente precisa falar sobre isso nos nossos pequenos grupos, nos bares, no almoço de família, nas redes sociais, nos encontros, nos jornais, na televisão, no teatro, nas artes em geral”, afirmou.

Segundo Flávia Pyramo, um dos objetivos da peça é contribuir para processos de conscientização sobre situações de abuso, especialmente aquelas que muitas mulheres enfrentam sem perceber.

“É preciso primeiro ter a consciência, perceber que estamos vivendo uma situação de abuso. Isso já é o primeiro passo”, destacou.

Público participa diretamente da narrativa

A atriz também comentou sobre a relação construída entre o espetáculo e o público. Na encenação, o espectador é inserido diretamente na narrativa, participando da festa de aniversário de Nastácia, que serve como ponto de partida para o desenrolar da trama.

“O público é o convidado dessa festa, a peça é a festa de aniversário dela. As pessoas vão sendo contagiadas por essa energia vulcânica da Nastácia e vão se identificando”, relatou.

Para Flávia, o retorno do público costuma acontecer de forma imediata, principalmente entre mulheres, embora homens também demonstrem envolvimento com o debate apresentado em cena.

“No final, a gente está muito junto nesse debate, nesse lugar de conscientização. Eu falo que é um grito coletivo”, afirmou.

Flávia ressaltou ainda que o espetáculo nasceu de um trabalho coletivo entre artistas e equipe criativa, mobilizados pela força da personagem e pelas discussões levantadas pela obra.

“O grande mérito do projeto é esse conjunto. A equipe criativa abraçou isso com muito amor”, concluiu.

Desde a estreia, em 2019, a montagem acumula reconhecimento nacional e internacional, incluindo o Prêmio Shell de Melhor Direção, o Prêmio APTR de Melhor Direção e Melhor Cenário, além da participação no Festival Off Avignon, na França.

Serviço:

“Nastácia”

  • Local: CAIXA Cultural Belém: Avenida Marechal Hermes, S/N - Armazém 6A -
  • Reduto (Porto Futuro II);
  • Data: 20 a 24 de maio;
  • Horário: 19h.
  • Programação especial: sexta (22), às 17h: bate-papo com o elenco. Sábado (23), às 16h: sessão com acessibilidade em Libras. 
  • Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) desde 8 de maio no site da CAIXA Cultural ou na bilheteria física da CAIXA Cultural Belém, das 11h às 19h.

Informações: Site da CAIXA Cultural | @caixaculturalbelem.

 

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