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NAIPEADO: projeto transforma cultura amazônica em baralho de cartas e será lançado no Curro Velho

Projeto idealizado pelo designer Lincoln Nazario reúne referências ao “caquiado” paraense e a festividades populares em 54 cartas com diferentes interpretações visuais

Gabriel Pires
fonte

Com um baralho de 54 cartas, artistas paraenses transformam elementos da cultura amazônica em uma experiência artística, cultural e educativa. Essa é a proposta do NAIPEADO – Baralho Amazônico, que será lançado na próxima segunda-feira (31), às 18h, no Curro Velho, em Belém. Idealizado pelo designer Lincoln Nazario, o projeto traz novas interpretações visuais para o tradicional “caquiado” paraense e festividades populares. A iniciativa foi contemplada pelo Edital de Chamamento Público nº002/2025 – Fomento à Criação de Projetos Culturais - Design.

A iniciativa é resultado do Naipe do Norte – Cultura Amazônica em Cartas de Baralho, e reúne artistas de Belém, Cametá e outras regiões do estado, que apresentam, por meio da arte e do design, diferentes perspectivas sobre a cultura amazônica. Idealizado por Lincoln Nazario, designer que atua em iniciativas culturais, a ideia do projeto surgiu ainda na universidade. 

Segundo ele, o baralho tradicional tem séculos de história e já ganhou inúmeras releituras ao redor do mundo, mas, até então, não existia uma versão que representasse a Amazônia. “O projeto nasceu a partir da minha pesquisa de TCC e de perceber, através dela, o potencial do baralho como objeto de comunicação da cultura popular. Eu acredito no design como uma ferramenta crucial para a valorização da arte e da cultura. Por isso, quis reunir 13 artistas do Pará para construir coletivamente um registro da cultura amazônica”, explica o idealizador do projeto.

image Lincoln Nazario, designer e idealizador do projeto (Foto: Divulgação)

O lançamento do NAIPEADO – Baralho Amazônico, no Curro Velho, contará com uma mostra das artes que compõem o baralho e uma roda de conversa com a equipe e os artistas participantes, que irão compartilhar um pouco dos processos criativos, das referências e das histórias por trás das cartas. Também está prevista uma oficina artística, com informações a serem divulgadas em breve.

No NAIPEADO, cada carta também é uma obra que, por meio da ilustração, do artesanato e da fotografia, reinterpreta o baralho a partir das referências que atravessam o cotidiano e a cultura popular. Além de sua dimensão artística, as cartas assumem um caráter educativo, promovendo o reconhecimento do patrimônio cultural amazônico de forma lúdica e interativa.

Curadoria

Para construir esse conjunto de referências, o projeto contou com um processo curatorial voltado às diferentes formas de expressão sonora e cultural da Amazônia. Segundo o artista visual e curador do projeto, Gabriel Jhonatha, a curadoria envolveu pesquisas sobre diferentes ritmos e expressões culturais presentes na região. “Não tem como a gente falar da cultura amazônica sem falarmos sobre ritmos, então nós queríamos um jogo de cartas que refletisse o caquiado por meio das diferentes formas de expressão sonora do Pará”, diz. 

“A gente buscou contemplar o brega, o melody, os festivais culturais que acontecem em diferentes municípios, porque entendemos que, por mais que cada uma dessas manifestações tenha influência sobre as outras, cada uma também possui a sua singularidade. Então, era importante que essas expressões estivessem representadas em cada naipe do baralho”, acrescenta Gabriel Jhonata.

Ele também destaca que o projeto priorizou selecionar artistas e coletivos independentes que já dialogam com a temática do NAIPEADO em seus trabalhos. “A gente buscou  encontrar  artistas que tinham um olhar mais sensível para o tema que propomos, como uma forma de valorizar essa produção que já existe e de reforçar a visibilidade desses artistas”, reforça.

Expressão da cultura paraense

Uma das artistas selecionadas pelo projeto foi a designer e artista digital, Milene Tais, que é criadora do projeto Endoida, que ressalta a cultura nortista por meio da ilustração. No NAIPEADO, Milene ilustra cenas inspiradas nos fins de tarde de domingo, quando o brega invade as casas e cria uma paisagem sonora afetiva.

“Participar do projeto é um marco para mim. E um sinal de que meu trabalho está indo pelo caminho certo. Fico honrada de estar entre artistas de tanta relevância no meio artístico e em uma iniciativa tão bem pensada. O NAIPEADO é um dos projetos mais lindos que já vi, fala da gente e pra gente. O resultado foi um pouquinho do que quero que as pessoas lembrem e sintam orgulho”, destaca a artista.

Além de Milene, compõem o projeto os artistas e coletivos Afrontoso, Altar Sonoro (Guilherme Takshy e Naré), Brian Costa, Coletivo Kitnet, Felipe Moia, Jadriel Alves, Luenny Magno, Maiara Castro, Matheus Aguiar, Rodrigo Leão e Vic Monteiro. O idealizador do NAIPEADO, Lincoln Nazario, também participou da produção artística das cartas. A marca paraense Rio Piriá foi responsável pela personalização da embalagem do baralho.

SERVIÇO

Lançamento do NAIPEADO – Baralho Amazônico

Data: 31 de agosto de 2026 (segunda-feira)

Horário: 18h

Local: Curro Velho (Rua Prof. Nelson Ribeiro, 287 - Telégrafo) - Entrada gratuita

Classificação: livre

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