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Produtor de novo projeto de Anitta destaca a força da moda paraense em peças orgânicas

Felipe Britto detalha como a alta resolução das câmeras digitais foi usada para capturar a complexidade visual do figurino orgânico de Anitta em “EQUILIBRIVM”. As peças criadas pelo paraense Labô Young ajudou a traduzir a nova fase espiritual e intimista da artista.

Bruna Dias Merabet
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Dividido em atos, Anitta tem liberado gradualmente o álbum e os audiovisuais de “EQUILIBRIVM”. Os lançamentos retratam uma fase mais intimista da cantora e os visuais também acompanham essa proposta ao reforçar símbolos de brasilidade, espiritualidade e memória afetiva.

No disco, a cantora passeia por gêneros musicais como axé, funk, samba e reggae, e explora ao longo das 15 faixas elementos das religiões afro-brasileiras, como o candomblé, além de valorizar uma estética mais natural.

Para este novo trabalho, Anitta traz de volta a parceria com o estilista paraense Labô Young, natural de Icoaraci. Ele assina o figurino da fase visual com a proposta da utilização de elementos simbólicos para estabelecer uma conexão com temas espirituais e naturais. Para a composição da imagem, o artista desenvolveu um conjunto composto por costeiro, adorno de cabeça e body, todos confeccionados com técnicas de trançado em folhagens.

“A escolha do Labô Young vem exatamente dessa busca: queríamos peças que carregassem a verdade do Pará, do Norte, sem cair em estereótipos nem em referência decorativa. O olhar paraense traz uma relação com material, fibra, matéria-prima, que é diferente de qualquer outra coisa no país. As peças dele usam técnicas e materiais que vêm direto desse repertório, e isso aparece em tela de uma forma que nenhum figurino feito de fora conseguiria entregar. A leitura ‘ancestral e tecnológico’ funciona porque o material orgânico, quando é filmado com câmera digital de alta resolução, ganha uma camada de detalhe que pano sintético nunca alcança. A fibra grossa, a trama irregular e a cor que não é industrial aparecem com muita riqueza. Então o ‘tecnológico’ do figurino não vem de aplicar referência futurista por cima do ancestral, mas de filmar o ancestral com a tecnologia certa. A câmera revela uma complexidade visual da peça que o olho nu nem sempre capta”, explica o produtor executivo Felipe Britto, sócio-fundador da Ginga Pictures.

Responsável pela produção e direção de todos os visuais de “EQUILIBRIVM”, a empresa e Anitta mantêm intimidade criativa para estabelecer todo o desenvolvimento do projeto, principalmente quando ocorreu essa união entre ancestralidade e linguagem pop transmitida pelas telas.

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Nesse ponto, foi necessária uma sensibilidade para que os materiais artesanais, como rendas, crochês e fibras, utilizados nos clipes não fossem apenas peças para "vestir" a Anitta, mas para que fizessem o papel de conexão entre ela e os cenários naturais.

“Tivemos uma regra prática: o figurino tem que dialogar com o cenário, não competir com ele. As rendas, os crochês e as fibras foram escolhidos para conversar diretamente com a vegetação, com a luz e com a textura da terra das locações. Quando o material da roupa tem origem orgânica, se integra ao ambiente em vez de se destacar dele. Isso muda completamente a leitura da imagem, e o limite entre corpo e natureza fica menos marcado. Tem também uma camada de tempo que esses materiais carregam. Renda e crochê são feitos à mão, levam horas. Fibra é colhida, tratada, trançada. Esse tempo de feitura aparece na peça e dialoga com a mensagem do disco, que fala em desacelerar e em valorizar o gesto. Não é uma decisão só estética; é uma escolha conceitual que reforça o que o álbum propõe”, pontua o sócio-fundador.

Nessa linha criativa, o figurino de Labô Young foi fundamental no processo. Com peças realizadas com materiais que remetem ao orgânico, foi um desafio técnico para a produtora filmar essas texturas em movimento, garantindo que o visual transmitisse a sensação de “EQUILIBRIVM” proposta pelo título.

“O desafio técnico de filmar material orgânico em movimento é real, porque essas peças têm comportamento menos previsível que tecido industrial. Fibra natural reage de um jeito ao vento, renda reage de outro, crochê tem peso e queda específicos. Isso exige um trabalho conjunto entre direção, fotografia, coreografia e figurino, pra antecipar como cada peça vai se comportar em cada plano. Na prática, isso significou mais atenção ao vento e à luz na hora da captação e mais comunicação entre os departamentos no set. Em termos de equipamento, exigiu também a escolha certa de lentes e sensor, pra valorizar a textura sem distorcer e capturar a riqueza de cor do material natural sem achatá-la. É um nível de cuidado técnico que talvez não seja visível pro espectador, mas que define a diferença entre um material orgânico bem filmado e um material orgânico que vira só ‘roupa diferente’ em tela”, explica Felipe Britto.

Outro ponto que merece destaque nesse projeto são as parcerias com Luedji Luna, Liniker e Melly. O projeto audiovisual das músicas equilibrou a performance pop da Anitta com essa estética mais contemplativa e espiritualizada.

“O equilíbrio entre performance pop e estética contemplativa foi resolvido tecnicamente, no ritmo de plano e na decupagem. Em momentos de transe, a câmera fica mais parada, os enquadramentos abrem, a luz fica mais densa e o corte é mais lento. Em momentos de potência pop, a edição ganha velocidade, a coreografia toma conta, os planos são mais fechados. Mas a paleta, o figurino e a textura do material atravessam essas duas zonas sem mudar, e é isso que mantém a unidade do projeto. A performance pop da Anitta não foi suavizada pra caber no contemplativo, e o contemplativo não foi acelerado pra caber no pop. As duas linguagens convivem em camadas, e cada artista convidada traz sua própria temperatura. Luedji, Liniker e Melly entram com a presença que cada uma carrega, e a Anitta dialoga com cada uma sem perder o que é dela. O resultado é um filme que respira em ritmos diferentes ao longo dos atos, mas que se sustenta como um todo”, finaliza o produtor executivo.

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