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Estela Ceregatti e a paraense Márcia Kambeba lançam videoclipe em manifesto à resistência das mulher

O lançamento ocorre no dia 27 de março no YouTube e reúne uma equipe majoritariamente feminina para reafirmar a voz das mulheres indígenas

O Liberal
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Com mais de duas décadas de contribuição à música brasileira, a multiartista cuiabana Estela Ceregatti anunciou o lançamento de um de seus projetos mais esperados: o videoclipe da faixa Amazônidas. A obra é fruto de uma colaboração com a escritora e ativista indígena paraense Márcia Kambeba, unindo vozes do Mato Grosso e do Pará em um manifesto artístico de grande impacto.

A produção tem estreia marcada para o dia 27 de março, às 20h, no canal oficial de Estela Ceregatti no YouTube. O videoclipe se apresenta como um mergulho profundo e necessário no universo de resistência das mulheres da Amazônia, exaltando a força, a ancestralidade e o papel fundamental das figuras femininas na preservação e na história da maior floresta tropical do mundo.

O encontro entre Ceregatti e Kambeba simboliza a união de trajetórias dedicadas à valorização da cultura regional e das pautas identitárias. Através de uma estética sensível e potente, AMAZÔNIDAS promete ser não apenas um lançamento musical, mas um documento visual sobre a resiliência de quem vive e protege o território amazônico.

Com o patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Cuiabá (via Edital de Seleção Pública Fornada - Lei Paulo Gustavo 002/2023/SMCEL/FMC) o projeto, gravado em Cuiabá e em Chapada dos Guimarães, reúne uma equipe majoritariamente feminina, rompendo com os tradicionais papéis de gênero no setor audiovisual. 

Com Márcia Kambeba, Estela Ceregatti assina o roteiro, e faz seu primeiro trabalho de direção ao lado da atriz, cantora e historiadora Nathally Sena. Sob produção de Aline Velozo, o videoclipe conta com a participação especial de Isabel Taukane (ativista do povo Kurâ-Bakairi), membros do Coral Desvendar e artistas convidadas como Yndira Villarroel, Jhoana Ceregatti, Maiara Monteiro, Mari Gemma De La Cruz, Shirley Black, Alice Pereira, Míria Ramos, Jéssica de Sousa e Miriã Ramos, que se aliam à Estela e Márcia para celebrar a força das mulheres amazônidas. 

"Realizar um videoclipe com protagonismo feminino, unindo referências que têm a Amazônia como bioma comum, é a forma que encontramos para inspirar outras mulheres a investigar e reverenciar sua ancestralidade.", afirma Estela Ceregatti.

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Na obra Amazônidas, o combate ao preconceito e à aculturação se estabelece como o principal eixo político e poético, reafirmando com força a memória, a presença e a voz das mulheres indígenas e amazônicas. O projeto surge como uma resposta necessária a séculos de processos históricos marcados pelo apagamento, pela estigmatização e pela tentativa constante de deslegitimar os modos de vida tradicionais dessas populações.

O videoclipe se posiciona de forma contundente contra as violências simbólicas e materiais que buscam reduzir a identidade dessas mulheres a figuras estereotipadas ou meramente folclorizadas. Em vez do silenciamento, a obra reivindica a existência plena dessas mulheres como legítimas produtoras de saber, ciência, território e ancestralidade, celebrando sua resistência cotidiana na proteção da floresta e de suas culturas.

Ao integrar música, literatura e imagem em uma narrativa tecida com profundo afeto e compromisso ético, Amazônidas desafia as lógicas de assimilação cultural que ignoram a pluralidade dos povos originários. O trabalho de Estela Ceregatti e da paraense Márcia Kambeba reafirma a urgência de preservar identidades e cosmologias que permanecem vivas e vibrantes, apesar de todas as tentativas de invisibilização.

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