Mostra de Pastorinhas abre projeto cultural com apresentações gratuitas no bairro do Telégrafo

Apresentações contam com tradução em Libras e encerram simbolicamente a quadra natalina na capital

Amanda Martins
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A 1ª Mostra de Pastorinhas será realizada nos dias 5 e 6 de janeiro, no Pontão de Cultura Mestra Iracema Oliveira, localizado no bairro do Telégrafo, em Belém. O evento marca a abertura do projeto “Mostras Culturais”, iniciativa voltada à valorização, difusão e salvaguarda de manifestações tradicionais do folclore paraense. As apresentações começam sempre às 19h, com entrada gratuita e tradução em Libras.

Segundo os organizadores, a  programação reúne grupos de pastorinhas da Grande Belém e propõe ao público uma imersão nos chamados dramas pastoris, encenações que recontam, a partir da cultura popular, a história do nascimento de Jesus. 

Nesta segunda-feira (5), se apresentam a ‘Pastorinha Estrela do Universo’ e a ‘Pastorinha Filhas do Oriente’. Já na terça-feira (6), sobem ao palco a ‘Pastorinha Filhas de Maria’ e a ‘Pastorinha Filha de Sion’, que também é a anfitriã do evento.

Idealizadora e organizadora da mostra, a mestra e folclorista Iracema Oliveira conta que o público poderá acompanhar espetáculos cênicos do auto de Natal, apresentados por quatro pontos de cultura. “Serão noites de muita emoção, encerrando simbolicamente o espírito natalino de 2025. No dia 6, Dia de Reis, faremos também a tradicional queima das palhinhas, marcando o fim da quadra natalina em Belém”, explicou. 

image Mestra Iracema Oliveira (Daniel Gonçalves)

As pastorinhas têm origem em Portugal e, inicialmente, eram encenadas dentro de igrejas e colégios religiosos. No Brasil, a manifestação ganhou novos contornos a partir do século XVII, no contexto dos processos de catequese, incorporando elementos das culturas populares locais. Em Belém, a tradição foi trazida pelos portugueses e permanece viva por meio de grupos que mantêm viva a narrativa popular sobre o nascimento de Jesus.

Durante os espetáculos, o público acompanha diferentes personagens que compõem o enredo das pastorinhas, como Maria, São José, o anjo Gabriel, Lúcifer, além de pastores, pastoras, ciganas, floristas e outros personagens que variam conforme cada grupo. Apesar de todas manterem como eixo central o nascimento do Menino Jesus, algumas encenações incorporam temas atuais, como desigualdade social, sempre dialogando com o contexto contemporâneo.

Reconhecida como uma das principais referências dessa manifestação na capital, Iracema Oliveira mantém uma relação histórica com as pastorinhas e também com os Pássaros Juninos. Ela conta que teve o primeiro contato com o folguedo aos sete anos de idade, quando interpretou o anjo Gabriel no Colégio São Vicente de Paula.

“Trata-se de salvaguardar um saber popular tradicional que corre o risco de se perder, mas que ainda é preservado por alguns pontos de cultura”, afirmou.

Segundo a mestra, no Brasil existem dois tipos principais de pastorinhas: a Campestre, mais comum no Sul, cantada e contada em versos, e o Drama Pastoril, predominante no Norte e Nordeste, que é teatralizado - formato adotado pelos grupos que se apresentam na mostra. 

No caso da ‘Pastorinha Filha de Sion’, por exemplo, o espetáculo inclui quadros como o da ‘pastora perdida’, que aborda, de forma simbólica, valores como fé e proteção, especialmente voltados ao público infantil. 

Atualmente, de acordo com Iracema Oliveira, existem apenas oito grupos de pastorinhas em atividade no Pará.  Para Iracema, a manutenção da cultura popular enfrenta desafios, especialmente com a perda de mestres e guardiões do saber tradicional. 

“Enquanto eu tiver força e saúde, não medirei esforços para colocar nas ruas todas as manifestações culturais que tive a honra de conhecer. Mas é fundamental o apoio do poder público e, quem sabe, também das grandes empresas”, afirmou.

A 1ª Mostra de Pastorinhas tem direção artística e coreográfica de Nazaré Azevedo e direção musical de Paulo Oliveira. O projeto, realizado pelo Pontão de Cultura Iracema Oliveira e Ponto de Cultura Herança Velho Chico,  tem apoio do Edital nº 003/2025, da Lei Aldir Blanc II, da Secult-PA. 

SERVIÇO:

1ª Mostra de Pastorinhas

  • Dias: 5 e 6 de janeiro;
  • Local: Sede do Pontão de Cultura - Rua Curuçá, 1109, Telégrafo.
  • Horário: a partir das 19h;
  • Entrada gratuita.
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