Mestre Catarino passa no vestibular da UEPA aos 70 anos após conclusão do ensino médio
Indígena de Abaetetuba concluiu a etapa final da educação básica em 2025 e em seguida já foi aprovado para o curso superios
Aos 70 anos, Mestre Catarino, fundador do Grupo de Carimbó Oirandé Ara, vive a emoção de ser aprovado no curso de Licenciatura em Música Música pela Universidade do Estado do Pará (UEPA). De Abaetetuba, nordeste paraense, o mais novo universitário, que é originário indígena da descendência Baeté, escutou seu nome como aprovado nesta sexta-feira (30).
Ao falar sobre a idade que foi aprovado, o Mestre releva o sentimento de que ainda tem muito o que viver: “só 70 aninhos.” A vitalidade e dedicação levaram o Mestre a conclui o ensino médio pela Educação de Jovens e Adultos (EJA) e logo em seguida ser aprovado no vestibular. Agora o sentimento é de emoção e gratidão para quem caminhou com ele para o sucesso, incluindo as suas filhas que são professoras.
“Estou muito feliz por ter passado no vestibular. Quando eu estudei foi só a cartilha do ABC e a tabuada há muitos anos e hoje, com a ajuda da minha família e das minhas filhas, passei no ensino médio e agora do vestibular. Desejo que todo mundo faça o que eu fiz, na verdade até melhor, porque nada é impossível”, disse Mestre Catarino, instrumentista autodidata.
“A idade não conta. Nós estamos preparados para isso. Eu sempre falo: se você quer fazer faça, não fique triste se não der certo, faça de novo. Não desista nunca”, acrescenta.
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Mestre Catarino, tem um trabalho único no universo do carimbó, desde 1968 ele trilha a sua caminhada musical. Ele canta suas músicas na linguagem dos povos originários. Ele usa a língua Tupi-Guarani no seu trabalho, incluindo gravações e apresentações.
“Sou instrumentista autodidata. Toco banjo, cavaco, violão, flauta e tambor, mas também fabrico instrumentos. Faço maraca, banjo, violão, cavaco, dentre outros. E sempre me falaram que por eu ser instrumentista autodidata, eu ia passar. No dia da prova eu fiz uma música, o professor me perguntou se eu o que eu fazia, disse que eu era músico de carimbó e ele me pediu para tocar. Toquei a ‘Dança do Jacaré’ e tirei 10”, explica o Mestre.
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