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Inventário sobre cultura material do sagrado na Amazônia abre inscrições

Protagonistas de manifestações espirituais na região podem se inscrever, até 25 deste mês de abril, para participar dessa pesquisa inédita do coletivo Caruanas dos Produtos Esotéricos Amazônicos

Eduardo Rocha
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A cultura amazônica é multifacetada, e uma de suas mais expressões ricas e ancestrais é a espiritualidade, capaz de dialogar de forma perene com diversos tipos de arte e, então, revigorar a identidade dos povos dessa região. Agora, essa vertente cultural da maior floresta tropical do mundo e da maior bacia hidrografica da Terra é alvo de uma pesquisa inédita por iniciativa do coletivo Caruanas dos Produtos Esotéricos Amazônicos: o Inventário Antropológico de Cultura Material do Sagrado na Amazônia. Essa  iniciativa irá identificar, registrar e contextualizar artigos religiosos e práticas associadas às tradições espirituais amazônicas. Esse projeto começou a ser desenvolvido em 30 de março de 2026 e prosseguirá até 17 março de 2027 nas cidades de Belém, Ananindeua, Cametá, Santarém, Abaetetuba e Soure (Marajó) no Estado do Pará. Desse modo, o projeto abriu inscrições públicas, até este sábado (25), para participação de casas de axé e terreiros, pajés e lideranças espirituais, mestres de cultura, artesãos, produtores de artigos religiosos amazônicos e pesquisadores interessados em contribuir para o registro da cultura material do sagrado na região.

Esse levantamento reúne pesquisadores, mestres de cultura, artesãos e comunidades religiosas para documentar saberes e objetos ligados às práticas espirituais da região.  Os participantes selecionados poderão integrar atividades de pesquisa antropológica patrimonial, participar de formações e oficinas e colaborar com a produção do inventário, que resultará em uma publicação sobre o tema. O edital completo e as inscrições estão disponíveis no site www.antropologico.com.br. 

O projeto é uma realização do coletivo Caruanas dos Produtos Esotéricos Amazônicos, sob execução da WM Projetos Culturais LTDA, e do Governo do Brasil, com patrocínio do Banco do Brasil por meio do Programa Rouanet Norte, do Ministério da Cultura (MinC).

Identidade

Será inventariada antropologicamente a cultura material e imaterial de artigos religiosos utilizados em práticas tradicionais como Pajelança Cabocla e Indígena, Babassuê (Terecô do Pará), Linha do Fundo (pajeísmo caruana), Linha de Pena e Maracá (no Tambor de Mina), Igrejas e Doutrinas de Beberagens, entre outras expressões de religiosidade amazônica, como repassa a coordenação do projeto.

O foco do projeto também é fortalecer a cadeia produtiva de artigos religiosos com identidade amazônica. Dessa forma, incentivar práticas sustentáveis e valorizando mestres de cultura, artesãos e comunidades envolvidas.

O sociólogo Wilson Teixeira, gestor do projeto, destaca a contribuição dessa iniciativa para valorizar a cultura regional. "O inventário visa reunir informações de referências culturais dos chamados artigos religiosos produzidos na Amazônia a partir das tradições espirituais e religiosas nativas, no sentido de fortalecer essa cadeia produtiva e pavimentar o caminho da patrimonialização daqueles objetos de inestimável valor cultural".

Esse projeto contribui para reconhecer a autenticidade e a originalidade dos objetos sagrados amazônicos, diferenciando-os das tradições de outras regiões e continentes. A médio e longo prazo, o projeto pretende gerar um estudo inédito com insumos que sirvam de base para processos de patrimonialização, registros de procedência geográfica e certificações coletivas, garantindo visibilidade e legitimidade às comunidades envolvidas. 

Valoriza as práticas tradicionais que utilizam insumos naturais e ecológicos da floresta em pé na produção de velas, defumações, banhos, estatuárias e outros objetos litúrgicos, sem o uso de derivados petroquímicos ou materiais sintéticos e poluentes. E essa iniciativa dialoga com estudos antropológicos sobre pajelança, encantaria e religiosidades amazônicas, contribuindo para o reconhecimento dessas práticas como parte do patrimônio cultural da região. 

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Cultura
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