Fazedores de cultura no Pará avaliam o cenário artístico e fazem projeções para 2023

Caixa de Teatro, Casa de Artes Tiago de Pinho, A Liga do Teatro, Centro Cultural Atores em Cena, Coletivo de Teatro Xoxós, Cuíra, Teatro de Apartamento, Teatro Palha, entre outros, voltarão com novos projetos para 2023

Emanuele Corrêa
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Os profissionais do Teatro paraense viveram o ano de 2022 com mais otimismo, devido a melhora do cenário epidemiológico, principalmente, no segundo semestre. Com a proximidade do novo ano, a Redação Integrada de O Liberal entrevistou dois fazedores de cultura do Estado para debater as perspectivas da área para 2023 e os novos desafios.

O setor artístico foi um dos mais afetados pela pandemia de Covid-19, pois foi o primeiro setor a ter que paralisar as atividades e um dos últimos a autorizar o seu retorno. Desde junho, com o estabelecimento do passaporte vacinal, o público pode voltar às casas de artes com a capacidade ampliada, desde que comprovasse a vacinação.

image O diretor teatral Tiago de Pinho, gestor da Casa de Artes Tiago de Pinho, fala sobre as perspectivas do cenário artístico para 2023. (Reprodução / Divulgação)

Para Tiago de Pinho, ator e diretor artístico da Casa de Artes Tiago de Pinho o cenário artístico teve que se reinventar nesses anos pandêmicos e provou a necessidade de se investir em cultura local. "2022 foi um ano de renascimento pós pandemia. Grupos alternativos, de teatro e teatro musical lotam teatros e a produção foi constante. Muito além dos muros acadêmicos, o teatro vive e ressurge com dezenas de artistas. Em 2023, a intenção é produzir ainda mais. Temos demanda de público, artistas em ebulição, o caminho a seguir é ainda mais sucesso", argumentou.

O diretor acredita que precisa, ainda, se investir em infraestrutura, pois o material humano na cidade é grande, pois há artistas paraenses que estão fazendo o seu nome no Pará e em outros estados. "O que precisa melhorar é o apoio principalmente de logística para quem faz teatro. Órgãos de cultura precisam se modernizar e facilitar o acesso dos produtores a pautas dos teatros públicos. A construção do teatro municipal precisa acontecer. Estamos com teatros lotados de eventos artísticos e precisamos dar vazão a tudo isso. Belém precisa de um teatro municipal, é uma dívida histórica com a arte na cidade", disse.

"A arte como um todo, precisa de mais meios para circular entre o público. Belém tem uma população muito ligada à cultura. Historicamente estamos ligados a tradições de dança, música, cultura e gastronomia. Falta apenas mais interesse de gestores públicos para que Belém volte a ser a metrópole das artes na Amazônia", concluiu.

image A Vila do Chaves, da Caixa de Teatro, é um dos espetáculos esperados para 2023. (Reprodução / Divulgação)

A arte para inspirar 2023

Ligia Coêlho é atriz, produtora e diretora artística. Fundou o grupo Caixa de Teatro e também concorda que nos últimos anos o teatro paraense ganhou gás. "O teatro paraense tem crescido bastante de uns anos para cá, devido ao aumento de cias teatrais, mas ainda existem muitas barreiras a serem quebradas para que o crescimento possa ser maior para que o teatro paraense cresça e possa ser mais visualizado pelo público", declarou.

Para 2023 ela projeta as produções que já estão em fase de produção e deseja que o público assista a mais espetáculos, apoiem a arte local. "Ano que vem nós estaremos com mais um clássico que posso até adiantar a surpresa para vocês, será uma adaptação do filme para o teatro com o espetáculo 'Mudança de hábito', que será estreado no mês de junho, mas não será somente esse espetáculo do grupo Caixa de Teatro. Outros que terão sua volta como 'Pará pai D'égua', 'A vila do chaves', entre outros novos, incluindo um musical infantil", compartilhou.

image Ligia Coêlho explica que os grupos de teatro coletivos estão cada vez mais presentes na capital paraense. (Reprodução / Divulgação)

Não só a Caixa de Teatro, mas outros grupos como a Casa de Artes Tiago de Pinho, A Liga do Teatro, Centro Cultural Atores em Cena (CCAC), Coletivo de Teatro Xoxós, Cuíra, Teatro de Apartamento, Teatro Palha, e entre tantos outros, voltarão com novos projetos para 2023.

Lígia diz que um dos principais desafios que os grupos de teatro independentes têm é a respeito da divulgação e, por isso, contam com a solidariedade de amigos para alcançarem o público e também da imprensa com foco na cultura. "É muito difícil conseguir espaço para divulgação de artes aqui em Belém, não temos apoios ou incentivos suficientes para que o público possa ficar sabendo das peças. Creio que precisa ser mais divulgado ou que tivesse uma plataforma voltada para arte onde os artistas cênicos pudessem ter mais acesso para divulgar seus conteúdos, principalmente se fosse no meio televisivo que ajudaria bastante a população a ter essa informação", ponderou.

A diretora deixa uma mensagem ao público admirador da arte e cultura, agradece pelo ano e espera que 2023 seja um ano ainda mais positivo para os fazedores de cultura. "Creio que a arte ajuda as pessoas a saírem de sua rotina e ligam elas a um universo imaginário onde existe a possibilidade de se ter esperança, as crianças, os adultos e jovens juntamente com suas famílias podem vivenciar o quanto a arte proporciona momentos de alegria e consegue unir pessoas. Temos a oportunidade e o prazer de estar proporcionando arte para essa nova geração admiradores e novos atores que futuramente serão novos incentivadores para que outros tenham a vivência da arte", finalizou.

 

Conheça cinco espaços de artes em Belém

 

1. Teatro de Apartamento

Categorias: Sala Cênica, Caixa Preta | Capacidade: 50 pessoas. O Teatro de Apartamento é um espaço cênico pertencente ao grupo teatral de mesmo nome, fundado pelo ator Saulo Sisnando, que possui como linha de pesquisa a interface cinema-teatro. As encenações giram em torno de críticas ao falso moralismo, escancarando as hipocrisias da sociedade. A companhia dispõe do seu espaço para ensaios e apresentações de grupos artísticos. Local: Trav. Soares Carneiro, 826 – Umarizal, Belém - PA.

2. Espaço das Artes de Belém

Categoria: Espaço Alternativo, Sala Cênica | Capacidade: 50 pessoas. Foi fundado em fevereiro de 2018 pelos artistas Breno Monteiro e Lauro Souza no intuito de oferecer cursos livres nas áreas de teatro, dança e outras linguagens artísticas contribuindo para o fortalecimento da cena cultural paraense. O local pode ser alugado para eventos, reuniões e apresentações. No espaço também são realizadas produções autorais e promovidos eventos culturais. Rua Tiradentes, 35 – Reduto, Belém - PA.

3. Casa de Artes Tiago de Pinho

Categoria: Casarão | Capacidade: 100 pessoas. Fundada em agosto de 2016 pelo seu idealizador, o ator Tiago de Pinho, a partir da conclusão exitosa de oficinas livres no ano anterior, a casa de artes é inspirada nas perfoming arts schools dos Estados Unidos e da Inglaterra. O local conta com salas para ensaios, reuniões, oficinas e um espaço para apresentações chamado de “caixa preta”. Tais espaços estão abertos para agendamento e locação de grupos artísticos. Trav. Benjamin Constant, 1321 – Nazaré, Belém - PA.

4. Casarão do Boneco

Categoria: Casarão | Capacidade: 100 pessoas. O Casarão do Boneco, desde 2004, é a sede do grupo In Bust – Teatro com Bonecos, abrigando também outros sete grupos de artes cênicas, circo, performance, contação de história e teatro de formas animadas. O local compõe-se basicamente de dois espaços principais: o casarão propriamente dito e um teatro a céu aberto. No casarão ocorrem eventos culturais realizados de maneira colaborativa com os grupos residentes. Av. 16 de Novembro, 815 – Batista Campos, Belém - PA.

5. Centro Cultural SESC Ver-o-Peso

Categoria: Teatro/Auditório | Capacidade: 137 pessoas. Localizado nas proximidades do centro comercial de Belém e do Mercado Ver-o-Peso, em frente a Estação das Docas, o Sesc Ver-o-Peso oferece atividades artísticas, exposições e cursos na área das artes. No espaço cultural ocorrem shows musicais, apresentações de teatro, contação de história, circo e outros. O Teatro do Sesc Ver-o-Peso localiza-se no segundo pavimento do edifício. Sua última reforma foi em setembro de 2021. Av. Boulevard Castilhos França, 522/523 – Campina. Belém - PA.

Fonte: Idealizado por Palco Belém.

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