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Estudante de cinema de Cuba produz curta-metragem em Belém

A paraense Isadora Lis estuda cinema em uma das faculdades mais respeitadas do mundo

Vito Gemaque

O cinema é uma arte que sempre esteve presente na vida da jovem Isadora Lis, de 27 anos. A paraense chegou a concluir o curso de Direito, porém foi no cinema que encontrou sua vocação. A estudante que estuda na Escuela Internacional de Cine y Televisión de Cuba, uma das mais importantes do mundo, começou a produzir o curta-metragem “O bebê” em Belém, sua cidade natal, para ser apresentado futuramente em festivais pela América Latina. Um outro trabalho independente da jovem, o clipe “Volta”, de O Vagner, foi selecionado para o Festival Corpos Visíveis no Rio de Janeiro.

Isadora Lis trabalha na quarta produção independente. “O Bebê” que surgiu como um trabalho universitário com a produção de um curta de três minutos em março deste ano terá uma nova produção que será expandida para até 12 minutos feito totalmente no Pará. “Já tem uma versão nova do roteiro. A primeira versão foi muito elogiada e conversaram sobre possibilidade de permitir mais tempo para atuação”, conta.

O curta aborda a infantilização de relacionamentos amorosos quando as mulheres são colocadas em papéis de mães que precisam cuidar dos maridos ou parceiros. Essa situação acaba sobrecarregando as mulheres.

A estudante Isadora Lis gravará o curta-metragem "O bebê" em Belém. (Cristino Martins / O Liberal)

“‘O bebê’ é uma história que vem desenvolvendo há anos com vivências, vendo histórias de pais de amigas. É a história de um homem infantilizado que a companheira tem que ser mais mãe do que esposa. É uma forma de toxicidade na relação, porque tira de uma das partes o seu tempo, a sua individualidade, existe aí uma ultra dependência”, explica.

Para a nova versão algumas cenas foram acrescentadas, adicionada uma nova personagem, que será a amiga da protagonista. Na primeira versão existiam dois personagens, sendo que o marido da protagonista era interpretado por um menino e um adulto. Isadora adianta que pretende trabalhar mais com o silêncio no filme e dar mais oportunidade para os atores mergulharem nos personagens. “Muita coisa acontecia em um curto espaço de tempo, quero tudo com mais calma para todos absorverem melhor o que está se passando em cena”, diz.

A exibição da primeira versão na Sala Glauber Rocha, em Cuba, o curta foi bem elogiado por professores universitários e por estudantes, sendo reconhecido como um filme político e feminista. Muitas mulheres se identificaram com a história. Já os homens ficaram surpresos com o tipo de comportamento que chega a ser comum nas relações.

A própria idealizadora já passou por isso em um relacionamento antigo. Isadora analisa que esse tipo de comportamento infantil por parte do parceiro ou parceira pode não ter relação com o caráter ou a índole da pessoa. “Particularmente, eu já tive relacionamento com uma boa pessoa, mas me colocava na posição de mãe dele. Você ama a pessoa e quer o bem dela, mas há limites para tudo, você tem a sua individualidade, o seu tempo, e isso te consome muito. É quase um ciclo vicioso. Somos educadas para suportar alguns comportamentos masculinos, e isso tem que mudar”, aponta.

Agora ela está fechando a equipe técnica para a nova versão de “O bebê”. A produção começará a ser gravada na segunda quinzena de julho para entrar em pós-produção antes de Isadora retornar para o curso em Havana.

Ao mesmo tempo, a produtora amiga da Isadora irá inscrever outro curta da paraense chamado “La Cena” em algum festival internacional. A produção surgiu como uma ideia em uma aula de direção durante a pandemia. O curta trabalha muito com o direcionamento das câmeras e a posição de cena.

Para ela, existem relações saudáveis em que nenhum do parceiro é dependente do outro. Para mudar essa realidade é necessário mudar os papéis dentro das famílias para os homens também serem mais proativos e as mulheres mais independentes. “A cada geração isso vai diminuindo, mas é algo que precisa ser reforçado na criação dos filhos, cada vez mais na divisão de tarefas domésticas. Muitas meninas ainda são educadas para serem cuidadoras de seus maridos e filhos e tudo mais”, reflete. 

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