Espetáculo leva texto de Chico Buarque e Paulo Pontes ao palco

"Gota D'água - A voz que me resta" é resultado do curso técnico de teatro da Escola de Teatro e Dança Universidade Federal do Pará

Lucas Costa
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Um texto escrito por Chico Buarque e Paulo Pontes durante a efervescência da Ditadura Militar no Brasil, ganha vida nos palcos com alunos da Escola e Teatro e Dança da UFPA. A peça “Gota D’água - A voz que me resta” será apresentada de 19 a 23 de dezembro, no Teatro Universitário Cláudio Barradas. Serão duas apresentações diárias, às 18h30 e às 20h30.

A montagem tem direção dos professores Marluce Oliveira e Paulo Santana, e é resultado final das atividades letivas dos alunos do Curso Técnico de Teatro denominada de Prática de Montagem. A história se passa no Rio de Janeiro no período do AI 5, considerado o mais duro dos atos institucionais implantado pela ditadura militar, e retrata muito além da malandragem carioca, as questões de classe, pobreza, poder e outras temáticas presentes e retratadas em cada personagem.

Com um forte discurso político, a peça chegou a ter cenas censuradas pelo regime militar na década de 70. Sobre a escolha do texto, Marluce conta que ela e Paulo já vinham pensando na adaptação há um tempo.

“Todo ano quando terminamos uma turma, eu e o Paulo começamos a pensar em um novo texto para o ano seguinte. Nós gostamos muito dos musicais, também por sermos professores de voz e canto, e esse texto já estava pensado há alguns anos para a gente montar. No início do ano nos perguntamos ‘será que chegou a vez do ‘Gota DÁgua’? Então começamos a trabalhar até perceber que estávamos vivendo um momento político parecido com quando a peça original foi lançada, e censurada. Foi quando a produção foi ganhando mais força”, relata Marluce.

A montagem traz personagens complexos como Joana, mulher forte que representa um povo sem casa, oportunidades, ou sequer voz; e também em Egeu, o “paizão” da Vila do Meio Dia, onde se passa a história. Egeu é dono de uma oficina de conserto de aparelhos e representa a luta de classes, por ser o responsável pelo engajamento e convencimento de outros moradores da vila contra os abusos do empresário Creonte Vasconcelos, bicheiro que traduz o poder e a ganância. Egeu é o representante dos operários em um país governado por militares e em um mundo no contexto de disputa entre socialismo e capitalismo, na Guerra Fria.

A adaptação “Gota D'água - A voz que me resta” conta com um elenco de mais de 20 atores estudantes de teatro que estão concluindo o curso. A montagem é produzida e assinada, também, por estudantes dos cursos técnicos de figurino cênico e de cenografia da ETDUFPA. Quanto à cenografia, a adaptação trará uma proposta dinâmica que foge do clássico teatro de palco italiano, onde há uma quarta parede com o público.

Com tantos atores no palco, três elencos diferentes se revezam na atuação. “Somos uma escola de teatro com muitos alunos, e ‘Gota D’água’ tem poucos personagens. Por conta disso optamos pelo chamado ‘coringa’, quando mais de um ator interpreta o mesmo personagem”, explica Marluce.

Serviço:

“Gota D’água - A voz que me resta”
Data: 19 a 23 de dezembro
Horário: sessões às 18h30 e às 20h30;
Local: Teatro Universitário Cláudio Barradas (Rua Jerônimo Pimentel, 546 - Umarizal)

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