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Escritor Rafael Serrão lança livro infantil inspirado em crianças da Vila da Barca 

Evento gratuito ocorre no Curro Velho, em Belém, e apresenta obra sobre educação antirracista que homenageia ativistas e personalidades da cultura negra

O Liberal
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O livro infantil “Quando Kianga aprendeu a voar”, escrito por Rafael Serrão, conta a história de Kianga, uma menina negra cujo nome de origem africana significa "magia da luz do sol". Na obra, a protagonista combate o racismo e resgata elementos ligados a sonhos e ancestralidade. A obra será lançada neste sábado (27), a partir das 15h, em uma programação cultural no teatro do Núcleo de Oficinas Curro Velho, no bairro do Telégrafo.

Com 36 páginas, “Quando Kianga aprendeu a voar” conta com ilustrações da artista visual Andressa Munhoz, formada pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Na trama, a protagonista Kianga nasceu em 20 de novembro, data em que se celebra o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. A narrativa acompanha o encontro da menina, moradora da comunidade Vila da Barca e filha de Moïse e Beatriz,com a deusa Ananse, uma divindade que tece redes para resgatar as memórias do mundo.

image Quando Kianga aprendeu a voar aborda educação antirracista e ancestralidade (Ilustrações da artista visual Andressa Munhoz)

O livro aborda a educação antirracista sob a perspectiva do combate ao preconceito e destaca a importância da Lei nº 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas. O projeto literário foi selecionado pelo edital de Fomento à Criação de Ações Culturais, no segmento Livro e Leitura, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).

“Esse livro nasce da primeira imagem que eu tenho da Vila da Barca. Qual é a primeira imagem? Em 2014, entrando na passagem Praiana, encontrando uma menina numa bicicleta pequena rosa, passando pelos obstáculos de concreto que tinha ali. A partir dessa imagem, eu entrei em outra rua e encontrei crianças brincando, jogando bola, e essa foi a primeira imagem que eu tive. Anos depois, eu passo a fazer parte da Barca Literária e começo a escutar um pouco mais profundamente esses apelos, essas inquietações, esses sonhos e desejos que as crianças têm de transformação, sem desconsiderar o espaço em que vivem”, relembra Rafael.

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O educador, pedagogo e fotógrafo Rafael Serrão, que também atua como voluntário na Barca Literária, lança sua terceira obra. Ele relata que a narrativa infantil foi inspirada nas crianças da Vila da Barca, comunidade com a qual estabeleceu contato em 2014, durante uma oficina de fotografia realizada pelo Curro Velho. O escritor aponta que, embora o território frequentemente sofra com estereótipos ligados à violência extrema, o público infantil ressignifica o espaço por meio das brincadeiras e do convívio cotidiano.

image Rafael Serrão lança “Quando Kianga aprendeu a voar” no Curro Velho (Rogério Folha)

“As crianças não querem sair da Vila da Barca. Elas querem qualidade de vida em todos os âmbitos que o ECA ampara: segurança, saúde, lazer, educação... Tudo isso essas crianças anseiam, e eu acho que o principal direito que reivindicam é o direito de brincar. E quando eu trago o sonho no livro, eu trago o sonho de todas elas compartilhado comigo. Em Quando Kianga aprendeu a voar, vamos falar sobre o que dá asas para superarmos as desigualdades e violências do território periférico de Belém, nas Amazônias", conclui o autor.

A obra traz referências e homenagens a personalidades da música e do ativismo social, como Milton Nascimento, Jota Pê, Liniker e Elza Soares, além da professora doutora emérita Zélia Amador de Deus, da Universidade Federal do Pará (UFPA). O livro também presta homenagens póstumas a Moïse Mugenyi Kabagambe, congolês assassinado no Rio de Janeiro em 2022 após cobrar diárias de trabalho atrasadas, e à historiadora negra e ativista Beatriz Silva, vítima de feminicídio em 1995

Agende-se

Data: sábado, 27
Hora: 15h às 18h
Local: Teatro do Núcleo Oficinas Curro Velho - Rua Professor Nelson Ribeiro, bairro do Telégrafo
Entrada Franca.

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