Eneida de Moraes têm livros relançados

'Terra Verde', obra de quase um século da consagrada autora paraense, e 'Cão da Madrugada', de 1956, estavam fora de circulação.

Enize Vidigal

Quarenta e nove anos após o falecimento de Eneida de Moraes, duas obras da autora paraense que estavam fora de circulação há muitas décadas são relançadas em única publicação com duas faces: “Terra Verde- versos amazônicos”, que teve apenas uma edição em 1929, e o livro de crônicas “Cão da Madrugada”, cuja edição confirmada data de 1956. Neste sábado, 19, acontece um debate de pesquisadores da obra de Eneida na live de lançamento em uma plataforma digital, às 17 horas.  

Falecida em 1971 aos 66 anos de idade, no Rio de Janeiro, a literatura de Eneida de Moraes resiste entre os ideais socialistas e feministas da atualidade. Militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), atuou como jornalista no Rio, foi entusiasta do carnaval e chegou a ser presa na ditadura.

A publicação do livro é resultado da pesquisa realizada ao longo de três anos com bolsistas doutorandos e mestrandos dos programas de pós-graduação em Letras das universidades Federal do Pará (UFPA), do Estado (UEPA) e da Amazônia (Unama), sob a coordenação dos professores Josebel Fares (UEPA) e Paulo Nunes (Unama). A publicação foi viabilizada, com a autorização dos herdeiros da autora, pela editora Pakatatu com recursos da emenda parlamentar do deputado federal Edmilson Rodrigues por meio do Fórum Landi/ Acervo Moronguetá, da UFPA.

“A Eneida é uma mulher à frente do seu tempo. Ela tem uma sensibilidade extraordinária para observar os sujeitos sociais e a própria sociedade e registrar isso. Ela inicia como poeta, depois abandona o verso e se celebriza como cronista. Os livros dela mais conhecidos são ‘Aruanda’ e ‘Banho de Cheiro’”, comenta Paulo Nunes.

“’Terra Verde’ foi o primeiro livro da Eneida, o único de poemas dela, que ela classificava de ‘poemas da juventude’. A gente considerou que ali está a origem da Eneida cronista. E o ‘Cão da Madrugada’ foi o primeiro livro de crônicas dela. Eneida era uma pessoa que lutava pela cultura do Pará, mesmo morando no Rio, e ela tem uma prosa poética plena de lirismo impregnado pela luta por um mundo melhor”, completa Josebel Fares.

“Eneida tem um vasto trabalho na imprensa e no carnaval. Ela é uma mulher desquitada do final dos Anos 40, que se transfere para o Rio, onde atua como jornalista e escritora, passa a circular nos meios culturais e intelectuais da então capital federal sem perder as paixões pelo PCdoB e Clube Remo, por exemplo, e torna-se ícone de algumas feministas”, destaca Nunes.

“O nosso trabalho sobre a literatura paraense e amazônica começou nos anos 80. A gente está criando espaço de circulação e de recuperação dessa literatura, valorizando obras que estão fora do catálogo”, completa Josebel.

A live de lançamento acontece neste sábado, 19, pela plataforma virtual MeetGoogle com acesso pelas redes sociais da editora. Haverá um debate com os professores Josebel e Paulo Nunes; professoras Luzia Miranda Álvares e Vânia Alvarez, ambas da UFPA, que assinam o prefácio do livro; e Edmilson Rodrigues; além das debatedoras e pesquisadoras Ana Selma Cunha, Belle Pantoja, Camila da Silva e Dani Lobato. O livro será vendido pelo site da editora.

Cultura
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