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Dia do Bibliotecário: homenagem a quem guarda a memória da humanidade

Data serve para lembrar a contribuição de profissionais que todos os dias organizam fontes de pesquisas para estudantes, professores, escritores, jornalistas e pesquisadores de áreas diversas nas bibliotecas pelo mundo

Eduardo Rocha
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O acesso a informações gera ou amplia o conhecimento, e esse novo conhecimento vai gerar novas informações, pontos de partida para outros conhecimentos, de modo, cíclico, contínuo. E é preciso serem guardadas essas conquistas da inteligência  humana para que a humanidade possa prosseguir em sua trajetória no mundo. No meio desse contexto, um (a) profissional mostra-se fundamental: o (a) bibliotecário (a), fazendo a ponte entre os cidadãos ávidos de informações e as fontes em uma biblioteca para a devida construção do conhecimento, seja em um ambiente presencial ou em ambiente virtual. Neste 12 de março, Dia do Bibliotecário, vale a pena saber um pouco sobre a atuação dessas pessoas que lidam diretamente com o legado da sensibilidade dos seres humanos exposto por meio de obras variadas para consulta pública. 

Uma dessas profissionais é Elisângela Costa, 49 anos, bibliotecária/documentalista. Ela é graduada em Biblioteconomia e doutora em História Social da Amazônia pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Elisângela atua na Biblioteca Central da UFPA, e já foi coordenadora adjunta da Biblioteca Digital dessa Universidade, a primeira do norte do Brasil. Também já atuou como catalogadora e atualmente é chefe da Seção de Obras Raras da instituição, em que trabalha há 21 dos 26 anos de atuação profissional.

"O que me motiva a ser bibliotecária é poder ajudar pessoas a localizarem as fontes documentais que elas precisam", ressalta Elisângela. Ela não tem dúvida sobre a importância do trabalho do (a) bibliotecário (a) para a sociedade. "O  bibliotecário é o profissional que representa um elo de ligação entre fontes de informação e os clientes". Esse profissional organiza livros, revistas, jornais, periódicos em geral e outros tipos de mídia para que as informações nesses espaços possam ser acessadas pelas pessoas. Existe toda uma metologia para essa atividade, ou seja, a disposição física do material, cadastro dessas fontes de informação, controle do fluxo de empréstimo e retorno de exemplares de livros, seções especiais e outras nuances do ofício. 

"Trabalhar na Seção de Obras Raras é muito desafiante", afirma Elisângela Costa. E ela sabe o que diz. Como o próprio nome diz são obras que não são encontradas facilmente para aquisição ou mesmo leitura. Nesse sentido, cada biblioteca do Sistema de Bibliotecas da UFPA tem suas coleções particulares, e algumas possuem acervos raros também. É caso, por exemplo, do Centro de Memória da Amazônia (CMA), que tem como diretor o historiador Antônio Maurício Dias; o historiador Aldrin Figueiredo é o vice-diretor e Elisângela Costa é diretora da Biblioteca do CMA, integrada ao Sistema de Bibliotecas da Universidade. 

São cerca de 3 mil títulos na Seção de Obras Raras da UFPA, incluindo, entre outras, as coleções particulares da escritora Eneida de Moraes, do filósofo Benedito Nunes, do jornalista e do crítico de Arte Frederico Barata. A coleção particular de José da Silveira Neto, ex-reitor da UFPA, com cerca de 10 mil exemplares, foi armazenada em um espaço específico sob gestão da Universidade, dada a grande quantidade de obras. 

Para se ter uma ideia da envergadura do trabalho do (a) bibliotecário (a), atualmente a Biblioteca Central da UFPA possui 130.248 títulos (sendo 109.218 físicos e 21.030 virtuais) e 477.433 exemplares (sendo 430.159 físicos e 26.244 virtuais). A Biblioteca Central da UFPa tem 63 anos e é administrada por Michelly Bacelar.

Humanizar o mundo

O Dia do Bibliotecário, em 12 de março, foi instituído por meio do Decreto n° 84.631, publicado no dia 12 de abril de 1980. Essa escolha teve como referência o dia de nascimento de Manuel Bastos Tigre (1882-1957), poeta e escritor considerado o primeiro bibliotecário concursado do Brasil.

As bibliotecas no mundo antecedem a própria história do livro. Os primeiros espaços desse tipo são chamados "minerais", por seus acervos serem formados por tabletes de argila. As primeiras bibliotecas conhecidas são de cerca de 4.000 anos antes de Cristo, na Mesopotâmia. Elas eram constituídas de centenas de pequenas tábuas de argila em escrita cuneiforme. 

"Para mim, a biblioteca é um lugar completo, lá você estuda, socializa, se diverte", destaca Elisângela Costa. "Penso que um mundo sem bibliotecas seria muito mais confuso, mais violento, mais injusto, reificado, triste e feio. As bibliotecas humanizam e embelezam o mundo", completa.

Essa sensibilidade se traduz no amor genuíno pelos livros e fontes de informações em geral por parte do bibliotecário, como salienta Elisângela. Esse profissional também deve ter, como ela diz, erudição, organização, boa vontade e ser uma pessoa persistente. 

"Muitas pessoas pensam que as bibliotecas só possuem livros ou impressos, quando na verdade o bibliotecário trabalha com informação. As bibliotecas existem desde a Idade Antiga, os suportes informacionais foram mudando e a biblioteca foi acompanhando essa evolução. Esse é o motivo da perenidade das bibliotecas", pontua Elisângela.

Em Belém, em diversas bibliotecas, é possível observar pessoas de diferentes idades aproveitando para degustar os acervos à disposição do público. Os gestores e outros profissionais desses espaços também costumam organizar eventos nas próprias bibliotecas, com o propósito de despertar a curiosidade e leitura de crianças, jovens e adultos acerca de temáticas diversas.

E sobre esses espaços de convivência entre seres humanos e entre as pessoas e fontes de informação é que fala Elisângela Costa, alguém vive essa realidade todos os dias. "Trata-se de um ambiente propício para o estudo. Ter apoio para fazer um melhor uso das fontes documentais. Receber orientação quanto a aplicação das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)". 

Com o advento das novas tecnologias, muita gente pensa que não existe futuro para as bibliotecas. Mas, além do fato de que as bibliotecas seguem junto com a humanidade por milênios, tudo se mostra como um processo de adaptação,  como diz Elisângela Costa. Ela ressalta que a queda verificada na presença de público nesses locais é justificada em grande parte pelo fato de qeu muitos usuários transferiram-se para o ambiente virtual da biblioteca. Isso implica na adaptação do bibliotecário com relação às mudanças na sociedade. "As bibliotecas vão continuar a existir independente de qual rumo o mundo tome, pois ela é uma das instituições mais longevas da humanidade", finaliza a bibliotecária, sempre pronta a atender a quem não desperdiça tempo para acessar informações e produzir conhecimentos.

 

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