Curta ‘Manga’ se une a produções paraenses que destacam o audiovisual do estado

‘Manga’ está disponível no Youtube e é uma produção dos diretores Cícero Pedrosa Neto e San Marcelo, baseado no conto do advogado e escritor paraense Hugo Mercês

Emanuele Corrêa
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O Cinema e o audiovisual paraense ganharam destaque em festivais promovidos dentro do estado, mas também em mostras em outros estados e internacionais. Os aspectos da cultura local servem de enredo para algumas histórias, como é o caso do curta-metragem "MANGA", lançado no Youtube pelos diretores Cícero Pedrosa Neto e San Marcelo, baseado no conto do advogado e escritor paraense Hugo Mercês.

Sobre a produção e os novos caminhos do audiovisual, o diretor Cícero Pedrosa Neto conversou com a Redação Integrada de O Liberal, e contou mais sobre os principais temas que aborda ao longo desses 12 anos como fotógrafo e cinco com produção audiovisual.

"Comecei a trabalhar com documentários há 5, com produção voltada sobretudo para a linguagem documental, com foco em meio ambiente e violações de direitos humanos e territoriais de populações tradicionais amazônicas. O 'Manga' surgiu de uma conversa informal com Hugo Mercês. Entre um café e outro, ele mencionou a história que tinha escrito e imediatamente eu disse: 'mano, isto é um filme! Um terror amazônico! Bora filmar!'. Ele ficou num misto de assustado e animadíssimo com a ideia", relembrou.

A história do curta fala sobre o sentimento de vingança que surge após Dani, o protagonista, comer uma manga. Aos poucos algo toma seu corpo por um ser maligno. Mas, o questionamento do curta paira em quem realmente possui quem.

Para a história poder ganhar corpo, inscreveram-se no edital de fomento da Fundação Cultural do Pará (FCP) e quando foram contemplados, começaram a produzir, relembrou Pedrosa. "Liguei para o cineasta bragantino San Marcelo, premiadíssimo ao longo deste ano com o doc 'Benzedeira'. Eu e San somos parceiros de produções há 4 anos e, na minha opinião, é um dos maiores nomes nacionais da produção fílmica da atualidade. San topou na hora. Era uma oportunidade de fazer um curta-ficção, já que vínhamos de uma trajetória de documentários em 2022", disse.

image Cenas do filme "MANGA", inspirado no conto do advogado e escritor paraense Hugo Mercês. (Reprodução / San Marcelo)

Simbologias paraenses e mistérios Amazônicos dão brilho ao audiovisual

O conto de Hugo Mercês é carregado de símbolos da cultura paraense, entre os mais conhecidos, a manga e a mangueira. Pedrosa Neto revela que esse fator chamou a atenção, pois contemplava o imaginário local e gerava identificação. "É um conto que mistura muito do que é a Amazônia e nossas relações com as diversas cosmologias que temos aqui e das quais comungamos", arguiu.

"Eu venho de uma trajetória de produções documentais dentro do jornalismo investigativo e de denúncias. Quem me trouxe para a ficção foi o San Marcelo, eu devo a ele essa incursão na fábula. Agora fiquei encantado com essa outra linguagem e pretendo seguir construindo roteiros neste rumo tbm, para além do trabalho que já faço no documental", complementou.

O curta-metragem está disponível no canal do Youtube da Escaleta Produções. Neto incentiva que o público acesse e perceba que as produções paraenses ganham cada vez mais notoriedade e qualidade. "Acho que o público vai se surpreender com o filme. Primeiro com o esforço que tivemos de construir um roteiro instigante e de terror, não tão comum nas produções paraenses, sobre algo do cotidiano dos paraenses. O filme tem uma atmosfera amazônica, tivemos a preocupação de localizar o filme, assinalá-lo como uma produção amazônica", pontuou.

"O filme vai ficar disponível no YouTube até fim do ano e deverá ser exibido nas salas alternativas de cinema da cidade. Depois, pretendemos colocá-lo em circulação nos festivais que surgirem, nacionais ou internacionais, em 2023", reforçou projetando os próximos passos.

Questionado sobre a cena atual em que está inserido, Pedrosa diz que o cinema e audiovisual paraense é uma referência nacional, com engajamento e qualidade técnica. "O Pará é um núcleo de produção audiovisual potente. Apesar da pandemia, houve um boom de produções graças aos editais de fomento como a Lei Aldir Blanc, o Preamar da Cultura e o da FCP. Essa guinada se deve também à atenção que tem sido dispensada pela Secult aos fazedores de cultura paraenses", declarou.

Cícero acredita que um processo é feito em equipe, por isso, agradece a equipe que contribuiu para que a produção ganhasse às telas. “Produção da Escaleta produções, coprodução da Sapucaia filmes. História original, Hugo Mercês. Elenco: Gregory Kauan, Marina Di Gusmão. Produção executiva e coordenadora de produção, Cecília Nascimento; Casting, Dário Jaime. Direção de produção e 1º assistente de direção, Raquel leite. Direção de fotografia, San Marcelo e Cícero pedrosa neto. 1º assistente de câmera e gaffer, Claudio castro; 2º assistente de câmera e assistente de elétrica, Romão Gomes. Direção de artes, figurino e produção: Jef Cecim. Assistente de direção de artes e platô, Geovane serra; Maquiagem, Cristina pessoa. Poster designer, montador e finalizador, San Marcelo. Trilha e edição de som, Renan Marcell; Mixagem de som, Tarcísio Vaz. Roteiro e direção, San Marcelo e Cícero pedrosa neto”, agradeceu.

Para o próximo ano, o diretor deseja que os fomentos sejam ampliados para que mais produtores de cultura possam viabilizar suas obras. "A gente espera que os editais sejam mais recorrentes e que sempre haja oportunidades para que os artistas paraenses, trabalhadores da cultura, possam produzir, alargando ainda mais o hall de produções caboclas na cena nacional", finalizou.

 

Serviço

Filme: Manga

Onde assistir: canal do youtube

Cultura
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