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'Cordel da Marujada' leva poesia, história e devoção ao Amazônia FiDoc

Filme recria origens da manifestação cultural com moradores locais e integra a Mostra Amazônia Legal

O Liberal
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O curta-metragem "Cordel da Marujada" estreia nesta terça-feira (05) no Amazônia FiDoc, o maior festival de cinema do Norte do país. A produção, que integra a Mostra Amazônia Legal, é um documentário poético etnográfico que reconta a origem da Marujada de Quatipuru, uma manifestação cultural afro-amazônica.

Com 14 minutos de duração, o filme transforma a memória oral em linguagem cinematográfica, narrado integralmente por Mestre Come Barro. Ele reconta, em forma de cordel, a história da Marujada de Quatipuru, celebração em louvor a São Benedito, preservada há gerações no nordeste do Pará.

Colaboração e Salvaguarda Cultural

O diretor Gabriel Paixão explica que a obra é fruto de um processo coletivo e de longa duração. "Esse filme é fruto de um trabalho coletivo muito grande, e é uma das realizações do trabalho que vem sendo construído nos últimos três anos junto à Irmandade de Maria Pretinha, da Marujada de Quatipuru", afirma.

O encontro com Mestre Come Barro impulsionou diversas ações de salvaguarda da tradição. Entre elas, estão aulas de ladainha em comunidades, formação musical para crianças, apoio à peregrinação de São Benedito e a gravação de um disco com os cantos da Marujada.

Do Curta ao Longa-Metragem

Paralelamente ao curta-metragem, um longa-metragem sobre a manifestação cultural também está em produção. "Enquanto o longa faz um mergulho mais amplo na tradição, o ‘Cordel da Marujada’ traz a sensibilidade da poesia do Mestre Come Barro para narrar as origens dessa manifestação tão bonita", detalha Paixão.

Resgate Histórico e Desafios da Produção

A narrativa do filme remonta ao final do século XIX, quando, na antiga Ilha do Titica, a senhora Henriqueta permitiu celebrações de fim de ano para pessoas escravizadas. Sob a liderança de Maria Pretinha, a primeira capitoa, nascia a Marujada, que se espalharia pela região. Essa história ganha vida com uma reencenação protagonizada por moradores de Quatipuru e integrantes da Irmandade.

A realização do projeto enfrentou desafios, segundo Gabriel Paixão, como as dificuldades logísticas da Amazônia e o orçamento reduzido. "Fazer esse filme foi o maior desafio da minha vida, mas também uma realização muito gratificante", avalia. Ele credita à Lei Paulo Gustavo a viabilização do projeto e destaca o caráter formativo da equipe, composta em grande parte por profissionais iniciantes.

Legado, Espiritualidade e Equipe Técnica

O diretor enfatiza o potencial do filme como instrumento de preservação cultural. "Esse é um legado que vai ajudar a divulgar a história dessa tradição, podendo ser exibido em todo o Brasil e até fora dele, além de servir como material didático", comenta.

A dimensão espiritual também permeia a obra. Devoto de São Benedito após o processo de produção, o cineasta dedica o filme ao santo e à comunidade de Quatipuru. "Tenho pra mim que esse filme foi um presente lindo da espiritualidade", declara Paixão.

A construção estética do curta contou com a colaboração de diversos profissionais:

  • Diretores de fotografia: Fernanda Gaia e Igor Amaral
  • Produtor executivo: Waldeir Oliveira
  • Técnico de som: Léo Chermont
  • Montadora: Adrianna Oliveira, responsável pela unidade narrativa na pós-produção

Trilha Sonora e Impacto Cultural

A trilha sonora do filme é composta por músicas do álbum "Toques e Cantos da Marujada de Quatipuru", com lançamento previsto para o segundo semestre. O single "Eu nasci em Quatipuru" já está disponível nas plataformas digitais, reforçando o diálogo entre cinema e tradição oral.

Com sua estreia no Amazônia FiDoc, "Cordel da Marujada" se posiciona como uma síntese de arte, memória e resistência cultural. A obra reafirma a força das narrativas amazônicas no cenário audiovisual contemporâneo.

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