Coluna do Estadão: Caso Master vai se repetir se País não aprimorar regulação, afirma economista
O economista Roberto Luis Troster prevê que o caso do Banco Master, que teve a liquidação decretada pelo Banco Central e é investigado pela Polícia Federal, pode se repetir se o País não aprimorar a regulação sobre instituições financeiras. E compara o cenário ao do Banco Santos, que faliu em 2005, após intervenção do BC. Em entrevista à Coluna, Troster defende duas mudanças principais para romper esse ciclo. A primeira é a necessidade de analisar um banco não só pelo compliance, ou seja, se cumpre as normas regulatórias, mas também pelo desempenho, com detalhamento das carteiras. A segunda é responsabilizar auditorias e agências de ratings, que por vezes avaliam positivamente bancos sem lastro e não são obrigadas a divulgar conclusões negativas.
SINTOMA. A exemplo do Master, o Banco Santos também teve ascensão meteórica. O crescimento era sustentado em ativos de baixa qualidade. "No caso do Master, 40% da carteira de créditos era composta por investimentos que venciam em mais de 15 anos, o que deveria ter dado alerta para o problema", afirma Troster, ex-economista-chefe da Febraban.
ESCOLHIDO... "Um banco contrata várias auditorias e só divulga a positiva. Não há obrigação legal de publicar o rating ruim, só o bom. Então, o banco faz várias auditorias, pega a melhor e deixa as ruins na gaveta", observa o economista.
...A DEDO. Troster destaca que em outubro de 2024, aproximadamente um ano antes de ter a liquidação decretada pelo Banco Central e ser alvo da Polícia Federal, o Master recebeu nota "A" de uma agência de rating. "O negócio é muito estranho e ninguém assume", argumenta Troster.
AQUELE ABRAÇO. O presidente Lula veste na quinta-feira, 8, o figurino de candidato à reeleição na cerimônia para marcar os três anos dos atos golpistas do 8 de Janeiro, no Palácio do Planalto. Após a solenidade, ele descerá a rampa e cumprimentará militantes concentrados na Praça dos Três Poderes.
BUMERANGUE. Lula vai vetar o projeto de lei que reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados pelo Supremo Tribunal Federal na trama golpista. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, não estarão em Brasília para ver, mas dizem que o veto será derrubado.
NEM VEM. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Faria, afirma que o partido fará uma campanha de mobilização para que a sociedade pressione os parlamentares a não derrubar o veto de Lula. "Essa redução de pena é anistia disfarçada", compara ele.
GUERRA. Ministros dizem que a apuração da Polícia Federal sobre referências feitas a Fábio Luís, filho de Lula, no curso das investigações sobre desvios de aposentadorias do INSS, reflete a "guerra" vivida na corporação. Nos bastidores, aliados de Lula observam que há grupos conflagrados disputando poder na PF.
INQUÉRITO. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, pedirá ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, abertura de inquérito para apurar "vazamentos seletivos" no caso. "As acusações não estão calçadas em provas", diz.
PRONTO, FALEI! Jaques Wagner Líder do governo no Senado "Neste 8 de janeiro, vamos ocupar as ruas para reafirmar que a soberania popular é sagrada e que o voto é soberano. Nós não aceitaremos retrocessos."
CLICK Dilma Rousseff Ex-presidente da República Almoçou com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, no Planalto, após participar de cerimônia ao lado do presidente Lula. (Roseann Kennedy, com Eduardo Barretto e Vera Rosa)
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