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No Dia do Cinema Nacional, 'Limite' (1931) é lembrado como um dos maiores filmes brasileiros

Enquanto críticos paraenses apontam o favoritismo das produções dos Anos 60 e 70, cineastas paraenses enaltecem a diversidade retratada nas obras.

Enize Vidigal O Liberal

Neste Dia do Cinema Nacional, O Liberal pediu para cineastas e críticos de cinema paraenses indicarem as melhores produções nacionais. Entre os favoritos dos críticos está “Limite” (1931), de Mário Peixoto, que também aparece no topo da lista dos 100 melhores filmes brasileiros da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Já o sucesso recente de “Bacurau” (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, vencedor do Prêmio do Júri em Cannes, é o preferido do cineasta Fernando Segtowick.

“‘Limite’ é o melhor porque é um filme revolucionário esteticamente e contribuiu com a evolução do cinema como arte”, descreve o presidente da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCP), Marco Antônio Moreira. O filme mudo gravado em preto e branco. O drama se passa em um barco à deriva, em que duas mulheres e um homem, cansados de remar, se conformam com a morte próxima e passam a relembrar fatos das próprias vidas.

A genialidade do diretor e escritor Mario Peixoto, falecido em 1992, no Rio de Janeiro, serviu de referência a cineastas do Brasil e de outros países. “’Limite’ foi o único filme do Mário Peixoto. Apesar de não ter sido exibido publicamente, a obra é saudada no mundo inteiro como um dos melhores filmes da época, considerado um clássico do cinema brasileiro e internacional, além de ser citado em enciclopédias de cinema”, destaca o jornalista e crítico de cinema Ismaelino Pinto.

“Dizem que grandes mestres do cinema, como Sergei Potemkin, se espelharam na obra do brasileiro. Walter Salles Jr, diretor de ‘Terra Estrangeira’ e ‘Central do Brasil’ (1998), tem no ‘Limite’ uma obra fundamental para o trabalho dele. Inclusive, ele fez um documentário em que entrevista o Mário Peixoto”, completa.

Já Bacurau, além de ter sido destaque em um dos maiores festivais de cinema do mundo. Cannes, venceu também como Melhor Filme Estrangeiro no New York Film Critics Awards e em várias categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (Melhores Roteiro Original, Direção, Ator - com Silvero Pereira -, Longa-Metragem de Ficção, Efeito Visual e Montagem de Ficção), em 2020.

Diversidade no cinema brasileiro

“’Bacurau’ é um fenômeno. Não tem como fugir dele”, resume Segtowick. “O cinema brasileiro recente é muito fora do eixo Rio-São Paulo. Têm filmes do Nordeste, do interior de Minas Gerais, da Amazônia, dirigidos por cineastas mulheres e negros. Isso mostra como o cinema brasileiro tem se colocado como um espaço de múltiplas visões, não só a visão de classes média e rica, mas a visão da periferia e feminina. Isso é importante”.

Outros filmes preferidos dele são: “Arábia” (2017), de João Dumans e Affonso Uchoa; “Branco Sai, Preto Fica” (2014), de Adirley Queirós; “Los Silencios” (2018), de Beatriz Seigner; “Boi Neon” (2015), de Gabriel Mascaro; e “Temporada” (2018), de André Novais Oliveira.

A cineasta Joyce Cursino destaca os filmes de protagonismo negro, inclusive produzido por cineastas negras, e com temáticas que denunciam o racismo e trazem a realidade dos negros e da periferia: “O Caso do Homem Errado” (2017), de Camila de Moraes, documentário sobre um negro assassinado por policiais; “Um Dia com Jerusa” (2020), de Viviane Ferreira, o primeiro longa de ficção brasileiro com equipe majoritariamente de mulheres negras; e “Ilha” (2018), de Glenda Nicácio e Ary Rosa. “Glenda é uma cineasta negra que apresenta a complexidade das pessoas negras e periféricas, entre denúncias, dores, sonhos e potencialidades”.

Já a cineasta Jorane Castro destaca “Iracema - Uma Transa Amazônica” (1975), de Jorge Bodansky e Orlando Senna; “Cabra Marcado para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho;  “A Hora da Estrela” (1985), de Suzana Amaral; “Sequestro Relâmpago” (2018), de Tata Amaral; e “Que horas ela volta?” (2015), de Anna Muylaert. “’Iracema’ é um dos filmes mais interessantes feitos sobre a Amazônia até hoje, uma referência”. Mas a é a favorita dela é “A Hora da Estrela”, adaptação do livro de Clarice Lispector, que lançou a atriz Marcélia Cartaxo: “É um filme completamente feminino, muito terno e profundamente humano e o filme mais tocante que vi no sistema nacional”.

Críticos enaltecem produção nacional dos Anos 60 e 70

Outros filmes selecionados por Marco Antônio são “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha; “Vidas Secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos; “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha; e “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho. “Todos esses filmes brasileiros tiveram repercussão internacional”.

Já Ismaelino defende o favoritismo de “Pagador de Promessa” (1962), de Anselmo Duarte; “Terra em Transe”; e “Bye Bye, Brasil (1979), de Carlos Diegues. “São três clássicos que se mantém bastante atuais. Eles provocaram grande discussão na época em que foram lançados, pois, foram admirados enquanto obras de arte ao mesmo tempo em que mostraram os problemas do Brasil fazendo um documento histórico da época. ‘Pagador de Promessa’ foi o único filme brasileiro a vencer a Palma de Ouro em Cannes”, aponta. 

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