Mostra 'As Amazonas do Cinema' destaca produções dirigidas por mulheres no Amazônia FiDoc
Programação reuniu filmes da Amazônia Legal e da Pan-Amazônia e premiou obras em diferentes categorias em Belém
A 3ª Mostra Competitiva “As Amazonas do Cinema”, parte da programação oficial do Festival Pan-Amazônico de Cinema – Amazônia FiDoc, ocorreu entre 30 de abril e 2 de maio. O evento, que reuniu produções dirigidas por mulheres da Amazônia Legal e Pan-Amazônia, teve sua sessão principal no sábado (2) na Casa das Artes, em Belém, com o objetivo de ampliar a visibilidade de narrativas femininas no audiovisual.
A mostra apresentou curtas e longas-metragens, além de atividades formativas. Foram realizados debates, oficinas e encontros com realizadoras e profissionais do setor. As obras abordaram temas como território, identidade, memória e experiências de mulheres na região amazônica, incluindo filmes realizados por mulheres cis e trans.
Crescimento da Participação Feminina no Audiovisual
A coordenadora geral do festival, Zienhe Castro, comentou sobre a evolução do setor. "Com o avanço de políticas públicas, como as cotas de gênero, percebemos uma evolução significativa na participação das mulheres no audiovisual", afirmou.
Ela destacou que o crescimento se reflete não apenas na direção e roteiro, mas também nos bastidores, com mais mulheres integrando as equipes técnicas. "É muito gratificante observar esse movimento e ver o fortalecimento da presença feminina no setor audiovisual da Amazônia", concluiu Castro.
Apoio e Realização do Festival
A 11ª edição do festival conta com o patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, e apoio do Ministério da Cultura e do Governo do Brasil. São também apoiadores:
- Governo do Estado do Pará
- Sesc/Pará
- Fórum dos Festivais
- Mistika
As parcerias incluem Aliança Francesa Belém, Instituto +Mulheres, FICCI e Apex Brasil. A realização é da Z Filmes e do Instituto Culta da Amazônia.
Produções em Destaque
A sessão do sábado apresentou diversas produções nacionais com abordagens narrativas e estéticas variadas. Entre os filmes exibidos, destacam-se:
- “Todavía Baila” (AM)
- “Replikka” (SP)
- “Da Janela” (MG)
- “Desejo de Viver” (SP)
O longa “Quatro Luas Pantaneiras” (MS) também foi exibido, antes da cerimônia de encerramento e premiação.
Pluralidade Temática e Novo Olhar Feminino
A curadora Débora Mcdowell ressaltou a diversidade dos temas nas produções recentes dirigidas por mulheres. "Os temas são muito plurais, mas a gente percebe um olhar feminino mais recente voltado para questões como migração, direitos humanos, pauta indígena, racial e também novas formas de enxergar a masculinidade", explicou.
Segundo Mcdowell, essa produção "traz frescor e mostra um novo momento do cinema".
A mostra também teve coordenação de Flavia Guerra. O júri oficial foi composto por Ariadne Mazzetti e Tay Pinheiro.
Destaques da Premiação
Durante a cerimônia, foram anunciados os filmes premiados da edição. As obras receberam o Troféu Amazonas do Cinema, criado pela artista Lize Lobato.
Os prêmios em dinheiro foram de R$ 5 mil para Melhor Curta ou Média-Metragem e R$ 10 mil para Melhor Longa-Metragem. Também houve premiação de Menção Honrosa. O resultado do Júri Popular será divulgado no dia 6 de maio, junto com outras mostras competitivas do festival.
Menção Honrosa: 'Quatro Luas Pantaneiras'
O documentário “Quatro Luas Pantaneiras” (MS), dirigido por Ana Carla Loureiro, recebeu Menção Honrosa. A diretora comentou sobre a obra.
“O Pantanal tem uma ocupação econômica de cerca de 200 anos, e a mulher pantaneira sempre foi invisibilizada nesse processo. Muito já se falou dos animais, da beleza e da grandiosidade do território, mas pouco, quase nada se falou dessas mulheres”, declarou Loureiro.
Melhor Curta ou Média-Metragem: 'Rami Rami Kirami'
Na categoria de Melhor Curta ou Média-Metragem, o vencedor foi “Rami Rami Kirami” (AC), de Lira Mawapai HuniKui e Luciana Tira HuniKu. As diretoras não estiveram presentes.
A jurada Tay Pinheiro comentou a escolha: “Essa obra tem uma narrativa muito sensível, que nos tocou bastante, inclusive por retratar um ritual que é compartilhado entre mulheres e passado de geração em geração. Foi por isso que decidimos escolher este filme”.
Além do prêmio principal, as diretoras receberam um incentivo da produtora Mistika Post para novos projetos.
Melhor Longa-Metragem: 'Mama'
O prêmio de Melhor Longa-Metragem foi concedido ao filme equatoriano “Mama”, dirigido por Ana Cristina Benitez.
Benitez expressou surpresa e a importância do filme: “Muito obrigada, de verdade. Eu nem sabia que estava competindo. Este é um filme muito íntimo, que nasce do meu próprio processo com o câncer de mama. Foi difícil filmar, mas senti que era importante para que possamos falar sobre isso e incentivar conversas, para que as pessoas saibam como acompanhar quem está passando por um momento tão vulnerável”.
Exibições Especiais
Após a premiação, foram exibidos os curtas convidados “Americana”, de Agarb Braga, e “Taru Andé”, de Amaru. As obras abordam experiências pessoais e vivências relacionadas a diferentes contextos sociais e culturais.
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