Quadrilhas juninas se superam para encantar o público em Belém
Às proximidades de junho, quadrilhas juninas se revezam em ensaios e na obtenção de recursos financeiros para a exibição ao público, como uma das principais manifestações culturais do Norte e Nordeste do Brasil
Ensaiar na área em frente ao centenário Theatro da Paz, no centro histórico de Belém, é um incentivo e tanto aos 20 pares integrantes da quadrilha junina Fuzuê Junino, do bairro da Pedreira. Esse e outros grupos revezam-se nos preparativos para as exibições em concursos de quadrilhas juninas em Belém ao longo do mês de junho próximo. E essa preparação envolve não apenas os ensaios em geral à noite, em praças e quadras, mas, em particular, a busca por recursos financeiros para fazer frente aos custos de indumentárias e outros itens relacionados a essa manifestação cultural tão presente no Norte e Nordeste do Brasil. Até porque os recursos da Prefeitura de Belém nesse sentido somente chegam aos grupos depois das apresentações.
Os desafios são grandes, mas o entusiasmo dos integrantes das quadrilhas juninas é ainda maior. Como se pode constatar, por exemplo, nos ensaios da Fuzuê Junino na frente do Theatro da Paz, no momento em que o grupo celebra 25 anos de história. O presidente desse grupo cultural, Marco Brito, detalha que a Fuzuê Junino começa a ensaiar a partir de outubro e prossegue até maio. Os ensaios ocorrem na Praça Waldemar Henrique. “A gente deixa de ensaiar na Waldemar Henrique quando a praça está ocupada, e vem aqui, para a frente desse teatro maravilhoso, que é o nosso Theatro da Paz”, diz Marco. Ele pontua que estar em frente a essa casa centenária de espetáculos, monumento da cultura amazônica, ”fortalece o nosso ensaio”.
Marco Brito destaca que a Fuzuê tem como projeto social a formação de jovens da comunidade de moradores do bairro da Pedreira. No grupo cultural, tem gente, inclusive, de outros bairros e municípios.
Acerca de ajuda financeira oficial, o presidente Marco Brito ressalta: “Sai um auxílio, sim, mas o auxílio, na verdade, não é um auxílio, porque o auxílio seria agora que a gente está para comprar o material, terminar, pagar costureira, pagar sapateiro. Não, o auxílio só sai às vezes lá para outubro do ano que vem”.
“É o auxílio da Prefeitura. O auxílio montagem, que não é montagem, né? Porque a gente já terminou de montar. Isso complica para a gente, porque seria um dinheiro que poderia já ajudar a pagar a costureira, o resto do material para a gente ir comprando e para aprontar a roupa da quadrilha”, completa Marco.
Em 2025, como informa Marco Brito, não houve concurso de quadrilhas juninas da Prefeitura de Belém. Os dirigentes desses grupos decidiram não participar do evento, porque o orçamento proposto pela gestão municipal não agradou às quadrilhas. “Este ano, a gente sentou, teve um acordo e iremos dançar”, explica Brito.
Dançar
Quem também brilhou nesse concurso nacional, tornando-se Rainha Caipira Nacional foi Keyla Barros, Miss Caipira da Fuzuê Junina. “O paraense expressa na quadrilha junina todo o seu amor pela dança”, enfatiza essa professora de dança, que representou o clube Pinheirense no Rainha das Rainhas 2026, concurso de fantasia no Carnaval, promovido pelo Grupo Liberal. Essa participação no Rainha e a própria trajetória dessa dançarina fizeram com que fosse convidada pela Fuzuê a retornar ao grupo cultural.
“Depois de nove anos, voltar para a Fuzuê é uma grande emoção”, diz Keyla. “Fazer parte de uma quadrilha junina é muita paixão. A gente ensaia por muitos meses para dançar dois. A gente ensaia depois de um dia de trabalho, se apresenta em uma noite e no dia seguinte tem que trabalhar. Então, é muita paixão, muito amor pelo São João”, arremata Keyla.
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