Belém recebe espetáculo que homenageia o maestro Waldemar Henrique

Encenação mostra três fases da vida do compositor, com trilha ao vivo que mistura piano, cordas, percussões e sons da floresta

Amanda Martins
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Em 2025 completam-se três décadas da morte do maestro paraense Waldemar Henrique, e sua obra volta a ecoar nos palcos em forma de homenagem. No dia 26 de setembro, às 20h, o Teatro do SESI, no bairro do Marco, em Belém, receberá o musical “Fiz da Vida uma Canção”, parte da programação do Festival Cultura do SESI. A produção, assinada pela Casa de Artes Tiago de Pinho em parceria com a Soma Musical, revisita a trajetória do compositor que projetou o cancioneiro amazônico para o Brasil e o mundo, unindo a tradição popular ao repertório erudito.

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Muito antes de a Amazônia se tornar pauta global, como tem ocorrido agora às vésperas da COP 30, Waldemar Henrique já traduzia em canções a floresta, os rios, os encantados e a riqueza cultural do Pará. Inspirado pela Semana de Arte Moderna de 1922 e pelas ideias nacionalistas de Heitor Villa-Lobos, construiu um legado que segue vivo em conservatórios e palcos nacionais e internacionais.

Pesquisa e criação cênica 

Segundo o diretor Tiago de Pinho,  a preparação para a peça envolveu uma imersão em registros raros, biografias e até trabalhos acadêmicos. Ele explicou que foi necessário realizar uma pesquisa extensa para construir um retrato fiel do maestro. “Nosso objetivo é honrar a memória de Waldemar Henrique e tudo o que ele construiu em homenagem à Amazônia. Ele foi um homem visionário, que levou a nossa cultura para fora do Brasil e dedicou sua vida à música”, afirmou.

image As músicas de Waldemar Henrique continuam sendo cantadas e gravadas por vários artistas 27 anos após a sua morte. (Arquivo/ O Liberal)

O musical recriará passagens biográficas marcantes. “O espetáculo começa com ele criança, em Belém, passa por sua estadia em Portugal, segue para a fase adulta e chega à velhice. Em cada etapa, as próprias músicas de Waldemar funcionam como rituais de passagem, criando uma linha poética de transformação”, explicou.

A narrativa,  que mistura teatro, música e memória, será unida ao piano, cordas, percussões, paraenses, atabaques e sons da floresta, criando uma atmosfera que traduz a essência do maestro: a convivência mágica entre o popular e o lírico.

Tiago de Pinho destacou ainda que a trilha será executada ao vivo. “Toda a música é tocada em cena. Ao mesmo tempo, em que homenageamos o Boi-Bumbá e a música indígena, preservamos a força do piano e do canto lírico. Essa dualidade traduz a obra de Waldemar”, disse.

Elenco

O papel de Waldemar adulto será vivido pelo ator Gabriel Chaves, de 23 anos. O artista contou que sua preparação foi baseada em entrevistas e cartas deixadas pelo maestro. “Descobri que ele era gentil e educado, mas também muito exigente e detalhista nos ensaios. Quero mostrar isso ao público, fazendo com que sintam saudade e emoção, principalmente aqueles que tiveram a chance de conhecê-lo pessoalmente”, relatou.

Gabriel também destacou o desafio de dar vida a uma figura histórica. “Já interpretei personagens fictícios, mas agora é diferente. Preciso mostrar a marca que o Waldemar deixou para os paraenses, e não a minha própria. Isso exige cuidado e responsabilidade”, afirmou, lembrando que o espetáculo trará canções icônicas como “Minha Terra”, “Tamba Tajá” e “Uirapuru”.

Na fase idosa, o maestro será interpretado por Hugo Sacramento, de 43 anos. O ator disse ter recebido o convite com emoção. “É significativo interpretar alguém que dedicou sua obra a enaltecer a cultura do Pará, especialmente agora que o Estado está em evidência com a proximidade da COP 30. Tenho buscado me conectar às músicas e registros biográficos, além de relatos de pessoas que conviveram com ele”, comentou.

image A ariz Astréa Lucena dá vida a Estefânia Rosa da Costa, mãe adotiva do maestro (Alle Peixoto)

Entre as presenças marcantes do elenco está a atriz Astréa Lucena, que retorna aos palcos interpretando Estefânia Rosa da Costa, mãe adotiva do maestro. Ela destacou a emoção do reencontro com o teatro e o simbolismo do papel. “O maestro não morreu, ele foi encantado. É maravilhoso contracenar com atores jovens e trocar experiências. Essa continuidade é a certeza de que nossa arte e cultura seguem fortes”, declarou.

Além deles, nomes como Nívia Mendes, no papel de Amara Henrique, irmã do maestro, e Kalel Ripardo, que interpreta Waldemar criança, completam o elenco, ao lado de outros artistas paraenses que unem gerações distintas do teatro local.

Legado 

Waldemar Henrique faleceu em 27 de março de 1995, aos 91 anos, pouco tempo depois celebrar seu aniversário, de causas naturais. Ao longo de sua carreira, ele foi responsável por projetar a música amazônica para o Brasil e o mundo. Composições suas foram interpretadas em cassinos do Rio de Janeiro, em parcerias com artistas como Carmen Miranda, além de serem adaptadas para o cinema e o teatro. 

image Waldemar Henrique(Foto: Arquivo Pessoal / Sebastião Godinho)

O diretor reforça que o espetáculo convida o público a revisitar esse legado. “É uma viagem no tempo, que nos reconecta com um passado essencial para o Pará. Waldemar Henrique foi pioneiro, deu voz à nossa encantaria e fez o mundo olhar para a Amazônia. Esse é o grande tributo que queremos prestar”, disse Tiago de Pinho.

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