Atriz paraense vence Prêmio APCA 2025 com espetáculo sobre infância indígena

“Pa’ra – Rio de Memórias”, protagonizado por Lenise Oliveira, foi premiado como Melhor Monólogo Infantojuvenil

Hannah Franco
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As belezas, desafios e memórias da infância na Amazônia conquistaram um dos prêmios mais importantes das artes no Brasil. O espetáculo “Pa’ra – Rio de Memórias”, idealizado e protagonizado pela atriz, diretora e pesquisadora paraense Lenise Oliveira, venceu o Prêmio APCA 2025 na categoria Melhor Monólogo Infantojuvenil.

O anúncio foi divulgado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). A cerimônia de entrega do prêmio está prevista para ocorrer entre os meses de junho e julho, em São Paulo.

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Inspirada na cosmovisão do povo Sateré-Mawé, a obra se destaca por romper com representações coloniais frequentemente associadas aos povos originários. Em cena, não há uso de penas ou pinturas corporais como elementos de validação identitária.

A proposta estética aposta em cores vibrantes, símbolos da cultura amazônica e referências paraenses, construindo uma narrativa visual contemporânea.

Infância indígena fora do território tradicional

O espetáculo parte de uma investigação artística e política sobre as infâncias indígenas da Amazônia, especialmente aquelas que vivem fora de seus territórios de origem e enfrentam o cotidiano das cidades. No monólogo, Lenise interpreta Dalú, uma criança indígena que deixa sua comunidade e passa a morar com a mãe na periferia de uma grande metrópole.

A mudança não é retratada apenas como deslocamento geográfico. A dramaturgia evidencia um percurso marcado por preconceito, violência institucional, apagamento cultural e tentativas constantes de enquadramento social. Quando o espaço onde vive é invadido, Dalú encontra força na memória e na ancestralidade, atravessando simbolicamente o Rio das Memórias, onde natureza, encantados e antepassados permanecem vivos.

Estética amazônica e trilha sonora urbana

Um dos elementos centrais de “Pa’ra – Rio de Memórias” é a trilha sonora original, que mistura musicalidades ancestrais com referências do brega e do tecnobrega, criando uma ponte entre tradição indígena e a experiência urbana contemporânea. A escolha reforça o diálogo entre passado e presente, ancestralidade e cidade.

A encenação se afasta de estereótipos e propõe uma leitura atual das identidades indígenas, dialogando com públicos de diferentes faixas etárias, especialmente crianças e adolescentes.

Embora inspirado na cultura Sateré-Mawé, o espetáculo também se conecta às vivências pessoais de Lenise Oliveira. A artista resgata memórias da infância vivida no bairro do Jurunas, em Belém, para compor uma narrativa que atravessa gerações e territórios.

Lenise também integrou outros trabalhos de destaque, como o musical “Como é que se diz Eu te amo?” e o espetáculo “O Poço da Mulher Falcão”, apresentado no Festival Internacional de Teatro de Rio Preto (FIT) 2024. A conquista do Prêmio APCA reafirma a força da produção cultural paraense e amplia o espaço de narrativas amazônicas no teatro brasileiro.

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