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Assaad Yoessef Zaidan: a paixão pelo Líbano e pelo Pará na trajetória literária

Nesta terça-feira, dia 4 de agosto, autor completaria 87 anos de uma vida dedicada ao conhecimento, à literatura e ao amor por duas nações

Redação Integrada

"Vieram jovens para jovens terras/ dos velhos montes para o novo chão/ olhos brilhando, brilho de esperança/ e um velho cedro em cada coração". O trecho que integra o livro "Raízes Libanesas no Pará" - do escritor libanês Assaad Yoessef Zaidan - mostra a relação que o autor tinha com o Brasil e, mais especificamente, com o norte do país. Ele tinha apenas 19 anos quando pisou em terra brasilis pela primeira vez. Nesta terça-feira, dia 4 de agosto, autor completaria 87 anos de uma vida dedicada ao conhecimento, à literatura e ao amor por duas nações que tomava como suas: o Líbano e o Brasil.

Zaidan, como era conhecido, nasceu no vilarejo de Rweast El Balout no Vale de Hamena (Vale do poeta Lamartine), no Líbano Central. O libanês era filho único e se tornou órfão de pai antes de completar dois anos de idade. Criado pela mãe e pelos avós, deixou de ir à escola por dificuldades financeiras aos 14 anos, mas nunca abandonou a paixão pelos livros.

Foi em 1952 que ele veio para o Brasil - em uma cansativa viagem de navio que durou cerca de dois meses - após saber que um primo do pai morava no país. Aqui, morou na cidade de Palmeira dos Índios, no estado de Alagoas, local em que trabalhou em um armazém. Sem salário, ele continuou na cidade durante quatro anos em troca de casa, comida e aprendizado da língua portuguesa. Em meados de 1958, Zaidan fincou os pés na capital paraense, a "sua segunda pátria", como como costumava falar. Em Belém, trabalhou como representante comercial.

Em janeiro de 1964, casou-se com a paraense Miriam Zaidan, com quem teve os filhos Karim, Wajdy, Soraya e Suzanne Zaidan. Mudou-se em 1965 para São Paulo, onde fundou o jornal de língua árabe "Notícias Árabes” que circulava em todo o território brasileiro e, em 1969, voltou para Belém. “Naquela época, as coisas eram muito difíceis. O nosso pai sempre ressaltou que o Pará foi a terra que mais o acolheu quando ele chegou ao Brasil”, pontuou o funcionário público Karim Zaidan.

Literatura

Em meio às atividades, mantinha um outro amor: os livros e a escrita. Dono de um estilo próprio, Zaidan escrevia em árabe clássico e sempre foi um apaixonado pelas letras. Ao longo da trajetória, escreveu crônicas e poesias para os jornais de língua árabe do Rio de Janeiro e São Paulo, e veículos iraquianos. Foi autor de matérias jornalísticas também para veículos de Beirute e Damasco, além de ter escrito diversos livros.

O autor faleceu no dia 25 de abril deste ano de 2020, vítima de um câncer, mas continua sendo admirado pela dedicação em pesquisar as raízes da migração libanesa no Brasil e as belezas da língua árabe e sua influência na língua portuguesa, a exemplo do que resultou na publicação do livro "Letras e Histórias - Mil Palavras Árabes na Língua Portuguesa".

Para Makram Said, presidente do Clube Monte Líbano e Consul Honórario do Líbano em Belém do Pará, o autor deixou um "legado de ensinamentos para toda a colônia libanesa no Pará". O pesquisador e escritor Roberto Katlab, que também é diretor do Centro de Estudos e Culturas da América Latina na Universidade Saint-Esprir de Kaslik, no Líbano, pontuou que "o principal diferencial foi a forma de escrever suas próprias experiências vividas no dia a dia”.

A paixão por conhecimento era tanta que Assaad Yoessef Zaidan investiu tudo o que ganhava no trabalho em livros e, assim, constituiu a maior biblioteca de língua árabe da América Latina: um acervo com mais de 3 mil exemplares entre livros antigos, raros e atuais. Material que, inclusive, está em negociação para doação às universidades no Líbano

Cultura
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