'As Amazônias': Aíla, Djuena Tikuna e Patrícia Bastos celebram a identidade feminina no palco
Espetáculo chega a Belém para uma temporada na Caixa Cultural, a partir desta quinta (9) até domingo (12)
Uma das expressões latentes da Amazônia é o canto feminino. Esse canto traduz um universo de presença e luta contínua de mulheres inseridas em contextos diferenciados na mesma região, sejam indígenas, quilombolas, ribeirinhas e mulheres no cenário urbano. E esse canto ao interagir com imagens e expressões artísticas diversas cria um ambiente propício para sentimentos e reflexões que mexem muito com o espectador. Assim, o espetáculo "As Amazônias" chega em Belém para uma temporada de quatro dias na Caixa Cultural, de quinta-feira (9) até este domingo (12), às 19h, possibilita essa interação entre o público e as mulheres da região, representadas, então, pelas cantoras Aílan (PA), Djuena Tikuna (AM) e Patrícia Bastos (AP).
São três vozes amazônidas em performance que une música, imagem e diferentes territórios da região. As artistas cantam territórios, memórias e modos de existir, e a plateia pode conferir uma combinação de música ao vivo com projeções visuais. Desse modo, é criada uma experiência audiovisual aproximando palco, imagem e tecnologia para abordar espaços diferenciados na Amazônia. Podem, então, ser conferidas trajetórias referentes a tradições indígenas, matrizes afro-amazônicas e música contemporânea produzida no próprio bioma.
Em "As Amazônias", o público confere as particularidades do território de cada artista. Nesse caso, Djuena Tikuna mostra cantos em sua língua originária. Patrícia Bastos apresenta ritmos tradicionais do Amapá, como o batuque do Curiaú. Essas referências são conectadas à cena musical contemporânea, com fusões e experimentações, pela cantora Aíla.
Patrícia Bastos é uma cantora e compositora de destaque na Amazônia. Vencedora do Grammy Latino, Patrícia consegue traduzir em música sonoridades e narrativas do Amapá. A artista paraense Aíla notabiliza-se como uma das figuras centrais da música contemporânea produzida na região. Aíla transita entre o pop, a música amazônica e a experimentação sonora.
Como representante da força dos povos originários, Djuena Tikuna é cantora indígena do Estado do Amazonas e seu canto reforça esse encontro de mulheres com o público em geral na capital paraense. Djuena foi a primeira jornalista indígena formada no estado e também a primeira artista indígena a realizar um espetáculo musical no Teatro Amazonas, em Manaus (AM). Suas composições são cantadas integralmente na língua Tikuna, o que reafirma o canto como forma de memória e resistência.
Expressividade
Patrícia Bastos considera que o espetáculo revela a potência das múltiplas Amazônias que coexistem na região. "Em 'As Amazônias', conseguimos colaborar na transmissão da narrativa da diversidade feminina da região, seja na latinidade, na afrocentralização, nas nossas cores, figurinos e no jeito de cantar as nossas tradições e sonhos. Somos três mulheres representando um pouco das Amazônias, porque nós somos muitas, plurais e múltiplas".
No espetáculo, as três artistas compartilham não apenas músicas, mas, em particular, experiências de vida. "Cantar com a Djuena é sempre uma emoção sem tamanho, ela do Amazonas, eu do Pará. A gente carrega conexões que só quem é da região Norte entende. Além de ser uma enorme artista, ela faz um show inteiro cantado na língua Tikuna, a origem dela, e isso sempre me emociona muito", destaca Aíla.
A escolha do repertório é um aspecto marcante no espetáculo. Isso porque, em um dos momentos da apresentação, Aíla interpreta em português uma composição de Djuena, traduzida da língua Tikuna. "Foi um momento bem especial, a gente canta sobre uma aldeia que é o mundo, afinal, como Djuena sempre diz, somos todos da mesma aldeia. Isso é forte… norteia e conduz muita coisa", ressalta a cantora Aíla.
Djuena Tikuna não tem dúvida de que o canto está diretamente ligado à existência e à continuidade de seu povo. "Para nós, povos indígenas, a cultura é a nossa vida. Enxergamos o mundo com os olhos da cultura. A luta pelo território, por educação e saúde diferenciada é uma luta pela cultura", afirma.
Ela também destaca o papel da Amazônia como espaço de encontro entre diferentes povos e expressões. "A Amazônia é morada de resistências. Somos tantos povos que dialogam e se conectam por meio da arte para manter viva a nossa essência. Juntos, nós somos a floresta que pulsa viva, multicolorida, plural e infinita".
*Serviço*
Show 'As Amazônias'
Com Aíla (PA), Djuena Tikuna (AM) e Patrícia Bastos (AP)
📅 Temporada: 9 a 12 de abril de 2026
🕖 Horário: 19h
📍 Local: Caixa Cultural Belém — Av. Mal. Hermes, S/N, Armazém 6A, Reduto
🎟 Ingressos: retirada gratuita (bilheteria da Caixa)
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