Arte Pará celebra as descobertas sensoriais de Danielle Fonseca e Jocatos
Artistas contam sobre sua relação com a arte e com o Arte Pará, cuja 42ª edição será aberta em novembro, na capital paraense
A obra dos artistas visuais Danielle Fonseca e Jocatos comprova que, por meio da arte, é possível ter um novo olhar para as pessoas e o mundo como um todo. Isso porque a arte é capaz de mexer com valores, sentimentos, pensamentos e ações do ser, (re)trabalhar o ser. Em seus trabalhos, Danielle e Jocatos revelam que essa transformação proposta por eles nas obras começa no próprio processo criativo e encontra eco em cada espectador de uma mostra de artes. Esses dois artistas sabem da importância de as pessoas em geral conferirem trabalhos artísticos, como ocorre com relação à mostra Arte Pará, da qual participaram e que em 2026 chega à sua 42ª edição.
O Arte Pará 2026 é mostra promovida pelo Grupo Liberal e coordenada pela Fundação Romulo Maiorana (FRM), com a curadoria da artista visual Keyla Sobral. Será aberta em 5 de novembro no Museu de Arte do Estado do Pará. Em novembro, o Jornal O Liberal completará 80 anos de história. A inscrição de artistas ao Arte Pará 2026 está em andamento. Confira o edital aqui.
O projeto Arte Pará é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio da Phebo e do Instituto Cultural Vale.
Vivências
Danielle Fonseca, belenense da gema, iniciou sua carreira nas artes visuais em 1997, ou seja, ela tem quase 30 anos de atuação no campo das artes. Em seu processo criativo, Danielle aproveita referências de outras artes. “A literatura, a filosofia e a música também são referências importantes em minha trajetória artística. A maioria das obras nasce de minhas referências, vivências, experiências pessoais e de pesquisa em arte também, e histórias colhidas de alguns livros que me atravessam”, conta a artista.
“Acredito que meu trabalho se encontre no campo da arte contemporânea, em suas diversas linguagens. Um pouco de pesquisa em imagem e palavra, arte conceitual, instalações, vídeos, entre outros”, ressalta Danielle.
A artista compartilha a avaliação de que o Arte Pará tem sua contribuição às artes. “Super importante a trajetória do Arte Pará, não só para Belém, mas para o Brasil todo. O Arte Pará é onde são revelados grandes artistas, onde há possibilidade de troca com outras obras, e há ainda o Educativo, que fomenta o olhar de estudantes, comunidades em geral, dando acesso à arte de maneira democrática”.
“Foi, inclusive, no Arte Pará que ganhei meu primeiro prêmio em Artes, início dos anos 2000. O que me impulsionou a seguir a carreira e a pensar nas artes como profissão”, revela Danielle Fonseca.
A arte tem uma contribuição decisiva à vida humana, como salienta Danielle. “Arte, de uma maneira geral, nos torna pessoas melhores, seja nas artes visuais, na música, no teatro, cinema e literatura. Nosso modo de acessar o mundo torna-se muito melhor, mais crítico, mais bonito até. Mas, para isso, é preciso que a maioria das pessoas tenha acesso às artes. Tenha a possibilidade desse encontro e, com certeza, seja qual for a profissão que sigam, com acesso à arte, seu olhar e modo de vida se tornarão muito melhores”.
Ressignificar tudo
Jocatos é um artista que atravessa gerações e é muito querido pelo público. A produção artística de Jocatcos começou a ser revelada em exposições nos anos 1980, ou seja, são 46 anos de carreira. O começo de tudo se deu por conta dos pais, que guardavam os trabalhos que ele confeccionava e presenteava os familiares e amigos em datas festivas. “Eles guardavam, e eu não sabia dessa história. Só vim a saber quando eles me mostraram depois de muito tempo, e aí eu passei a me interessar mais pelas artes visuais e também fui em busca de novos conhecimentos”, conta o artista.
A formação de Jocatos é em Design de Interiores, com especialização em Estudos Culturais na Amazônia pela UFPA e uma Residência em Gravura, em Quebec (Canadá). E ele desenvolve outras nuances dentro de uma visão crítica.
Esse artista tem seu processo criativo a partir do pensar, ou seja, “a gente inicia pensando e seleciona a técnica mais interessante para expressar a temática escolhida”. Jocatos atua com a gravura, o desenho, a pintura, o objeto e instalações, sempre com a temática sugerida por meio de convite de instituições. A partir desse convite, Jocatos pensa na técnica mais interessante para apresentar o trabalho.
Em seu fazer artístico, Jocatos é sempre inovador. Para se ter uma ideia disso, basta saber que ele reaproveita itens que seriam descartados, isto é, jogados no lixo. “Reaproveita-se a matéria, sempre, resgatando materiais poluentes do meio ambiente, para uma ressignificação da matéria, para apresentar uma obra, um trabalho”, diz o artista visual.
Esse criador de trabalhos provocativos, inovadores, tem uma relação perene com o Arte Pará. “Sem nenhuma dúvida, o Arte Pará nos incentivou, nos deu uma força muito grande, no sentido de ver salões lá fora (fora do Pará), bienais, eventos nacionais e internacionais, e obtivemos grandes resultados com grandes premiações”, diz Jocatos. Ele foi premiado com um trabalho em gravura logo na terceira edição da mostra, em 1984, quando começaram as premiações no evento.
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