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Arte Pará 2021: conheça os trabalhos de videoperformance de Mauricio Igor e Juliana Notari

Artistas com que utilizam o corpo como instrumento de performance promovem

Lucas Costa

O corpo performático pode ser considerado uma das grandes marcas da videoarte, e é onde dois artistas do salão Arte Pará 2021 expressam a potência de seus trabalhos. Juliana Notari e Maurício Igor participam da mostra deste ano com dois trabalhos cada. Eles integram o recorte histórico da mostra deste ano, que passeia pela videoarte com identidade paraense sob o conceito curatorial “Uma História da Videoarte na Amazônia (episódio 1): Pará”. O Arte Pará 2021 segue no ar em uma edição totalmente virtual, no endereço www.artepara2021.com.

Mauricio Igor, estreante no Arte Pará, participa do salão com duas obras recentes: “A Pisa na Amazônia” e “De Uma Belém a Outra”, ambas de 2020. Em seus vídeos, Mauricio parte de reflexões sobre o corpo amazônico, como explica ele.

“Em ‘De uma Belém a outra’ trato sobre meu corpo em deslocamento, ao sair daqui de Belém do Pará para um monumento que se localiza na Belém em Lisboa, Portugal. Realizei este trabalho durante um período de intercâmbio decorrente de uma bolsa de estudos pela UFPA. O cenário é o monumento ‘Padrão dos Descobrimentos’, uma homenagem às figuras responsáveis pelo processo de colonização. A partir disso, levanto alguns questionamentos que envolvem os monumentos na sociedade hoje e questões que envolvem racismo e xenofobia por imigrantes de países que foram colonizados e que atualmente residem em Portugal”, conta o artista.

'De Uma Belém a outra', de Mauricio Igor (Mauricio Igor)

Em “A Pisa da Amazônia” reflete sobre uma temática do dia a dia amazônico. No vídeo, um ventilador consertado com algumas gambiarras é o protagonista, prática comum na região. O ponto de partida do artista foi justamente o momento em que seu ventilador quebrou.

Juliana Notari também traz ao Arte Pará duas obras em que seu corpo é um dos protagonistas. “Mimoso” e “Soledad”, duas videoperformances de 2014, feitas no período em que a artista de Recife (PE) viveu na capital paraense.

Em “Soledad”, ela descreve o trabalho como um encontro com a morte. Vestida de branco, como se fosse uma enfermeira, o vídeo retrata a limpeza que a artista executa no mausoléu do Cemitério da Soledade, de Belém.

“Aquilo é um ritual”, descreve Notari. “Estou lidando com a morte, com os ossos de alguém que não sei quem era, mas ao mesmo tempo encarei aquela situação como um ritual na qual dialoguei com a questão da morte e vida, que assim é que tem que ser. A morte não é o posto da vida. O posto da morte é o nascimento. Então fiz essa relação, do contato com ossos, que é isso o que vai acontecer quando a gente morrer”, explica.

Frame de "Mimoso", de Juliana Notari (Juliana Notari)

No Arte Pará 2021, Juliana Notari apresenta ainda “Mimoso”, realizado na Ilha do Marajó em coprotagonismo com um búfalo. O trabalho instiga uma reflexão sobre a presença do corpo feminino em contraposição a uma sociedade que se orgulha da virilidade e do falocentrismo.

No vídeo, Notari aparece amarrada ao animal e arrastada pela areia da praia do Pesqueiro. Ciente que após a ação o búfalo seria castrada, a artista incorpora o momento brutal à obra, comendo seu testículo cru, tudo isso dentro de uma paisagem singular.

O salão Arte Pará 2021 tem sua mostra totalmente virtual em 2021. Sob curadoria de Paulo Herkenhoff, e curadoria adjunta de Roberta Maiorana, a edição carrega como conceito “Uma História da Videoarte na Amazônia (episódio 1): Pará”, reunindo trabalhos de 46 artistas convidados. A mostra está disponível no site www.artepara2021.com.

O Arte Pará 2021 é realizado pela Fundação Romulo Maiorana, e tem como patrocinador novamente a Fibra Centro Universitário, renovando a parceria que existe desde 2012. O salão tem ainda apoio do Grupo Liberal e Instituto Inclusartiz.

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