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Festival LED recebe projeto paraense inspirado em lendas amazônicas e acessibilidade

Marceli Hugo Pacheco foi finalista na categoria “Estudante” com o projeto “Trilhando na Amazônia”

Amanda Martins

O Pará esteve duplamente representado na 5ª edição do Festival LED Globo – Luz na Educação, realizada no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. Após o projeto Tecer Mulher, de Marabá, vencedor da categoria “Educadores” do Prêmio LED 2026 por promover inclusão digital para mulheres idosas, ser apresentado na programação do último dia, neste sábado (16) foi a vez da pesquisadora paraense Marceli Hugo Pacheco, de 23 anos, subir ao Palco LED Inova como finalista da categoria “Estudante” para apresentar o projeto “Trilhando na Amazônia”. A iniciativa é voltada à acessibilidade linguística e ao incentivo à leitura entre estudantes surdos da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI).

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Desenvolvido inicialmente durante a graduação em Letras – Língua Portuguesa na Universidade Federal do Pará (UFPA), o projeto articula Libras e língua portuguesa em uma trilha de leitura digital hipertextual gamificada inspirada em lendas amazônicas. O projeto utiliza vídeos, hiperlinks, desafios interativos e elementos de jogos para promover aprendizagem ativa, letramento literário e inclusão.

A plataforma apresenta personagens ligados ao imaginário amazônico, como boto-cor-de-rosa, Iara e Matinta, em uma narrativa bilíngue construída em português escrito e Libras. O conteúdo também permite acesso às versões originais das lendas por meio de hiperlinks, aproximando estudantes de saberes tradicionais da região.

Em entrevista ao Grupo Liberal, Marceli explicou que o projeto nasceu a partir de inquietações vividas durante a graduação e do contato com a comunidade surda em experiências desenvolvidas dentro da universidade. Segundo ela, a ausência de metodologias bilíngues voltadas à realidade amazônica motivou a criação da iniciativa.

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“Quando a gente fala de metodologias, de recursos bilíngues que contem realmente a história do Norte, do Pará, de Belém, da nossa região amazônica, é muito preocupante porque não tem de fato algo pautável que a gente diga que é nosso”, afirmou.

Sob orientação da professora doutora Jeanine Bulhões, da UFPA, Marceli desenvolveu a proposta ao longo dos últimos anos, incluindo processos de tradução em Libras adaptados às variações linguísticas da região amazônica. A pesquisadora destacou que muitos sinais utilizados nacionalmente possuem diferenças quando aplicados à comunidade surda paraense.

“O boto cor-de-rosa nacional é um sinal, mas para um paraense já é outro sinal. Então foi um processo bem longo, com muito estudo e muita dedicação”, declarou.

O “Trilhando na Amazônia” foi implementado na Escola Estadual Jarbas Passarinho durante atividades ligadas ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e agora segue em desenvolvimento para se tornar uma trilha totalmente acessível na web, em parceria com estudantes da área de Engenharia da Computação.

Marceli também comentou a experiência de apresentar o projeto no Rio de Janeiro durante o festival. Segundo ela, o contato com educadores, pesquisadores e iniciativas de diferentes regiões amplia a visibilidade de projetos produzidos na Amazônia.

“Muitas vezes a gente produz algo muito interessante, viável, incrível, mas por falta de visibilização essa ideia não avança”, disse. “Só não é um sonho porque a realidade é muito melhor de ser vivida”, completou.