Aline Wirley e Igor Rickli falam sobre racismo que sofrem como casal

O casal interracial coleciona histórias de comentários racistas

Redação Integrada com informações de Extra

Aline Wirley e Igor Rickli vivem um amor há dez anos, e estão casados há cinco, são pais de Antônio, de 6 anos, mas mesmo com a fama - ela é cantora e ele, ator -  não escapam de sofrer racismo por ela ser negra e ele, loiro de olhos claros. Na semana da Consciência Negra, a artista se recorda dos vários comentários racistas ouvidos ao lado do marido.

“A gente viu que incomodava. Tudo porque ele é um homem branco e eu uma mulher preta. Então, as pessoas achavam: ‘nossa, como esse homem tão lindo está casado com essa mulher?’ ou ‘Ele é tão legal por ter casado com você...’ Quando raspei o cabelo, disseram que eu tinha feito ‘trabalho’ para conseguir uma pessoa como ele”, relatou a cantora de 38 anos.

“Quando olho para tudo que construí ao lado do Igor nos últimos dez anos, me vêm sentimentos de muita alegria e gratidão pelo nosso encontro. Porque a gente passou por muitas coisas, desde as mais legais, como a chegada do nosso filho, até as mais cabulosas”, completou Aline.

Ela também comenta sobre a resistência das pessoas em acreditar que Antônio era seu filho.

“A criança nasceu branca e loura, a cara do pai. Na época, tinha uma amiga que me ajudava aqui. Ela é branca, loura. Uma vez, quando passeávamos com Antônio e ele estava no colo dela enquanto eu pegava algo na bolsinha dele, alguém passou e disse: ‘Seu filho é tão bonito’. Na mesma hora, ela disse que eu era a mãe, e a pessoa me olhou meio surpresa. Minha mãe tem a pele bem escura e também já passou uns bons bocados quando a viam com o neto”, lembrou.

Igor afirma que o que sempre importou foi a conexão entre eles e que o casal ignorou os olhares estranhos.

“As pessoas diziam: ‘Vocês dois juntos, meu Deus!’. Ai, meu Deus, o quê? Começamos a perceber como isso foi gerando especulação e incômodo. A gente foi inocente ao fazer vista grossa para sobreviver. E eu não tinha noção também por ser um homem branco privilegiado”, analisa o ator de 36 anos.

“Na verdade, não conseguia entender esse preconceito. A gente sentia muita limitação das pessoas. Enfrentamos muita ignorância, mas escolhemos passar por cima. Isso não quer dizer que não foi doído, que não está registrado. O Brasil é preconceituoso”, afirmou.

Aline revela que sofreu discriminação de negros por ser casada com um homem branco: “É a palmitagem... Passei e ainda passo por isso, apesar de as pessoas não verbalizarem tanto comigo. Na verdade, não discordo e não concordo, fico no meio do caminho. São muitas correntes dentro da comunidade e não é porque somos todos pretos que vamos ter as mesmas ideias, pensar do mesmo jeito, até porque somos pessoas diferentes. Mas observo, escuto, leio com atenção para aprender, para saber onde está o ‘X’ da questão. Sinceramente, eu me atenho ao que tenho: Igor é o amor da minha vida”.

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