Alba Mariah sobe ao palco do Theatro da Paz para celebrar seus 60 anos
Espetáculo dirigido por Arthur Nogueira percorre repertórios paraenses e internacionais, reafirmando a trajetória independente da artista
Ela poderia ter escolhido qualquer lugar ou celebração. Mas decidiu estar onde sempre sonhou: no palco, diante do público, cantando. É assim que a cantora Alba Mariah vai comemorar seus 60 anos de vida - sendo 44 dedicados à música - com o show comemorativo “Temporal”, na próxima sexta-feira (27), às 20h, no Theatro da Paz. Os ingressos estão à venda no site Ticket Fácil e na bilheteria do teatro, de terça-feira a domingo, das 9h às 17h.
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A intérprete de “Círios”, canção que marcou gerações de paraenses, escolheu a dedo o local da celebração. Em entrevista, Alba conta que sua relação com o Theatro da Paz começou ainda na infância, quando era aluna da rede estadual e participou de uma visita guiada promovida pela própria instituição de ensino ao teatro, experiência que, segundo ela, marcou definitivamente sua trajetória.
“Eu ali me vi deslumbrada e completamente impactada por esse lugar lindo, inspirador, e que fez também com que eu quisesse fazer parte daquele mundo, daquela sala de espetáculos”, recorda.
“Voltar ao Theatro, cantar ali dentro é satisfazer a minha mulher madura de 60 anos e satisfazer também o sonho daquela criança”, acrescenta.
Palco
Com direção de Arthur Nogueira, o show promete um mergulho nas múltiplas camadas da trajetória da cantora. No palco, Alba estará acompanhada por convidados especiais como o maestro Miguel José Campos Neto (piano), Thiago Amaral (clarinete), Carla Cabral (cavaquinho), Douglas Dias (percussão), além de Delcley Machado e Floriano (violões). A base musical contará ainda com a banda formada por Taylan Pereira (baixo e direção musical), Antônio Abenatar (saxofone), William Jardim (guitarra), João Daibes (piano) e Tomás Vieira (bateria).
O repertório será, como define a própria cantora, um ‘passeio por diferentes gêneros e culturas’ que atravessam sua vida. Nascida no Pará, mas com forte atuação fora do estado e experiências internacionais, Alba quer transformar o show em uma trilha sonora de sua história. “Eu quero contar esse tempo no ‘Temporal’, de maneira musical, uma trilha sonora temporal, mas paradoxalmente também atemporal”, explica.
Segundo Alba, o público poderá esperar do show ‘uma travessia por gêneros paraenses, brasileiros, italianos, franceses e argentinos’ refletindo a essência plural da intérprete. A cantora afirma que a intenção é ‘transbordar sentimento’ e compartilhar as transformações que as canções provocaram em sua própria trajetória.
“Eu sou uma pessoa que começou a cantar aos 16 anos publicamente, mas canto desde criança. As costuras desse trabalho vêm das minhas experiências, de como eu absorvo a música e de como eu transbordo essa obra como intérprete para as pessoas”, ressalta.
Ofício
Ao falar do momento atual, a artista se diz em plenitude. “Eu estou sentindo a mesma energia de quando eu tinha 30, de quando eu tinha 40, de quando eu tinha 20, mesmo estando agora com seis décadas de vida”, afirma.
Para ela, cantar é mais do que profissão: é sustento espiritual. “Cantar é a coisa mais importante da minha existência. É o que me move, que me sustenta não só financeiramente, mas dentro da minha alma”, acrescenta a artista.
Ainda no palco, a cantora pretende celebrar a fidelidade do público que a acompanha ao longo das décadas. “Eu tenho um público incrível, maravilhoso, fiel, carinhoso. Para mim, isso é sucesso. Eu experimento essa gratidão e essa cumplicidade com o meu público”, declara.
A trajetória internacional também ajudou a moldar sua identidade artística. Poliglota e aberta ao diálogo com outras culturas, a cantora afirma que nunca limitou sua arte às fronteiras de onde nasceu. “Eu sempre estou com toda a minha mente, meu espírito e as minhas forças abertas para tudo aquilo que vai além de onde eu nasci”, diz.
Próximos projetos
Alba prepara o lançamento de três volumes dedicados à obra de Chico Sena, seu irmão, que culminará em um show no dia 7 de abril, também no Theatro da Paz. Além disso, trabalha em gravações, remasterizações e no projeto “Flor do Mundo sobre a centralidade, o sagrado feminino”, concebido no período pós-pandemia.
Carreira
Alba Mariah iniciou a trajetória profissional nos shows dominicais realizados na sede social da Assembleia Paraense, em Belém. Nascida no bairro do Jurunas, cresceu em um ambiente familiar ligado à música: a mãe cantava e o pai era músico, ambos de forma não profissional.
Alba formou-se professora, mas exerceu a profissão por pouco tempo. Segundo a artista, a decisão de seguir a carreira musical foi definida desde cedo. Embora não tenha iniciado estudos formais em canto no Brasil, dedicou-se ao teatro.
Durante temporada na Itália, começou a estudar técnica vocal, mas interrompeu a formação após orientação do maestro Franco Vallisneri, que avaliou que sua voz já apresentava identidade própria e a incentivou a manter suas características originais.
Após período de apresentações no exterior, retornou ao Brasil para acompanhar a mãe. De volta a Belém, retomou a agenda de shows e consolidou a atuação no cenário musical paraense. Atualmente, desenvolve projetos de forma independente e mantém participação em festivais e parcerias artísticas no Brasil e fora do país.
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