Grafite no Círio de Nazaré: conheça o trabalho de alguns artistas

O Grafite é uma das expressões de arte urbana que, neste período pré-Círio, recebe demandas e passa a colorir a capital paraense com obras espalhadas por murais na cidade

Emanuele Corrêa

O Círio de Nossa Senhora de Nazaré inspira os artistas que, neste período, preenchem suas obras com a simbologia da fé. O Graffiti é uma das expressões de arte urbana, que vem do Hip hop. Neste período pré-Círio os artistas visuais que trabalham como o Graffiti recebem mais demandas e passam a colorir a capital paraense com obras espalhadas por murais pelas ruas de alguns bairros da cidade, assim como painéis e em outros produtos artísticos. No mês de outubro começa a exposição de Graffite, feitas por artistas paraenses presentes na 1ª Bienal das Artes de Belém. As obras ficarão expostas durante um mês no Mercado de São Brás.

A designer, ilustradora e tatuadora Isabella Paixão, conhecida como "Isa", também é grafiteira. Estudando Artes Visuais pretende ser arte-educadora. No Graffiti começou em 2016, por meio de oficinas e depois conhecendo os movimentos de rua, a cultura hip hop e as batalhas de rap. Assim surgiu as "Freedas Crew". "Coletivo de Graffiti composto por mulheres e pessoas trans. Atualmente também faço parte das XXT Crew e estou sempre buscando força junto com as mulheres pra seguir nessa vivência do Graffiti", disse.

A temática do Círio é muito presente em suas obras. Para Isa, representar Nossa Senhora de Nazaré também a oportuniza representar as mulheres da Amazônia. "Eu gosto muito de trabalhar com a representação da nossa mãe divina. É uma oportunidade de representar as mulheres daqui que tem muita fé nessa Senhora Nazaré. São muitas Marias e mães que vivem nesse território amazônico paraense. Então, tem um tempo que eu gosto sim de trabalhar nessa temática e nesse ano estou apresentando algumas obras. Algumas já foram vendidas e uma delas está em exposição no mercado de São Braz, foi realizada durante a Bienal de Artes em Belém", destacou falando sobre os trabalhos mais recentes.

O Hip Hop, de acordo com Isa, faz parte da cultura urbana e é composto por cinco elementos, sendo um deles o Graffiti, que é por onde mais se expressa. "É o que eu mais vivencio, mas tudo se complementa, realmente é um universo muito completo culturalmente que agrega muitos artistas e que pode sim conversar com diferentes linguagens e temáticas, como o Círio, que é uma manifestação popular, apesar de estar ligada a igreja. Sem o povo e sem a diversidade não há toda essa força e reconhecimento", declarou.

"Em uma época como o Círio, é muito importante ser valorizado, cada vez mais, o Graffiti na cidade. É uma intervenção urbana que contribui muito na transformação de espaços públicos, na democratização do acesso a arte, também no turismo, na educação e muitas possibilidades, muito importante também que os artistas sejam vistos além da marginalização e sejam valorizados", complementou explicando as possibilidades do Graffiti.

Marcelo Silva é pintor, letrista, arte-educador e grafiteiro. É conhecido no meio do Graffiti como "Bokão" e há 18 anos trabalha com essa arte. "Trabalho com o Grafitti desde 2004, comecei com uma oficina, aprendi as técnicas e o manuseio do spray e parti daí comecei a trabalhar, e viajando para vários interiores do Pará, ensinando o Graffiti", declarou.

Dentro da temática do Círio, não é a primeira vez que grafita muros em Belém. Uma obra recente fica localizada na travessa Doutor Moraes, esquina com a avenida Nazaré, onde ele pintou as mãos dos promesseiros segurando a corda do Círio. "Já tinha participado de outros murais e telas sobre círio e participei de uma exposição sobre o tema... Sim tenho [proximidade], através do meu pai que me levava para ver a procissão e a passagem da Santa", contou revelando a sua ligação com o Círio de Nazaré.

Um fato curioso sobre esse mural na avenida que leva o nome da padroeira da Amazônia, contou Bokão, é que quando estava grafitando uma senhora se aproximou e perguntou se ele poderia rezar com ela, enquanto pintava. "Aquilo me marcou muito", relembrou.

Maíra Velozo é Artista Visual, que nasceu e se criou no bairro da Terra Firme. Sua arte começou no projeto social do bairro. "Quando me tornei coordenadora do coletivo de artes visuais e alguns integrantes gostavam de graffiti, aí comecei a pesquisar e me interessar e depois conheci os outros elementos do hip- hop, que além de ser um movimento de rua, é um estilo de vida muito importante para a construção da artista e pessoa que sou hoje", arguiu.

A jovem artista contou que é a primeira vez que grafita com a temática do Círio e as obras são “Promesseira“ e “Rogai por Nós“. Ela destacou que a religiosidade e o graffiti se encontraram desta vez, por influência da família. "Minha família é Católica, então, desde sempre participei do Círio e pra mim tem um significado muito importante, mesmo não sendo totalmente praticante da religião...  A tela 'Promesseira' ficará 30 dias em exposição da 1ª  Bienal de Artes de Belém no mercado de São Brás", comentou, explicando onde a obra poderá ser vista.

Questionada sobre como a cultura do hip hop atravessa as temáticas do Graffiti e como o Círio também pode estar inserido, ela destacou que: "o graffiti é um dos elementos do Hip- Hop que é um movimento cultural de ruas. Acredito que o Círio é algo mais particular, depende muito da crença do artista e o que ele quer passar através da sua arte. Pra mim o círio é uma procissão de fé e por isso eu represento ele dessa forma nas minhas artes", finalizou.

Cultura
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