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Marco Antônio Moreira

Coluna assinada pelo presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Mestre e Doutor em Artes (PPGARTES) pela UFPA, professor do Curso de Cinema e Audiovisual da UFPA, coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), crítico de cinema e pesquisador.

Tela Brasil

Marco Antonio Moreira
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O lançamento do canal de streaming Tela Brasil, que proporcionará acesso gratuito a diversos filmes brasileiros, é uma das melhores notícias do ano para o cinema nacional. O cinema brasileiro sempre contou com ótimos filmes e excelentes diretores, roteiristas, atores, atrizes e técnicos, que impressionaram pela qualidade de suas obras cinematográficas. No entanto, um circuito de exibição e distribuição vinculado ao monopólio das produções americanas, que desde meados do século XX domina o mercado cinematográfico, muitas vezes dificultou o acesso do público aos filmes nacionais, além de gerar, direta ou indiretamente, preconceitos e comparações injustas entre o nosso cinema e as produções realizadas em escala industrial pelo cinema norte-americano.

Os cineclubes, alguns canais de TV aberta e fechada, posteriormente as locadoras de vídeo e plataformas como o YouTube contribuíram significativamente para ampliar o conhecimento sobre a produção nacional. Agora, em tempos de expansão das plataformas digitais, é necessário utilizar as novas tecnologias para ampliar ainda mais o alcance do cinema brasileiro e, assim, gerar novos debates e reflexões.

É fundamental questionar o preconceito existente em relação ao cinema brasileiro por meio da própria força dos filmes realizados no país, e um dos melhores caminhos para isso é criar canais permanentes de acesso à produção audiovisual de diversas décadas. Por isso, saúdo a criação do canal de streaming Tela Brasil, serviço público e gratuito totalmente voltado ao conteúdo nacional.

Desenvolvida pelo MinC em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a Tela Brasil é uma plataforma dedicada à difusão do audiovisual brasileiro. O serviço será 100% gratuito, com acesso integrado ao Gov.br. Inicialmente, estará disponível apenas na versão web, mas a expectativa é que as versões para iOS e Android sejam lançadas em até 30 dias após sua estreia.

A plataforma está disponível desde o dia 30/5/26 com um catálogo de mais de 560 obras audiovisuais, entre curtas, médias e longas-metragens, além de séries. A iniciativa contará também com importantes recursos de acessibilidade, como audiodescrição, legendagem descritiva e Libras.

O catálogo reunirá obras clássicas do cinema nacional, como Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha; Xica da Silva (foto), de Cacá Diegues; e A Hora da Estrela, de Suzana Amaral. A seleção também inclui sucessos brasileiros do século XXI, como Carandiru, de Hector Babenco, e Olga (2004), de Jayme Monjardim. A Tela Brasil contará ainda com documentários importantes, como Um Filme de Cinema de Walter Carvalho.

Espero que o canal Tela Brasil seja apreciado por cinemaníacos e cinéfilos de todas as idades, contribuindo para fortalecer o acesso, a valorização e a memória do cinema brasileiro.

Distribuidora

O Canal Curta! anunciou a criação da Curta Distribuidora, nova frente voltada à circulação de filmes e séries brasileiras em cinemas, TV, streaming, plataformas digitais e circuitos culturais. A iniciativa amplia a atuação do grupo no audiovisual nacional, com foco em lançamento, licenciamento e formação de público.

Em 2025, a distribuidora realizou sua primeira experiência em salas de cinema com “Cazuza: Boas Novas”, em parceria com a Kajá. Entre os próximos lançamentos estão “Hyldon As Dores do Mundo” de Emílio Domingos e Felipe David Rodrigues e “Mundurukuyü A Floresta das Mulheres Peixe” dirigido pelo Coletivo Audiovisual Munduruku Daje Kapap Eypi.

A Curta Distribuidora também recebe projetos em desenvolvimento, finalização e catálogo, especialmente ficções contemporâneas, documentários musicais, obras históricas e filmes de impacto social e cultural.

Memórias

O projeto de pesquisa Memórias da Cinefilia Amazônida, que coordeno e é vinculado ao curso de Cinema e Audiovisual da UFPA, terá ações culturais mensais na Casa das Artes a partir de junho, com o objetivo de divulgar e ampliar as ações e os agentes culturais de cinema em nossa região. Outras informações sobre o projeto serão divulgadas na próxima coluna Cineclube.

Dicas da Semana

Tatame de Guy Nattiv e Zar Amir Ebrahimi, Mambembe de Fábio Meira, Perto do Sol é Mais Claro de Regis Faria e Aqui Não Entra Luz de Karoline Maia (Cine Líbero Luxardo).

Mostra Retrospectiva dos melhores filmes da 11ª edição do AMAZÔNIA (FI)DOC (Cine Alexandrino Moreira. De 28 de maio a 13 de junho. Entrada gratuita)

A Festa de Babette de Gabriel Axel. Com Stéphane Audran, Bodil Kjer, Birgitte Federspiel (Cineclube SINDMEPA. Terça-feira, dia 02/6, às 19h. Entrada gratuita).
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