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Marco Antônio Moreira

Coluna assinada pelo presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Mestre e Doutor em Artes (PPGARTES) pela UFPA, professor do Curso de Cinema e Audiovisual da UFPA, coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), crítico de cinema e pesquisador.

Encontro sobre os clássicos da crítica cinematográfica paraense

Marco Antonio Moreira
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O projeto Memórias da Cinefilia Amazônida, vinculado ao curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Pará (UFPA, sob minha coordenação, realiza, no dia 14 de setembro de 2026, na Casa das Artes, em Belém, mais um encontro de sua programação. A atividade terá como tema “Clássicos comentados da crítica paraense” e propõe uma sessão de cinema seguida de debate sobre a memória da produção e da recepção cinematográfica no Pará.

A programação pretende revisitar filmes considerados significativos para a história do cinema exibido e debatido no estado, como o filme Um Dia Qualquer de Líbero Luxardo, estabelecendo uma relação entre as obras e os registros produzidos pela crítica cinematográfica paraense ao longo das décadas. A proposta é refletir não apenas sobre os filmes, mas também sobre os diferentes olhares construídos em torno deles, recuperando textos, análises e perspectivas que contribuíram para a formação de uma cultura cinematográfica na Amazônia.

A atividade busca destacar a importância da crítica cinematográfica como registro histórico e instrumento de formação da cinefilia, considerando sua contribuição para a construção da memória do cinema no Pará. Nesse sentido, o encontro também pretende estimular o público a perceber como os filmes foram recebidos em diferentes momentos e de que maneira a crítica ajudou a ampliar o debate sobre a linguagem cinematográfica, os autores, os gêneros e as questões sociais e culturais presentes nas obras.

O projeto Memórias da Cinefilia Amazônida desenvolve ações voltadas à pesquisa, preservação e divulgação da memória cinematográfica da Amazônia, reunindo informações e experiências relacionadas a filmes, salas de exibição, cineclubes, críticos, pesquisadores, publicações e demais agentes que contribuíram para a formação da cultura cinematográfica na região.

A iniciativa também valoriza a trajetória de diferentes gerações de críticos e cineclubistas paraenses, reconhecendo a importância dos espaços de encontro e discussão em torno do cinema. Ao recuperar essa memória, o projeto procura aproximar passado e presente, possibilitando que novas gerações conheçam parte da história da cinefilia no Pará e compreendam a relevância da preservação de seus registros.

O encontro “Clássicos comentados da crítica paraense” integra uma programação que busca transformar a memória cinematográfica em espaço de reflexão, diálogo e formação. A proposta é reunir público, estudantes, pesquisadores, críticos e interessados em cinema para compartilhar experiências e discutir a presença do cinema na história cultural paraense.

ACCPA

A Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA) realizou, no dia 10 de setembro, mais uma edição da Sessão Cult Debate, no Cine Líbero Luxardo, em Belém. A programação ocorreu após a sessão das 19h e teve como destaque a exibição de Eu, Tu, Ele e Ela (Je, tu, il, elle, 1974), da cineasta belga Chantal Akerman.

Considerada uma das diretoras mais importantes do cinema moderno, Akerman tornou-se uma referência fundamental do cinema feminista e de vanguarda. Sua obra transformou experiências cotidianas, a intimidade, a solidão, o desejo, o tempo e a experiência feminina em matéria cinematográfica, contribuindo para ampliar as possibilidades da linguagem do cinema e influenciando diferentes gerações de cineastas.

Em Eu, Tu, Ele e Ela, filme realizado no início de sua trajetória, Akerman também atua como protagonista, interpretando Julie, uma mulher que vivencia um período de isolamento e solidão marcado por encontros e experiências afetivas. A obra já apresenta características que se tornariam centrais em sua filmografia, como a exploração do tempo, do espaço, da intimidade e da experiência feminina.

Após a exibição, a ACCPA promoveu um debate com o público sobre a linguagem cinematográfica de Chantal Akerman, os temas presentes no filme e a importância de sua obra para o cinema moderno e contemporâneo. A discussão também destacou a contribuição da diretora para uma perspectiva autoral e feminista no cinema, especialmente por sua capacidade de transformar situações aparentemente cotidianas em experiências cinematográficas de grande força estética e política.

Estreia

Não Haverá Mais História Sem Nós, documentário de Priscilla Brasil, estreou no Cine Líbero Luxardo. A obra acompanha dois pesquisadores amazônicos, entre Belém e Munique, que investigam a construção histórica da imagem da Amazônia como território selvagem, inesgotável e sem voz, questionando o colonialismo, o racismo e a exploração da floresta. O filme teve passagem em diversos festivais destacando-se por sua abordagem política e ambiental da Amazônia.

Dicas da semana

  • Ruminantes de Tarsila Araújo, Marcelo Mello (Cine Alexandrino Moreira).
  • Eu, tu, ele e ela de Chantal Akerman, Não haverá mais história sem nós de Priscila Brasil, Nem tudo é paz e amor de Betão Aguiar (Cine Líbero Luxardo).
  • Possessão de Andrzej Zulawski. Com Isabelle Adjani, Sam Neill (Cineclube SINDMEPA. Terça-feira, dia 15/09. Horário: 19h. Entrada gratuita).
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