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Marco Antônio Moreira

Coluna assinada pelo presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Mestre e Doutor em Artes (PPGARTES) pela UFPA, professor do Curso de Cinema e Audiovisual da UFPA, coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), crítico de cinema e pesquisador.

O Cine Argus de Castanhal e a exibição cinematográfica no interior do Pará

Marco Antonio Moreira

A história do cinema paraense não pode ser compreendida apenas a partir dos filmes produzidos no Estado ou das experiências cinematográficas ocorridas em Belém. Ela também precisa ser pesquisada a partir dos espaços de exibição, das salas de cinema, dos cineclubes, dos exibidores e, principalmente, das experiências vividas pelo público em diferentes municípios paraenses. É nesse sentido que merece destaque o trabalho de José Carneiro sobre o Cine Argus de Castanhal e a exibição cinematográfica no interior do Pará.

Ao restaurar a trajetória do Cine Argus e a presença do cinema em outras cidades do Pará, a pesquisa contribui para ampliar a compreensão sobre uma história que muitas vezes permanece dispersa em jornais, documentos, fotografias, relatos de antigos espectadores e memórias de pessoas que participaram da vida cultural dessas cidades. Mais do que contar a história de uma sala de cinema, pesquisar o Cine Argus significa compreender como o cinema se inseriu no cotidiano de uma cidade do interior, tornando-se espaço de encontro, entretenimento, sociabilidade e formação cultural.

Trabalhos como esse possuem enorme importância para a preservação da memória audiovisual paraense. Durante muito tempo, grande parte das narrativas sobre o cinema no Pará esteve concentrada em Belém, em instituições, salas e acontecimentos que marcaram a capital. Embora essa trajetória seja fundamental, ela representa uma parte de uma história muito mais ampla. O cinema também foi vivido em Castanhal, Santarém, Marabá, Abaetetuba, Bragança e em tantos outros municípios onde salas de exibição ajudaram a construir diferentes experiências de cinefilia.

image Legenda (Imagem: Reprodução)

Por isso, pesquisar a história da exibição cinematográfica no interior do Pará é também reconhecer sujeitos e comunidades que participaram da construção da cultura cinematográfica amazônica. É recuperar nomes de exibidores como seu Duca Carneiro, trabalhadores e espectadores; identificar os filmes que chegaram a essas cidades; compreender os circuitos de distribuição e as transformações das salas de cinema; e perceber como cada município estabeleceu uma relação particular com o cinema.

A pesquisa de José Carneiro se torna, assim, uma importante contribuição não apenas para a memória de Castanhal, mas para a própria historiografia do cinema paraense. Ao registrar e compartilhar essa experiência, abre-se espaço para que outras histórias sejam investigadas e preservadas. Cada antiga sala de cinema, cada projeção, cada cineclube e cada espectador guarda uma parcela dessa memória que precisa ser conhecida antes que documentos, fotografias e testemunhos desapareçam.

É fundamental, portanto, estimular pesquisas que contemplem todas as dimensões do cinema no Pará: produção, distribuição, exibição, crítica, cinefilia e formação de público. A história do cinema paraense não está somente nos filmes que foram realizados, mas também nos lugares onde esses filmes foram vistos, nas pessoas que os exibiram e nas comunidades que os receberam.

Valorizar trabalhos como o de José Carneiro é defender uma concepção mais ampla e democrática da memória cinematográfica. É compreender que a história do cinema paraense é formada por muitas histórias — da capital e do interior, das grandes salas e dos pequenos espaços de exibição, dos profissionais e dos espectadores.

Pesquisar, documentar e compartilhar essas experiências significa preservar uma memória cultural que pertence a todos nós. Conhecer a história do Cine Argus de Castanhal é, portanto, também conhecer uma parte da história da relação entre o cinema e o povo paraense.

Agradeço o convite para estar presente no lançamento do livro na Casa das Artes. Foi um belo momento de encontro com cinéfilos e personagens da história do cinema paraense, que merecem admiração e reconhecimento.

Tela Brasil

O canal de streaming do cinema brasileiro, Tela Brasil, reúne mais de 560 obras audiovisuais — entre longas, médias e curtas-metragens, além de séries —, abrangendo produções realizadas a partir de 1910 até obras contemporâneas. A plataforma conta com parcerias com importantes acervos, como os da Cinemateca Brasileira e da Funarte, oferecendo ao público acesso tanto a clássicos consagrados quanto a produções independentes e regionais. Confira!

Belas Artes

Ran (1985), obra-prima de Akira Kurosawa, estreia em 28 de agosto de 2026 no serviço de streaming Belas Artes À La Carte. O clássico chega ao catálogo acompanhado pelo documentário inédito "A.K. Akira Kurosawa - Os Segredos de Ran", dirigido por Chris Marker. O streaming Belas Artes À La Carte é uma das melhores opções para cinéfilos que procuram assistir ou rever filmes extraordinários.

Dicas da semana

Mostra de Cinema Espanhol 2026: De 18 a 22/8/26, no Cine Alexandrino Moreira.

Mostra Comemorativa do Cinema Pernambucano: Exibição dos filmes "Cinema, Aspirinas e Urubus", "Boi Neon", "O Baile Perfumado" e "Baixio das Bestas", no Cine Líbero Luxardo.

A Piscina, de Jacques Deray (Com Romy Schneider e Alain Delon). Grande sucesso do cinema francês. Local: Cineclube SINDMEPA. Data e Hora: Terça-feira, 18/8, às 19h. Entrada: Gratuita.

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