Policiais divulgam vídeo do momento exato em que corretora foi atacada pelo síndico no subsolo; veja
O celular da vítima foi achado dentro de uma caixa de esgoto do prédio no dia 30 de janeiro
A Polícia Civil divulgou nesta quarta-feira (18) um vídeo do momento exato em que a corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi atacada pelo próprio síndico Cléber Rosa de Oliveira no subsolo de um prédio que fica situado em Caldas Novas, no estado de Goiás. O caso da corretora repercutiu pela internet nos últimos meses após ela ficar 40 dias desaparecida e ser encontrada morta em uma área de mata da cidade.
A filmagem trata-se do vídeo que a vítima estava gravando com o celular enquanto descia de elevador até a parte debaixo do condomínio, porque o seu apartamento havia tido uma queda de energia. Algumas pessoas acreditam que, minutos antes de ser assassinada, Daiane decidiu filmar todos os passos porque já estava desconfiada de que a ausência de eletricidade fosse uma emboscada para que ela descesse até o subsolo.
"Cheguei na recepção, a Equatorial não veio cortar, claro, que tá pago! Agora eu vou descer lá embaixo para ver se o disjuntor está desligado, vou apertar aqui e vou gravar. Vou atrás do disjuntor do 402, vamos lá, vamos ver se essa brincadeira está continuando. Não sei se o 402 está aqui, mas o síndico está aqui embaixo, isso eu sei. Vamos lá ver se tem alguém brincando de desligar as coisas", disse Daiane Alves no vídeo.
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Relembre o desaparecimento de Daiane
A corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025, após decidir descer ao subsolo de um prédio para verificar uma suposta falta de energia em seu apartamento. Desde que ela desceu até o andar 0 do condomínio, ela não foi mais vista e o corpo da vítima foi localizado em avançado estado de decomposição 40 dias depois em uma área de mata que fica a cerca de 15 quilômetros da cidade.
De acordo com as investigações, a corretora e o síndico teriam um atrito não resolvido, por esse motivo, desde o início de seu desaparecimento, ele já era visto como o principal suspeito da morte de Daiane. Com o decorrer dos depoimentos, o síndico Cléber Rosa de Oliveira confessou o crime e foi preso junto com seu filho, Maykon Douglas de Oliveira, porque ele também ajudou na ocultação de provas do assassinato ao acobertar o pai, pois, segundo a investigação, o síndico teria confessado o assassinato ao filho. Na audiência de custódia, a Justiça manteve a prisão de ambos. A defesa de Maicon nega qualquer participação dele no caso.
Detalhes da emboscada e execução
O áudio do vídeo, recuperado no celular, mostra Daiane examinando os equipamentos elétricos. De repente, ouve-se um barulho seguido de um grito da corretora e, depois, silêncio. "O Cleber aguardava Daiane no subsolo, já estava com a luva nas mãos, o carro posicionado ao lado do almoxarifado, ele então intercepta ela encapuzado", detalhou Barbosa, delegado do caso.
O delegado continuou: "Tratou-se de fato de homicídio com emboscada deliberada, pois ele a atraiu para o subsolo, a incapacitou, a retirou do local e a executou com dois disparos de arma de fogo". A polícia afirmou que Daiane foi morta em outro local. Caso os tiros tivessem sido disparados no subsolo, seriam ouvidos por testemunhas.
Durante a reconstituição do caso, realizada em 30 de janeiro, a polícia disparou uma arma no subsolo e o barulho foi ouvido na portaria. Testemunhas também relataram que a picape de Cleber deixou o prédio com a capota fechada e retornou, cerca de uma hora depois, com ela aberta.
Versão do síndico confrontada pela perícia
Em depoimento, no qual teria confessado o crime, o síndico alegou que a arma disparou acidentalmente, atingindo Daiane na cabeça, após ser atacado por ela. A perícia, entretanto, apontou que a corretora foi morta com dois tiros. Além disso, foi encontrado pouco sangue no local, mesmo com o uso de luminol, substância que detecta resíduos ínfimos de sangue.
Segundo o delegado, a quantidade de sangue encontrada é incompatível com a versão de Cleber Rosa de Oliveira. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público de Goiás (MPGO), com o pedido de que o síndico seja denunciado pelos crimes de homicídio doloso, com agravantes, e ocultação de cadáver.
(Victoria Rodrigues, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Heloá Canali, editora executiva em Oliberal.com)
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