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Erika Hilton pede ao MP investigação e prisão de Ratinho por transfobia

Deputada acionou o Ministério Público de São Paulo após declarações do apresentador sobre sua eleição para a Comissão da Mulher da Câmara

Hannah Franco
fonte

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pediu a investigação do apresentador Ratinho por declarações consideradas transfóbicas feitas durante um programa exibido pelo SBT. A solicitação foi protocolada nesta quinta-feira (12).

No documento encaminhado ao órgão, a parlamentar pede a abertura de inquérito policial e a prisão do apresentador. Segundo a representação, a pena para esse tipo de crime pode chegar a até seis anos de reclusão. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles.

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O pedido foi registrado no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), setor do MP paulista responsável por investigar casos de discriminação.

A ação foi motivada por declarações feitas por Ratinho durante seu programa na última quarta-feira (11). Na ocasião, o apresentador comentou a eleição de Érika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

Na representação enviada ao Ministério Público, a deputada afirma que as falas do comunicador negam sua identidade de gênero e reforçam a ideia de que mulheres trans não poderiam ser consideradas mulheres.

Segundo o texto do pedido, as declarações se baseiam na “repetição de afirmações destinadas a negar a condição feminina da parlamentar”.

Documento aponta caráter discriminatório

Ainda conforme a petição, os comentários foram transmitidos em rede nacional, o que teria ampliado o alcance do conteúdo e intensificado seus efeitos. O documento também menciona a repercussão nas redes sociais após a exibição do programa.

“As declarações proferidas pelo apresentador não se limitaram a uma crítica política ou a um debate institucional acerca da atuação da parlamentar, mas consistiram na negação explícita de sua identidade de gênero e na afirmação reiterada de que ela não seria uma mulher. Esse elemento constitui o núcleo da conduta aqui narrada e evidencia o caráter discriminatório do discurso proferido”, afirma um trecho do texto enviado ao Ministério Público.

Segundo a representação, as falas configuram a “negação explícita” da identidade de gênero da deputada e evidenciam, na avaliação da defesa, o caráter discriminatório do discurso.

Entenda o que aconteceu

O apresentador Ratinho fez comentários considerados transfóbicos contra a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) durante o “Programa do Ratinho”, exibido na quarta-feira (11). A declaração ocorreu enquanto ele comentava a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados.

“Ela não é mulher, ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher”, afirmou o apresentador durante a atração.

Ao comentar o tema no programa, Ratinho disse que não considerava justa a escolha de uma mulher trans para presidir a comissão.

“Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres. Mulher para ser mulher tem de ser mulher”, declarou.

 

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