Velório de Irmã Henriqueta emociona público na Alepa, em Belém
Religiosa desenvolveu um trabalho de cunho social admirado por muita gente; o corpo dela seguirá nesta segunda-feira (12) para o Arquipélago do Marajó para o sepultamento
Muita gente comparece ao hall de entrada do Palácio da Cabanagem, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), onde é velado o corpo de Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, 65 anos, a Irmã Henriqueta. Ela faleceu em virtude de um acidente automobilístico no Estado da Paraíba, no sábado (10). Entre as pessoas presentes ao velório, estão amigos e gente que atuou junto com a religiosa na defesa dos direitos humanos. O arcebispo de Belém, dom Júlio Akamine, participa do velório, no centro de Belém.
Suely Trindade trabalhou junto com Irmã Henriqueta no Instituto de Direitos Humanos Dom José Luis Azcona. "Eu convivi com a Irmã Henriqueta por 40 anos, porque ela tinha um projeto no bairro da Terra Firme. Eu a conheci de lá", disse. Suely ressaltou que o legado de Irmã Henriqueta para a sociedade "é o da resistência". "Ela foi resistente. Ela lutava pelo que ela acreditava. Ela sempre acreditava no sonho melhor para criança e jovem, para a sociedade". "O Marajó era a paixão dela e também de Dom Luis Azcona, ela se dedicou a isso. Ela vai fazer muita falta para as pessoas que sabem do trabalho dela", enfatizou.
Pororoca
Para Norma Miranda Barbosa, da diretoria do Instituto Dom Luis Azcona, é difícil dizer qual o legado de Irmã Henrique para o Brasil como um todo. "Além da defesa dos direitos humanos, da coragem, ela levou esse tema para todos os cantos do nosso estado, do nosso país e até para fora do Brasil. O grande desafio nosso é o de não deixar toda essa história acabar, ou seja, dar continuidade a ela, principalmente neste momento tão difícil que defender direitos humanos é praticamente um crime. Então, ela dedicou a vida dela, arriscou a vida dela, foi ameaçada constantemente, e falar de Henriqueta é falar de uma Pororoca, de uma corrente muito forte que a gente precisa prosseguir com ela", pontuou Norma. Uma frase de Irmã Henriqueta não será esquecida por Norma: "Nunca desistir de acolher, de dar esperança para uma criança".
Dom Jesus Cizaurre atuou como bispo em Cametá e em Bragança e também compareceu ao velório de Irmã Henriqueta. Ele lembrou que conviveu com ela, em especial, no Regional 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), presidido por dom Jesus durante quatro anos. "A lembrança que eu tenho dela é essa, de uma pessoa muito sincera, fácil de conversar", ressaltou, pontuando a convivência de Irmã Henriqueta com dom Luis Azcona.
No velório, pessoas comentaram sobre a luta de Irmã Henrique pela dignidade de crianças e adolescentes. Diversas coroas de flores foram encaminhadas até o hall de entrada da sede da Alepa, como as enviadas pela vereadora Marinor Brito, do Projeto Menina e Mulheres do Marajó, do Escritório Mary Cohen Advocacia, da deputada estadual Lívia Duarte, de Angelina e Pedro Cavalero, do presidente da Alepa, deputado Chicão, e da Ampep/MPPA.
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