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Vacinados, idosos fazem planos para um futuro sem pandemia

Pessoas que receberam primeira dose do antígeno em Belém contam dramas vividos e as expectativas para o que virá

Dilson Pimentel

A vacinação para as pessoas com 85 anos de idade ou mais, em Belém, representa uma injeção de esperança na pandemia. Em um cenário de tantas perdas, receber as doses do antígneno é um alento, como diz a costureira aposentada Neuza Ribeiro da Silva, de 86 anos, imunizada na quinta-feira (4). “Eu tava pedindo a Deus e deu tudo certo”, disse. 

Assim como milhares de outras pessoas pelo mundo, a pandemia também mudou a rotina de dona Neuza. Antes, ela ia mais à igreja evangélica que frequenta. Também ia mais à casa das filhas. “Não saio muito. Falam que não é pra gente sair muito. A gente tem que obedecer. O benefício é pra gente mesmo”, disse.

Dona Neuza perdeu alguns amigos. Mas, de sua família e da igreja, ninguém morreu de covid. "Graças a Deus', ela completa, agradecendo também os profissionais que estão trabalhando na vacinação dos idosos, citando os médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde.

Neuza Ribeiro da Silva, 86 anos, agradeceu os profissionais que realizam o trabalho de combate à pandemia. (Fábio Costa/O Liberal)

“Quero dizer que está tendo essa vacinação e que cada um dele pense que é para a nossa saúde, para a nossa felicidade”, disse. E também recomendou que as pessoas continuem com as medidas sanitárias. “Usar máscaras, levar as máscaras ao chegar da rua e tomar banho”, disse.

Quando a pandemia passar, dona Neuza pretende passear mais. E visitar os filhos que moram em Palmas (TO) e Goiânia (GO).

"Tomar a vacina me deixa mais tranquila e feliz", diz aposentada

A comerciante aposentada Maria Luiza da Costa Florenzano, 87 anos, também foi uma das vacinadas. “Me deu tranquilidade no sentido de continuar gozando de saúde. A vacina era a minha esperança. E, graças a Deus, chegou e eu tomei”, contou. Para ela, o mais difícil nessa pandemia é não poder sair de casa para dar uma volta. “Não poder receber a visita de alguns filhos que moram longe de Belém, não poder voltar para Oriximiná (no oeste do Pará), onde moro. E não poder visitar o meu marido que está internado há dois meses no hospital”, afirmou. O marido teve covid em abril do ano passado. Mas recuperou. Foi um período muito difícil também para a família. Mas, agora, está no hospital por outro problema de saúde. E, por isso, ainda não foi vacinado. Mas deve ter alta hospitalar nos próximos dias.

“Tomando a vacina minha esperança de não pegar o vírus aumenta e me deixa mais tranquila e feliz, pois já perdi uma irmã e muitos amigos, o que me deixa triste e preocupada”, contou. 

Ela também tem planos para quando tudo estiver normal. “Pretendo voltar para Oriximiná com o meu marido e continuar minha vida como antes”, disse.

"Pode vir até o Paysandu que estou preparado para enfrentar", brinca idoso

Radialista de profissão, Fernando Gualberto, de 87 anos, também foi vacinado na quinta-feira (4). Ele contou que, há um mês, chegou a ficar internado no hospital Dom Vicente Zico. A suspeita, inicial, era de covid, mas não foi confirmada. 

Após ser vacinado, e já em sua casa, ele brincou com a reportagem. “Amanhã vou trepar em um açaizeiro para saber se tem ‘tutano’ pra chegar lá no cacho”, disse.  E completou: “Hoje é meu aniversário”. Quando o repórter começou a parabenizá-lo, ele explicou. “É aniversário porque tomei a vacina hoje”, disse. Na verdade, ele fará fará 87 anos em 11 de junho, no dia da Batalha Naval do Riachuelo, conforme fez questão de destacar.

Seu Fernando contou estar satisfeito por ter sido imunizado, o que era um desejo de sua família. “Pode vir até o Paysandu que estou preparado para enfrentar", brincou.

Seu Fernando disse que, quando tudo voltar ao normal, continuará com a sua vida como era antes. Ele disse que, por segurança, já não gostava mesmo de sair à noite. “Se não tivesse mais a pandemia, eu ia voltar o sistema de normal de vida”, disse. Ou seja, explicou: ficar em casa mesmo, assistir televisão, dormir. “Eu não posso sair pra rua para arrumar namorada”, brincou novamente.

"Pode vir até o Paysandu", brinca o aposentado Fernando Gualberto (Fábio Costa/O Liberal)

Cuidados sanitários devem ser mantidos após a vacinação

Iniciada na terça-feira (3), a vacinação para os 12 mil idosos acima de 85 anos terminou no domingo, dia 7 de fevereiro. Mas para os idosos que estão sendo vacinados em suas casas, por causa da dificuldade de locomoção ou que estão acamados, a imunização continua. Em entrevista à reportagem, o secretário de Saúde de Belém, Maurício Bezerra, disse que os idosos com 85 anos ou mais, e que não podem sair de suas casas, poderão fazer seu cadastro pela internet.

O endereço é o seguinte: belemvacinada.com.br Ao abrir o site, a pessoa vai até o link “cadastre-se”, onde preencherá as informações solicitadas. Uma vez feito, o cadastro é recebido pelo Departamento de Vigilância à Saúde da Sesma. Feito o cadastro, os agentes de saúde vão confirmar a veracidade da informação. Para tanto, no dia seguinte eles irão à casa da pessoa idosa. Em média, o intervalo entre o cadastro na internet e a vacinação é de dois dias ou três dias, afirmou o secretário Maurício Bezerra. Um parente ou cuidador também pode cadastrar o idoso na unidade de saúde mais próxima, através dos agentes de saúde da família 

Belém
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